Boletim semanal indica revisão pontual nos índices de afluência e leve alta na estimativa de armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste, principal região de geração hidrelétrica do país
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou, nesta sexta-feira (15), uma atualização de suas projeções para as afluências — volume de água que chega aos reservatórios — nas principais bacias hidrográficas do Brasil ao longo de agosto. O documento traz pequenos ajustes em relação ao boletim anterior, refletindo variações no regime de chuvas e no comportamento dos sistemas meteorológicos que influenciam o desempenho das hidrelétricas.
Segundo o ONS, as afluências esperadas para o Sistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por cerca de 70% da capacidade de armazenamento do país, passaram de 71% para 70% da média histórica. No Sul, a estimativa subiu de 76% para 78%. No Nordeste, o índice foi mantido em 49%, e no Norte, houve aumento de 65% para 71%.
Estoque de água em reservatórios deve crescer levemente
O boletim também revisou para cima, ainda que de forma marginal, a projeção para o nível de armazenamento nos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste ao final de agosto. A nova estimativa é de 58,8% da capacidade, contra 58,7% calculados na semana passada.
Esse leve acréscimo, embora pequeno, é relevante para o equilíbrio do sistema elétrico, considerando que a região funciona como o “pulmão hídrico” do país, armazenando volumes estratégicos para atender a demanda nos períodos de seca e menor afluência.
Demanda de energia segue em retração
Em relação ao consumo, o ONS manteve a previsão de queda de 1,6% na carga de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN) em comparação com agosto de 2024. A expectativa é de uma demanda média de 76.023 megawatts médios, resultado que reflete fatores como temperaturas mais amenas em algumas regiões, desempenho moderado da atividade econômica e ganhos de eficiência no uso da energia.
O recuo no consumo reforça uma tendência observada ao longo do ano, com oscilações mensais influenciadas por condições climáticas, comportamento industrial e expansão da geração distribuída — especialmente solar fotovoltaica.
Impactos no planejamento do setor
O ajuste das projeções é parte da rotina do ONS, que semanalmente revisa seus cenários a partir de dados hidrometeorológicos atualizados e modelos de previsão. Essas informações são estratégicas para definir a programação da operação do sistema, determinar a quantidade de energia a ser gerada por diferentes fontes e preservar a segurança no fornecimento.
O desempenho hidrológico, especialmente no Sudeste/Centro-Oeste, influencia diretamente as decisões sobre o despacho de usinas termelétricas, o uso de energia de reserva e a importação ou exportação de energia entre regiões. Em anos de afluência abaixo da média, a gestão cuidadosa desses recursos é essencial para evitar riscos ao abastecimento e manter tarifas sob controle.
Perspectiva para o restante do período seco
Agosto integra o período seco no regime hidrológico brasileiro, que vai de maio a setembro na maior parte do país. Nesse intervalo, a reposição de água nos reservatórios é limitada, exigindo atenção especial ao uso dos recursos acumulados no período úmido (outubro a abril).
A evolução das chuvas nas próximas semanas será determinante para o planejamento do início da estação chuvosa. Um cenário mais favorável no final do período seco pode reduzir a pressão sobre as termelétricas e, consequentemente, sobre o custo da energia no mercado de curto prazo.



