Autorização permitirá ampliar oferta de combustível para termelétricas, indústrias e residências, reforçando competitividade e segurança energética
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou, em 17 de setembro, duas novas companhias a importar gás natural da Argentina. A medida beneficia a International Commodities Trading (Interco Trading) e a Neg Energia do Brasil, que terão permissão válida por dois anos para trazer o insumo ao mercado brasileiro.
A decisão ocorre em um momento de maior busca por diversificação da matriz energética nacional e redução da dependência do mercado interno, ampliando o leque de fornecedores e fortalecendo a segurança de abastecimento.
Interco Trading mira usinas, indústrias e residências
A Interco Trading, startup do setor de commodities, foi autorizada a importar até 150 mil m³/dia de gás natural argentino. O combustível terá como destino usinas termelétricas, indústrias de médio porte e consumidores residenciais, reforçando a capilaridade da oferta.
O transporte será realizado por meio de dutos, com entrega prevista na cidade de Corumbá (MS), ponto estratégico de conexão entre Brasil e Bolívia.
Em nota, executivos da companhia destacaram que a entrada no mercado de gás natural reforça sua estratégia de diversificação. A importação, segundo eles, representa uma oportunidade para oferecer energia mais competitiva em um momento em que o país busca alternativas para equilibrar custo e segurança de fornecimento.
Neg Energia aposta em grandes consumidores industriais
Já a Neg Energia do Brasil, controlada pelo grupo petroquímico mexicano Alpek, recebeu autorização para importar até 31,2 milhões de m³ por ano. A companhia atuará sobretudo no fornecimento para indústrias de médio e grande porte localizadas em São Paulo e Paraná.
O foco inicial será atender segmentos de alta demanda energética, como alimentício, automotivo e cerâmico, que dependem de estabilidade no suprimento para manter competitividade.
Logística complexa para garantir o abastecimento
O gás importado pela Neg Energia percorrerá uma rota multinacional de infraestrutura de gasodutos, envolvendo diferentes operadores:
- Transportadora de Gas del Sur (TGS) – trecho em território argentino;
- Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) – transporte pela Bolívia;
- Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) – principal corredor de importação, operado pela Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG);
- Nova Transportadora do Sudeste (NTS) – responsável pela chegada ao polo industrial de São Paulo.
No Brasil, o gás será entregue em dois pontos-chave de interconexão: Paulínia (SP), que atende um dos maiores polos industriais do país, e o City Gate de Campo Largo (PR), responsável por abastecer a região sul.
O que muda para o setor energético brasileiro
As novas autorizações reforçam o papel da Argentina como fornecedora estratégica de gás natural para o Brasil, especialmente no contexto de transição energética. O movimento também demonstra o avanço da abertura do mercado de gás, com a entrada de novos agentes capazes de negociar diretamente volumes relevantes com a indústria nacional.
Especialistas avaliam que a decisão da ANP amplia a concorrência e a flexibilidade de suprimento, pontos cruciais para garantir preços mais competitivos em um ambiente ainda pressionado por volatilidade.
Segundo analistas, a diversificação do portfólio de fornecedores também é essencial para dar mais previsibilidade às termelétricas, que são acionadas em momentos de baixa nos reservatórios hidrelétricos.
Importação de gás e os desafios futuros
Embora represente uma oportunidade de ganho imediato em oferta e competitividade, a importação de gás natural enfrenta desafios relacionados à logística, regulação e custos de transporte. A dependência de múltiplas rotas internacionais exige coordenação entre países e investimentos constantes em infraestrutura.
Ainda assim, a entrada de novas empresas no mercado de importação é vista como um passo relevante para aumentar a liquidez e a atratividade do setor de gás natural brasileiro.



