Acordo entre os dois países prevê cooperação em minerais críticos, energias renováveis e combustíveis de baixo carbono, com foco em inovação, desenvolvimento sustentável e inclusão social
O Brasil e o Canadá deram um passo importante rumo ao fortalecimento das relações bilaterais nos setores de energia e mineração. Nesta segunda-feira (25/8), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, recebeu em Brasília o ministro do Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, para discutir a construção de um Memorando de Entendimento (MoU) que vai balizar a cooperação entre o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Natural Resources Canada.
O documento, em fase de elaboração, estabelece um marco para projetos conjuntos em áreas estratégicas como mineração sustentável, energias renováveis, combustíveis de baixo carbono e desenvolvimento social de comunidades ligadas à exploração de recursos naturais. Embora não crie obrigações legais, o MoU será um instrumento de estímulo a iniciativas que possam acelerar a transição energética e ampliar os investimentos entre os dois países.
Transição energética como vetor de aproximação
Durante a reunião, Alexandre Silveira ressaltou que a cooperação internacional é um eixo fundamental da política energética brasileira.
“Nosso país possui ampla oferta de minerais críticos e reconhecida expertise tecnológica para sua utilização. A aproximação com parceiros estratégicos, como o Canadá, reforça nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e inclusivo, além de ampliar as oportunidades de inovação e investimentos”, afirmou o ministro.
O MoU prevê a criação de um Comitê Gestor e de Grupos de Trabalho específicos para temas como minerais críticos, energias renováveis, combustíveis de baixo carbono e participação econômica de comunidades locais e povos indígenas. A iniciativa pretende não apenas ampliar a cooperação técnica, mas também fortalecer práticas de inclusão social em áreas tradicionalmente marcadas por desigualdades.
Comércio bilateral em expansão
Os números do comércio entre Brasil e Canadá reforçam a relevância da parceria. Em 2024, o superávit foi estimado em US$ 3,5 bilhões em favor do Brasil. Ouro, alumínio e açúcar lideram as exportações brasileiras, enquanto fertilizantes e máquinas não elétricas compõem a maior parte das importações canadenses.
Para Silveira e Sidhu, a diversificação da pauta comercial passa por novas oportunidades ligadas à transição energética e ao uso sustentável dos recursos naturais. Nesse contexto, a mineração surge como elo entre diferentes frentes da cooperação, conectando segurança alimentar, produção agrícola e inovação tecnológica.
Mineração e segurança alimentar
Um dos pontos destacados na reunião foi a relevância de minerais críticos para a produção agrícola. O potássio, por exemplo, é essencial para a fabricação de fertilizantes — insumo em que o Canadá é o maior produtor mundial. O Brasil, por sua vez, é um dos líderes globais em produção agrícola e também se posiciona como referência em transição energética.
Essa complementaridade pode resultar em ganhos expressivos de competitividade, inovação e segurança alimentar, ao mesmo tempo em que promove crescimento econômico e preservação ambiental.
Diplomacia energética em expansão
O avanço nas negociações com o Canadá insere-se em uma estratégia mais ampla do governo brasileiro de estreitar laços com países-chave na transição energética global. A expectativa é de que o MoU seja formalizado em breve, abrindo caminho para parcerias em projetos-piloto, intercâmbio de tecnologias e iniciativas conjuntas voltadas à descarbonização da matriz energética.
O encontro entre Silveira e Sidhu reforça ainda a convergência de visões entre os dois países: a de que o futuro da mineração e da energia deve ser sustentável, inclusivo e capaz de integrar desenvolvimento econômico, inovação e preservação ambiental.



