Mais de 100 países apresentam novas metas climáticas antes da COP30 e reforçam corrida pela descarbonização

Enquanto Donald Trump ataca a agenda verde na ONU, líderes globais anunciam planos mais ambiciosos para cortar emissões e acelerar a transição energética, pavimentando o caminho para a conferência em Belém

Em um movimento que reforça o compromisso internacional com a descarbonização, mais de 100 países apresentaram novos planos climáticos durante a Cúpula do Clima do Secretário-Geral da ONU, realizada em Nova York. As metas, que chegam a menos de dois meses da COP30 em Belém, contrastam com os ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à agenda climática global no início da semana.

China, Mongólia, Vanuatu, Micronésia, Paquistão e Libéria se somaram a países como Austrália, Nigéria e Jamaica ao entregar suas metas para 2035 à ONU. Os documentos representam o conjunto mais detalhado de planos nacionais de combate às mudanças climáticas já apresentados, cobrindo todos os setores da economia — transporte, indústria, florestas e oceanos. De acordo com levantamento da organização E3G, mais de 90% dos planos apoiam ao menos um dos principais resultados energéticos da COP28, realizada em Dubai.

Uma década de progresso desde Paris

As novas promessas chegam embaladas por resultados expressivos alcançados desde o Acordo de Paris, em 2015. Segundo análise do Energy & Climate Intelligence Unit (ECIU), a economia global cresceu 28% nos últimos dez anos, enquanto as emissões subiram apenas 3%. A intensidade de carbono caiu 21% e o ritmo de crescimento das emissões desacelerou em cinco vezes, para apenas 0,32% ao ano.

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Esses dados demonstram que é possível crescer economicamente e, ao mesmo tempo, frear a poluição. Para especialistas, os planos nacionais apresentados agora podem acelerar essa tendência, criando um efeito dominó de investimentos em energias renováveis, eficiência energética e preservação ambiental.

China entre expectativas e críticas

Entre as novas metas, a da China é uma das mais observadas. O país se comprometeu a reduzir as emissões entre 7% e 10% após atingir o pico — que analistas acreditam ter ocorrido em 2024. Embora considerada tímida por alguns especialistas, a meta é significativa por ser a primeira a abranger toda a economia e todos os gases de efeito estufa. O plano também prevê que, até 2035, mais de 30% da demanda energética venha de fontes não fósseis, como solar e eólica.

O presidente chinês Xi Jinping destacou a importância da cooperação internacional para manter o rumo da transição energética.

“A transição verde e de baixo carbono é a tendência do nosso tempo. Embora alguns países ajam contra isso, a comunidade internacional deve manter o foco na direção correta, permanecer firme na confiança, incansável nas ações e determinada na intensidade, e avançar na formulação e implementação das NDCs, com o objetivo de trazer mais energia positiva para a governança climática global.”

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Especialistas acreditam que o robusto setor de tecnologia limpa da China pode impulsionar a capacidade instalada de renováveis para muito além da meta oficial de 3.600 GW.

Brasil quer protagonismo em Belém

Como anfitrião da COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a cúpula para reforçar a liderança brasileira no combate à crise climática. Ele reafirmou a meta de reduzir as emissões de todos os gases de efeito estufa entre 59% e 67%, abrangendo todos os setores da economia.

“Ao sediar a COP na Amazônia, o Brasil quer mostrar que é impossível preservar a natureza sem cuidar das pessoas”, declarou Lula, em um discurso que reforça a conexão entre justiça social e preservação ambiental.

ONU pressiona por metas mais ousadas

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, também cobrou maior ambição dos líderes globais. “Precisamos de novos planos para 2035 que avancem muito mais e muito mais rápido: cortes dramáticos de emissões compatíveis com 1,5 °C, cobrindo todas as emissões e setores, e acelerando uma transição energética justa em escala global.”

Guterres destacou que as novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) precisam ser abrangentes e mensuráveis para manter viva a meta de limitar o aquecimento global.

Europa reforça apoio financeiro

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lembrou que a corrida pela transição energética traz oportunidades econômicas:

“A questão já não é mais se a transição ocorrerá e com que rapidez, mas quem se beneficiará dela. E todos os países devem colher os benefícios, especialmente os mais vulneráveis. É por isso que continuamos sendo o maior financiador climático do mundo. Vamos mobilizar até €300 bilhões para apoiar a transição limpa em escala global por meio do nosso programa de investimentos Global Gateway, e vamos transformar em realidade nosso acordo coletivo de triplicar as energias renováveis até 2030.”

Contraponto político

Enquanto líderes reforçavam seus compromissos, o ex-presidente americano Donald Trump aproveitou sua participação na ONU para atacar políticas climáticas, criticando investimentos em energias renováveis e defendendo combustíveis fósseis.

As declarações contrastaram com o tom construtivo da cúpula e reforçaram a divisão entre países que avançam em metas ambientais e aqueles que resistem à transição.

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