Oficina do MME marca início da atualização do Atlas, que será elaborado em parceria com estados e terá como foco políticas públicas para uma transição energética justa, inclusiva e sustentável
O Ministério de Minas e Energia (MME) deu início, nesta segunda-feira (22/09), ao novo ciclo do Atlas Brasileiro da Transição Energética, documento que mapeia políticas públicas estaduais e iniciativas estratégicas ligadas à descarbonização da matriz elétrica.
A Oficina de Planejamento, realizada no auditório do MME, em Brasília, reuniu representantes da Secretaria de Transição Energética e Planejamento (SNTEP), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Minas e Energia (FNSME) para alinhar as etapas da construção do Atlas ciclo 2026, que terá como ano-base 2025.
O encontro marcou o pontapé inicial de um processo que pretende fortalecer a integração entre os entes federativos e oferecer informações estratégicas para orientar políticas e investimentos.
Ferramenta para fortalecer políticas públicas
O Atlas é considerado uma ferramenta essencial para subsidiar a formulação de políticas energéticas nos âmbitos federal e estadual. Além de mapear iniciativas regionais, ele busca identificar vocações locais, como potenciais para energias renováveis e tecnologias emergentes.
De acordo com Karina Sousa, diretora do Departamento de Transição Energética do MME, a atualização do Atlas reforça o compromisso de colaboração entre União e estados.
“O Atlas é um esforço coletivo que representa a confiança e a dedicação de todos os envolvidos. Seguiremos trabalhando para torná-lo cada vez mais robusto e útil para todos”, afirmou a diretora.
A metodologia do novo ciclo incluirá melhorias na coleta e organização de dados, além de estratégias mais amplas de divulgação para ampliar o acesso às informações.
Aprendizados do ciclo anterior
O Atlas 2025, publicado com ano-base 2024, foi apontado pelo MME como um marco para a governança da transição energética no Brasil. O documento ajudou a transformar dados técnicos em informações públicas e acessíveis, além de aproximar governos estaduais e federal em torno de uma agenda comum.
Entre os principais destaques do ciclo anterior, constaram:
- Energia solar: crescimento expressivo de políticas de incentivo e novos projetos.
- Hidrogênio de baixa emissão de carbono: avanço em planos regionais de produção e exportação.
- Biogás, biometano e biomassa: expansão de programas estaduais, com destaque para a concentração de políticas para biogás nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e para a ampla adoção de biomassa nos estados do Centro-Oeste.
O levantamento também identificou lacunas regulatórias e oportunidades de investimento, fornecendo subsídios para aprimorar a legislação e as estratégias de fomento à energia limpa.
Próximos passos para o Atlas 2026
Durante a oficina, representantes do MME, da EPE e dos estados discutiram cronogramas, metodologias e responsabilidades institucionais para garantir a entrega do Atlas 2026, prevista para abril do próximo ano. A nova edição deverá contar com metodologia aprimorada, definição clara de papéis para cada instituição e estratégias de comunicação mais abrangentes para alcançar a sociedade, investidores e agentes do setor energético.
A expectativa é que o documento contribua para acelerar a transição energética brasileira, promovendo justiça social, inclusão regional e sustentabilidade econômica.
Impacto na transição energética brasileira
O Atlas Brasileiro da Transição Energética se consolidou como uma referência para o planejamento de longo prazo no setor elétrico. Sua atualização é estratégica para apoiar a meta de neutralidade de carbono até 2050, especialmente em um contexto de crescimento da demanda elétrica, expansão da geração renovável e necessidade de investimentos em infraestrutura de transmissão.
Com o novo ciclo, o governo federal pretende ampliar a base de dados e criar indicadores de desempenho capazes de orientar tanto políticas públicas quanto decisões privadas. Ao integrar informações estaduais, o Atlas reforça a visão de que a transição energética precisa ser conduzida de forma colaborativa e descentralizada, respeitando as particularidades de cada região.



