Trump e Starmer anunciam US$ 200 bilhões em investimentos em energia, tecnologia e infraestrutura

Cooperação entre Estados Unidos e Reino Unido prevê novos aportes de gigantes como Microsoft, OpenAI e Blackstone, além de expansão da energia nuclear em ambos os países

A visita de Estado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Reino Unido terminou nesta quinta-feira (18) com anúncios bilionários de investimentos e um acordo estratégico em energia nuclear. Ao lado do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, Trump celebrou compromissos empresariais avaliados em mais de US$ 200 bilhões ao longo da próxima década, envolvendo gigantes como Microsoft, OpenAI e Blackstone.

Para o governo britânico, pressionado a provar sua capacidade de estimular o crescimento econômico, os anúncios representam uma vitória política. Já para Trump, a viagem ofereceu uma pausa nas tensões domésticas e reforçou sua imagem de estadista no cenário internacional.

Pompa, política e elogios à família real

A visita começou na quarta-feira (17) com recepção de gala no Castelo de Windsor, marcada por simbolismo e pompa diplomática. Trump foi recebido com jantar de Estado, acompanhado por membros da alta cúpula dos dois governos.

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Em declarações após o evento, o republicano não poupou elogios à monarquia britânica. “Ser recebido no Reino Unido pela segunda vez em uma visita de Estado, um privilégio dado só a mim, foi a maior honra da minha vida”, afirmou Trump.

O presidente também elogiou o monarca britânico. “O Rei Charles III era um grande cavalheiro e um grande rei”, disse Trump.

As declarações reforçaram o tom amistoso da viagem, embora a imprensa britânica destaque que Starmer teria abordado, em conversas reservadas, temas delicados como comércio internacional, a guerra na Ucrânia e o conflito em Gaza.

Investimentos bilionários em tecnologia e infraestrutura

Entre os anúncios mais relevantes da visita, empresas americanas prometeram investir mais de US$ 200 bilhões no Reino Unido nos próximos dez anos. Os aportes virão de companhias como Microsoft, OpenAI e Blackstone, voltados para setores estratégicos como tecnologia, energia e infraestrutura.

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Em contrapartida, empresas britânicas, como a farmacêutica GSK, confirmaram novos investimentos em território norte-americano. Embora promessas desse tipo sejam comuns em visitas de Estado, o governo de Starmer comemora o gesto como demonstração de confiança internacional na economia britânica.

Energia nuclear como ponto de convergência

Apesar das diferenças em temas de clima e energia, Trump e Starmer encontraram terreno comum na defesa da energia nuclear. Os dois governos firmaram um acordo para acelerar a construção de novas usinas no Reino Unido e para agilizar as aprovações de reatores nos Estados Unidos.

Segundo o comunicado conjunto, o Reino Unido prometeu acelerar as revisões de novas usinas propostas, enquanto Trump emitiu ordens executivas para destravar a aprovação de projetos nucleares em território americano.

Esse alinhamento sinaliza que, mesmo diante de divergências sobre transição energética e políticas climáticas, Washington e Londres reconhecem a importância da energia nuclear para garantir segurança energética, estabilidade de preços e redução de emissões de carbono.

Protestos em Londres e polêmica com o caso Epstein

Enquanto Trump era recebido com honras em Windsor, milhares de manifestantes tomaram as ruas de Londres para protestar contra sua presença. Convocados por sindicatos e grupos ativistas, os atos reuniram uma multidão no Oxford Circus, empunhando cartazes com mensagens como “Fora Trump”, “Trump na prisão” e “Não ao racismo, Não a Trump”.

Um grupo chegou a projetar imagens de Trump ao lado do financista condenado Jeffrey Epstein no próprio Castelo de Windsor, em ação organizada pelo movimento Led By Donkeys. A polícia britânica prendeu quatro pessoas pelo protesto.

A polêmica em torno de Epstein ganhou ainda mais força após a demissão do embaixador britânico em Washington, Peter Mandelson, na semana anterior, por seus vínculos com o caso.

O que a visita representa

O encontro entre Trump e Starmer reforça uma mensagem de pragmatismo político. Mesmo com divergências em temas internacionais e ambientais, Estados Unidos e Reino Unido buscam reafirmar laços econômicos e estratégicos.

A aliança na área nuclear, somada aos compromissos de investimento privado, projeta ganhos de longo prazo para ambas as economias. No entanto, os protestos nas ruas de Londres mostram que a figura de Trump continua a polarizar a opinião pública britânica.

Ao final, o saldo diplomático da visita parece favorecer o governo de Starmer, que pode apresentar os acordos como um impulso ao crescimento econômico e à modernização da matriz energética britânica. Para Trump, a viagem serviu de vitrine internacional em meio às turbulências políticas nos EUA.

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