Certame de setembro vai contratar soluções híbridas de energia para comunidades fora do SIN, com foco em eficiência, descarbonização e integração tecnológica
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (26/8) o edital do leilão de energia elétrica e potência destinado a consumidores residenciais e comerciais localizados em sistemas isolados do Amazonas e Pará. O certame está marcado para 26 de setembro e visa contratar soluções de suprimento para 11 localidades remotas, divididas em três lotes, com início de fornecimento previsto para dezembro de 2027.
O leilão é estratégico não apenas para a universalização do acesso à energia, mas também para a modernização tecnológica e descarbonização do atendimento elétrico em regiões isoladas, onde a dependência de termelétricas a combustíveis fósseis ainda predomina.
Estrutura do leilão e parâmetros técnicos
O certame será dividido em três lotes, cada um com características específicas de demanda e preço-teto:
- Lote 1 (Amazonas): 8,8 MW, preço-teto R$ 3.500/MWh;
- Lote 2 (Amazonas): 48,2 MW, preço-teto R$ 1.800/MWh;
- Lote 3 (Pará): 9,9 MW, preço-teto R$ 3.000/MWh.
Os contratos terão duração de 180 meses, e todos os projetos deverão iniciar o suprimento em dezembro de 2027. O edital exige que cada proposta inclua pelo menos 22% de energia renovável ou proveniente de gás natural, promovendo redução da emissão de gases de efeito estufa e menor dependência de termelétricas subsidiadas.
Projetos cadastrados e tecnologias previstas
Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), foram 241 projetos cadastrados, com capacidade total superior a 1.870 MW. Os destaques incluem centrais híbridas que combinam termelétricas convencionais para garantir um suprimento energético contínuo. Os projetos também utilizam sistemas fotovoltaicos, explorando o elevado potencial solar da Região Norte, e sistemas de armazenamento, como baterias estacionárias, essenciais para a estabilidade do fornecimento em momentos de baixa radiação solar ou picos de demanda..
A combinação dessas tecnologias permite otimização do custo médio de energia, maior confiabilidade e flexibilidade operacional, reduzindo interrupções e impactos ambientais.
Especialistas do setor destacam que o uso de armazenamento híbrido é essencial para sistemas isolados, onde a curva de carga pode variar drasticamente, e a geração precisa atender tanto residências quanto pequenos comércios, escolas e unidades de saúde.
Impactos técnicos e socioeconômicos
O leilão não apenas moderniza a infraestrutura elétrica, mas também oferece benefícios diretos à população local, como a redução do uso de combustíveis fósseis e emissão de GEE, melhoria na confiabilidade do suprimento, evitando apagões e quedas de tensão, acesso a energia para serviços críticos, como escolas, unidades de saúde e pequenas indústrias e o desenvolvimento socioeconômico, ao permitir expansão de atividades produtivas e digitais.
Segundo a Aneel, o certame é parte do esforço do setor elétrico brasileiro em universalizar o acesso à energia, integrando soluções modernas e eficientes que incentivem a transição energética e o uso de fontes renováveis.
Desafios logísticos e regulatórios
Especialistas apontam alguns desafios técnicos na implantação de soluções híbridas e armazenamento:
- Integração de múltiplas fontes: gestão de sistemas híbridos exige software de controle avançado e comunicação constante com a rede;
- Manutenção em regiões remotas: logística de substituição de componentes críticos em áreas de difícil acesso;
- Financiamento e viabilidade econômica: diferenciação de preços entre lotes e competitividade dos projetos com maior participação renovável;
- Monitoramento e conformidade regulatória: auditorias periódicas e fiscalização para garantir o cumprimento do percentual mínimo de energia limpa.
A expectativa é que a implementação dessas soluções estabeleça um modelo replicável para outros sistemas isolados no país, servindo como referência técnica e comercial para futuras expansões.



