Raízen realiza maior venda de usinas e levanta R$ 1,3 bilhão em movimento estratégico de desinvestimento

Transação com a Cocal reforça estratégia de otimização de ativos e simplificação de operações, enquanto companhia busca reduzir dívida de quase R$ 40 bilhões

A Raízen, maior companhia do setor sucroalcooleiro do Brasil e uma das líderes globais em energia renovável, anunciou nesta quinta-feira a venda das usinas Passa Tempo e Rio Brilhante, localizadas no Mato Grosso do Sul, para o grupo Cocal, de Presidente Prudente (SP). O negócio, avaliado em R$ 1,325 bilhão, marca a maior venda de usinas já realizada pela empresa desde o início de sua estratégia de desinvestimentos e reciclagem de capital.

Segundo comunicado ao mercado, o montante será pago integralmente em cash no fechamento da transação. O pacote negociado envolve capacidade de moagem de 6,2 milhões de toneladas, além da cessão da cana própria e dos contratos de fornecimento vinculados às duas unidades industriais.

Estratégia de redução da dívida e foco em eficiência

A operação reforça a diretriz anunciada pela Raízen de “otimização do portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências”, em um contexto em que a companhia busca reduzir sua dívida líquida, atualmente próxima de R$ 40 bilhões.

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De acordo com analistas, o valor pago — 44 dólares por tonelada de moagem — está alinhado com operações recentes do setor, sinalizando equilíbrio de preços em um momento de consolidação da indústria sucroenergética.

Essa venda faz parte de uma série de movimentações recentes. Em maio, a Raízen vendeu a usina Leme por R$ 425 milhões. Já em julho, desativou a histórica usina Santa Elisa e vendeu ativos de cana à São Martinho e outras cinco unidades por R$ 1 bilhão. No mesmo período, encerrou as atividades da usina MB, em Morro Agudo, em razão da elevada competição por matéria-prima na região.

Perfil da compradora: Cocal amplia presença no setor

O comprador, o grupo Cocal, controlado pela família Garms, é um dos principais players do setor sucroenergético no interior de São Paulo. Com mais de 40 anos de atuação, a companhia já possui duas unidades, em Paraguaçu Paulista e Narandiba, que juntas têm capacidade de moagem de 10 milhões de toneladas.

Na safra anterior, a Cocal processou 8,7 milhões de toneladas de cana, convertidas em 720 mil toneladas de açúcar e 400 milhões de litros de etanol. Com a aquisição das usinas sul-mato-grossenses, a empresa amplia significativamente sua capacidade produtiva, consolidando-se entre os maiores grupos independentes do setor.

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A transação prevê ainda a possibilidade de desembolso adicional de R$ 218 milhões referentes aos custos de entressafra, que poderão ser assumidos pela Raízen. Caso isso ocorra, o valor total do negócio pode chegar a R$ 1,543 bilhão.

Setor em transformação: consolidação e novas fronteiras

O mercado sucroalcooleiro brasileiro vem passando por um processo de consolidação e racionalização de ativos, no qual grandes grupos buscam reduzir dívidas, aumentar eficiência e adaptar-se a um cenário global de transição energética.

Nesse contexto, a Raízen, controlada pela Cosan e pela anglo-holandesa Shell, aposta na diversificação de portfólio e na ampliação de sua presença em energias renováveis, com investimentos robustos em etanol de segunda geração (E2G) e em biogás.

Especialistas do setor avaliam que a venda das usinas Passa Tempo e Rio Brilhante confirma a tendência de reciclagem de capital como ferramenta para financiar projetos mais estratégicos e rentáveis no longo prazo.

Próximos passos da Raízen

Apesar das alienações recentes, a Raízen segue sendo a maior companhia do setor sucroenergético no país, com mais de 35 usinas em operação e capacidade de moagem superior a 100 milhões de toneladas por safra.

A expectativa do mercado é que a empresa continue sua política seletiva de desinvestimentos em unidades consideradas menos competitivas, ao mesmo tempo em que reforça a aposta em projetos de alto valor agregado e em inovação tecnológica.

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