Certame prevê a construção de mais de 1.000 km em linhas de transmissão, criação de 13 mil empregos e reforço no fornecimento de energia em 12 estados brasileiros
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou o edital do Leilão de Transmissão nº 4/2025, que promete movimentar o setor elétrico brasileiro com R$ 5,53 bilhões em investimentos. O certame, único deste ano, será realizado em 31 de outubro, na sede da B3, em São Paulo, e contempla sete lotes distribuídos em 12 estados.
A previsão é que as obras gerem mais de 13 mil empregos diretos e indiretos, consolidando o leilão como uma das principais oportunidades para ampliação da infraestrutura energética do país.
Estrutura do Leilão e Impacto Nacional
O leilão tem como objetivo a construção e manutenção de 1.081 km de linhas de transmissão, além de 2.000 megawatts (MW) em capacidade de transformação e a instalação de sete compensações síncronas. Os empreendimentos abrangem os estados de Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo.
Os prazos para conclusão das obras variam entre 42 e 60 meses, de acordo com a complexidade dos projetos. Entre os destaques financeiros, está o Lote 4, que prevê investimento de R$ 1,25 bilhão para a construção de aproximadamente 350 km em linhas de transmissão e a nova subestação 500/230 kV Vilhena 3, localizada em Mato Grosso e Rondônia. O empreendimento é estratégico para ampliar a capacidade de transmissão do subsistema Acre-Rondônia.
Outro ponto de relevância é o Lote 3, no Rio Grande do Sul, que retorna ao edital após ter sido retirado do Leilão nº 02/2024 em razão das enchentes que afetaram a região. A localização das subestações e de outros equipamentos foi ajustada para garantir maior segurança operacional.
Processo Regulatório e Participação do Setor
A aprovação do edital pela ANEEL ocorreu após análise do Tribunal de Contas da União (TCU), etapa obrigatória para a realização do certame. Antes disso, a autarquia conduziu a Consulta Pública nº 18/2025, entre 4 de abril e 19 de maio, que recebeu 216 contribuições de 39 participantes, demonstrando o interesse do mercado. Além disso, foi realizado um workshop técnico em 9 de maio para esclarecer os principais pontos da licitação.
Em meio a este processo, alguns lotes inicialmente previstos foram retirados. Os lotes 1B, 7, 8, 9 e 10 foram transferidos para o primeiro leilão de transmissão de 2026, a pedido do Ministério de Minas e Energia (MME). A decisão está relacionada ao processo de caducidade de contratos arrematados em leilões de 2020 e 2021 pela MEZ Energia, que não cumpriu os prazos de implantação.
Distribuição dos Lotes e Prazos
Os sete lotes contemplam obras de diferentes portes e funções estratégicas:
- Lote 1 (SP): linhas subterrâneas de 345 kV para reforçar o atendimento à Região Metropolitana de São Paulo, com prazo de 60 meses.
- Lote 2 (PB/PE/MA/PI): escoamento da geração no Leste do Nordeste e atendimento a áreas do Maranhão e Piauí, com prazo de 54 meses.
- Lote 3 (PR/RS): reforço da confiabilidade no noroeste do Rio Grande do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre e noroeste do Paraná, com prazo de 48 meses.
- Lote 4 (MT/RO): ampliação da capacidade de transmissão do subsistema Acre-Rondônia, com prazo de 60 meses.
- Lote 5 (GO): atendimento às regiões de Itapaci, Firminópolis e Matrinchã, com prazo de 48 meses.
- Lote 6 (MG): instalação de compensadores síncronos para aumento da capacidade do sistema, com prazo de 42 meses.
- Lote 7 (RN): compensadores síncronos para reforço da rede no Rio Grande do Norte, com prazo de 42 meses.
Perspectivas para o Setor Elétrico
O leilão de outubro representa uma nova etapa para a expansão e modernização da malha elétrica nacional. Ao garantir investimentos bilionários e a criação de milhares de empregos, a iniciativa reforça a segurança energética do Brasil e prepara o sistema para atender ao crescimento da demanda nos próximos anos.
Além de fortalecer a infraestrutura, o certame sinaliza a atratividade do mercado de transmissão para investidores nacionais e internacionais, em um momento em que a transição energética e a busca por fontes renováveis tornam-se cada vez mais estratégicas.



