FIEMG alerta para risco de atraso na transição energética com Leilão de Reserva de Capacidade

Federação critica inclusão de usinas a carvão no leilão previsto para 2026 e defende prioridade para fontes rápidas e limpas que garantam flexibilidade e segurança ao sistema elétrico brasileiro

O Ministério de Minas e Energia (MME) abriu recentemente duas consultas públicas para o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), previsto para março de 2026, mas a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alerta que a medida pode não ser suficiente para assegurar a segurança energética do país.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alerta que a medida pode não ser suficiente, já que uma delas abrange carvão mineral, uma fonte extremamente poluente, cara e tecnicamente inviável para atender rapidamente os requisitos de potência.

“Não se trata apenas de contratar potência, mas de garantir resposta rápida ao sistema elétrico brasileiro. O Brasil precisa de recursos que assegurem agilidade e segurança nos horários críticos de consumo. Apostar em fontes lentas é repetir soluções do passado e comprometer o futuro”, afirma Flávio Roscoe, presidente da FIEMG.

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Prioridade para tecnologias rápidas e limpas

A FIEMG defende que o leilão priorize tecnologias capazes de fornecer agilidade operacional, como:

  • Hidrelétricas reversíveis;
  • Sistemas de armazenamento em baterias;
  • Programas de Resposta da Demanda (RDV).

Enquanto essas soluções conseguem despachar energia em segundos, uma térmica a carvão pode levar horas ou até um dia para atingir plena operação.

“Esse não é um leilão de térmicas, é um leilão de flexibilidade. O sistema precisa de soluções renováveis e eficientes, que respondam em segundos ou minutos, e não em horas ou dias”, acrescenta Roscoe.

Estudos indicam risco de déficit de capacidade

O Plano Decenal de Energia (PDE 2034) já aponta risco de déficit de potência de 5,5 GW a partir de 2028, podendo chegar a 35 GW até 2034. A análise é reforçada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que há seis anos destacam a necessidade de contratar capacidade adicional nos horários de maior consumo.

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Para a FIEMG, a formatação do leilão será decisiva para o equilíbrio do sistema elétrico brasileiro nos próximos anos. A entidade reforça que a contratação deve estar em sintonia com os estudos técnicos oficiais e incentivar a competição entre tecnologias de resposta rápida, limpas e sustentáveis, capazes de assegurar a segurança energética do país e contribuir para a transição da matriz brasileira.

Caminho para uma matriz elétrica mais segura e sustentável

O alerta da FIEMG surge em um momento crítico para o planejamento do setor elétrico, em que o Brasil busca acelerar a transição energética e reduzir a dependência de fontes poluentes e lentas.

Para especialistas, priorizar tecnologias que garantam flexibilidade, rapidez e sustentabilidade será essencial para atender à crescente demanda e evitar riscos de apagões.

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