Evento reuniu autoridades, especialistas e agentes do setor elétrico para discutir como as usinas hidrelétricas podem garantir flexibilidade, segurança e descarbonização da matriz energética brasileira
A relevância das hidrelétricas brasileiras para a matriz elétrica e para os objetivos de descarbonização do país foi o tema central do encontro “O papel das hidrelétricas na transição energética”, realizado nesta quinta-feira (25/9), na Casa ParlaMento, em Brasília. Promovido pela Agência iNFRA, o evento reuniu autoridades governamentais, dirigentes de órgãos reguladores, representantes de empresas geradoras e especialistas do setor elétrico.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) marcou presença com a participação do diretor-geral Sandoval Feitosa e dos diretores Gentil Nogueira e Fernando Mosna, que integraram os painéis de debate. O encontro reforçou a importância da geração hidrelétrica para a flexibilidade e confiabilidade do sistema elétrico, especialmente diante do crescimento das fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica.
ANEEL reforça o papel estratégico das hidrelétricas
Durante o painel de abertura, que contou também com representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), da Itaipu Binacional, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Sandoval Feitosa destacou a relevância histórica e estratégica das hidrelétricas para o Brasil.
“Desde meados do século passado, as grandes hidrelétricas construídas no Brasil viabilizaram geração limpa e o desenvolvimento de regiões remotas. Hoje, as hidrelétricas são muito mais do que um patrimônio nacional; são um ativo estratégico global na transição energética. Essa transição ultrapassa a dimensão ambiental: é também uma questão econômica, tecnológica e geopolítica”, afirmou o diretor-geral da ANEEL.
A fala de Sandoval reforça a visão de que a geração hidrelétrica, além de ser uma fonte renovável e de baixa emissão de carbono, desempenha papel fundamental no equilíbrio do sistema elétrico ao oferecer flexibilidade e capacidade de resposta rápida às variações de oferta e demanda.
Visão do setor público e desafios do planejamento
Na mesa “Visão do Setor Público”, mediada por Luiz Augusto Barroso, presidente da PSR, participaram o diretor Gentil Nogueira, o secretário nacional de Transição Energética e Planejamento do MME, Gustavo Ataide, o diretor do Operador Nacional do Sistema (ONS), Christiano Vieira, o superintendente da EPE, Gustavo Ponte, e o conselheiro de Administração da CCEE, Ricardo Simabuku. O debate abordou questões como a necessidade de retomar o planejamento de novos projetos, o desenvolvimento de tecnologias para segurança energética e a governança dos modelos computacionais usados na formação de preços.
Os participantes destacaram que, diante da expansão das energias renováveis variáveis, como eólica e solar, é essencial garantir que as hidrelétricas continuem operando com capacidade de fornecer flexibilidade ao sistema. Essa função é vital para evitar riscos de curtailment (desligamento de geração por excesso de oferta ou limitações de rede) e para assegurar a confiabilidade do fornecimento de energia.
Participação dos agentes do setor
Encerrando a presença da ANEEL, o diretor Fernando Mosna moderou a mesa “Visão dos Agentes”, que reuniu executivos de empresas como Copel, Auren, Eletrobras e Abrage. O painel promoveu uma troca de experiências entre geradoras e comercializadoras, abordando oportunidades de investimento, novos modelos de negócios e desafios regulatórios.
Entre os pontos discutidos estiveram o papel das hidrelétricas como garantidoras de estabilidade em um cenário de crescimento acelerado das fontes renováveis, a necessidade de modernização das usinas existentes e a adoção de novas tecnologias para ampliar a eficiência e a segurança operacional.
Caminho para a descarbonização
Com mais de 60% da matriz elétrica brasileira baseada em hidrelétricas, o Brasil parte de uma posição privilegiada no processo de descarbonização global. Entretanto, o evento em Brasília evidenciou que a manutenção e expansão desse protagonismo dependem de investimentos contínuos, inovação tecnológica e políticas públicas que garantam previsibilidade para novos empreendimentos.
A ANEEL, ao lado de outros órgãos do setor elétrico, reforçou que a integração das hidrelétricas com outras fontes renováveis será determinante para que o país cumpra suas metas de redução de emissões e amplie a competitividade no mercado internacional de energia limpa.



