Evento reunirá especialistas, empresários e lideranças políticas para discutir biocombustíveis, energias renováveis e os compromissos climáticos do Brasil rumo à COP30 em Belém
A transição energética brasileira ocupará posição de destaque no Fórum Nordeste 2025, que acontece em 1º de setembro, no Recife (PE). Em sua 14ª edição, o encontro promovido pelo Grupo EQM se consolida como um dos mais relevantes do país na discussão sobre energia, sustentabilidade e descarbonização da economia. O evento ocorre em um cenário global marcado por instabilidade política e econômica, no qual as disputas geopolíticas estão cada vez mais ligadas ao acesso e à transformação da matriz energética.
O fórum será realizado no Mirante do Paço, no Bairro do Recife, com transmissão ao vivo pelo canal da Folha de Pernambuco no YouTube. Ao longo do dia, serão seis painéis temáticos abordando desde o papel das energias renováveis até a regulação internacional do setor, reforçando a importância do Nordeste como protagonista da bioindústria e da agenda climática brasileira.
Abertura com foco na COP30 e impactos geopolíticos
A conferência de abertura será dedicada à COP30, que acontecerá em novembro, em Belém (PA), e é considerada um marco para o Brasil no cenário internacional. A sessão inicial vai relacionar o encontro climático global à nova política tarifária dos Estados Unidos e seus efeitos sobre a economia brasileira.
O embaixador André Aranha Corrêa do Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty e presidente da COP30, participará com uma intervenção especial em vídeo. O painel contará ainda com representantes da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e da Bioenergia Brasil, trazendo uma visão ampla sobre os compromissos assumidos pelo país e os desafios para cumpri-los.
Bioenergia e futuro dos combustíveis
Um dos painéis mais aguardados é o “Combustível do Futuro: Caminhos da Bioenergia para atender aos Compromissos Climáticos”, que terá a participação de Pietro Mendes, presidente do Conselho de Administração da Petrobras. O debate abordará as oportunidades da bioenergia brasileira no atendimento às metas de descarbonização e no fortalecimento da competitividade do país no mercado internacional de energia.
Outro destaque é a mesa “Quo Vadis: Rumos do Setor Energético do Brasil”, liderada por Plínio Nastari, presidente da Datagro. O painel reunirá representantes da indústria automotiva, da pesquisa acadêmica e da bioenergia para discutir os cenários de evolução do setor energético nacional em meio às novas demandas ambientais e regulatórias.
Nordeste em evidência: biometano, etanol de milho e novos combustíveis
A programação também contempla temas estratégicos para a região, como o papel do Banco do Nordeste no financiamento de projetos sustentáveis e a expansão de combustíveis emergentes para aviação, transporte marítimo e biometano.
Outro tópico de destaque é o crescimento do etanol de milho, que ganha cada vez mais espaço no mercado brasileiro e tem se consolidado como alternativa complementar à cana-de-açúcar. A ascensão desse setor no Nordeste mostra como a região pode se tornar referência não apenas em geração de energias renováveis, mas também em diversificação da matriz de biocombustíveis.
Plataforma de articulação estratégica
Idealizado por Eduardo Monteiro, o Fórum Nordeste nasceu com a proposta de conectar empresários, pesquisadores e formuladores de políticas públicas em torno de soluções para os grandes desafios energéticos e climáticos. Em 2025, a conferência se fortalece como plataforma de articulação estratégica, reunindo diferentes setores em busca de alternativas para acelerar a descarbonização e fortalecer a posição do Brasil como líder global em sustentabilidade.
O evento chega em um momento decisivo, quando o país precisa alinhar sua agenda interna de transição energética aos compromissos que serão apresentados em Belém, durante a COP30. O Nordeste brasileiro, já reconhecido mundialmente pelo potencial em energia solar, eólica e biocombustíveis, deve ocupar papel central nesse processo, servindo de vitrine para iniciativas que conciliam desenvolvimento econômico, inovação tecnológica e preservação ambiental.



