Brasil dobra média global e lidera ranking de transição climática no setor elétrico

Estudo da Oliver Wyman mostra que matriz elétrica nacional alcançou pontuação duas vezes superior à média mundial em indicadores de descarbonização e sustentabilidade

O setor elétrico brasileiro voltou a se destacar no cenário internacional ao alcançar uma performance duas vezes superior à média global em indicadores de transição climática. O dado faz parte do relatório “Climate Transition Index for Power & Utilities”, elaborado pela consultoria Oliver Wyman, que avaliou 90 empresas de 26 países para mensurar os avanços e os desafios do setor de energia em direção a um modelo de baixo carbono.

De acordo com o estudo, as companhias do setor elétrico brasileiro registraram nota 62 em uma escala de 0 a 100, enquanto a média global foi de 31 pontos. O resultado posiciona o Brasil na vanguarda da transição energética, reforçando a reputação do país como detentor de uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com predominância de fontes renováveis, sobretudo hídrica, e crescimento expressivo de solar e eólica.

Avanço sustentado por renováveis

Segundo a análise da Oliver Wyman, a liderança brasileira é resultado direto da estrutura da matriz elétrica, que conta com mais de 80% de participação de fontes renováveis. A diversificação tecnológica, combinada à redução da dependência de termelétricas fósseis, tem permitido ao Brasil alcançar ganhos expressivos na redução de emissões.

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“O Brasil parte de uma posição diferenciada em relação à maioria dos países. Enquanto grande parte do mundo ainda busca acelerar a substituição de térmicas a carvão e gás, a matriz brasileira já nasce majoritariamente limpa e com alto potencial de expansão de fontes não emissoras”, destacou o relatório.

Desafios para consolidar a liderança

Apesar da posição de destaque, o estudo aponta que o Brasil não está livre de desafios. O aumento da demanda por eletricidade, impulsionado pela digitalização, pela eletrificação da mobilidade e pela expansão industrial, exigirá investimentos robustos em geração, transmissão e armazenamento de energia. Além disso, a crescente variabilidade das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, impõe a necessidade de aprimorar sistemas de flexibilidade e mecanismos de segurança energética.

Outro ponto sensível é o avanço da regulação. Embora o país esteja na dianteira tecnológica, especialistas alertam que é preciso modernizar marcos legais e regras de mercado, de forma a garantir previsibilidade e atratividade para novos investimentos, especialmente em tecnologias de baterias, hidrogênio verde e integração ao mercado livre de energia.

Comparativo global reforça protagonismo brasileiro

Enquanto países da Europa e da Ásia ainda apresentam forte dependência de combustíveis fósseis em sua matriz, o Brasil aparece como referência em eficiência climática no setor elétrico. A pontuação obtida no relatório — o dobro da média mundial — sinaliza não apenas um reconhecimento, mas também uma oportunidade estratégica: a possibilidade de o país se consolidar como hub de investimentos em energia limpa, atraindo capital estrangeiro e posicionando-se como fornecedor global de soluções sustentáveis.

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No entanto, a consultoria alerta que esse protagonismo precisa ser sustentado por políticas de longo prazo e pelo compromisso em acelerar projetos de inovação. Sem tais medidas, o país corre o risco de perder competitividade frente a nações que estão avançando em ritmo acelerado na transição energética.

Energia limpa como vantagem competitiva

Para a Oliver Wyman, o desempenho brasileiro pode ser traduzido em um ativo estratégico para a economia nacional. Empresas globais têm buscado cada vez mais instalar suas operações em países com energia limpa, tanto por questões de custo quanto de ESG (governança ambiental, social e corporativa). Nesse contexto, a eletricidade de baixo carbono se transforma em vantagem competitiva para a atração de indústrias intensivas em energia, como a de tecnologia, alumínio, química e, mais recentemente, a de hidrogênio verde.

“O resultado mostra que o setor elétrico brasileiro tem condições de liderar não apenas a descarbonização interna, mas também de oferecer energia limpa como diferencial competitivo para o desenvolvimento industrial e tecnológico do país”, conclui o relatório.

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