Casa dos Ventos investe R$ 100 milhões em projeto eólico na Ibiapaba para abastecer megadata center no Ceará

Aquisição de ativo de 350 MW da Engeform, somado a projeto próprio, formará complexo de 600 MW voltado ao Data Center Pecém II, em Caucaia, alinhado à nova exigência de uso de energia renovável em ZPEs

A Casa dos Ventos, empresa da família Araripe e uma das líderes em geração de energia renovável no Brasil, deu mais um passo estratégico para fortalecer sua atuação no segmento de fornecimento energético para grandes consumidores. A companhia anunciou a compra, por R$ 100 milhões, de um projeto eólico de 350 MW pertencente à PEC Energia, controlada pela Engeform, localizado na Serra da Ibiapaba, entre Jericoacoara e Sobral (CE).

O ativo será integrado a um parque já desenvolvido pela própria Casa dos Ventos, resultando em um complexo de 600 MW de capacidade instalada. O objetivo é suprir a demanda de energia do Data Center Pecém II, que será instalado na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.

Energia renovável como requisito estratégico

A iniciativa está alinhada à Medida Provisória 1.307/25, conhecida como “MP dos data centers”, que determina que instalações localizadas em ZPEs utilizem exclusivamente energia renovável proveniente de novas usinas. Essa regra cria um cenário ideal para o projeto cearense, que nasce com certificação de origem limpa e sustentabilidade garantida.

- Advertisement -

O CEO da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, reforça a estratégia de expansão da empresa. “Nosso foco é aprovar projetos de grande escala até o fim de 2025, mirando novos mercados, sobretudo data centers.”

Detalhes da Usina Eólica

A usina tem uma capacidade de 600 MW e, encontra-se em estágio avançado, pronto para iniciar a fase de construção. Com um investimento estimado em R$ 3,5 bilhões, a iniciativa aguarda a decisão final de investimento, prevista para ocorrer até o final de 2025. A próxima etapa, crucial para a concretização do empreendimento, será a aquisição das turbinas, marcando um passo decisivo para a expansão da matriz energética renovável no estado.

Segundo a empresa, o fornecimento para o Data Center Pecém II será estruturado de forma a atender à alta demanda contínua de energia, característica da operação de grandes centros de processamento de dados.

Posicionamento do mercado

A venda do ativo pela Engeform faz parte de um movimento de realocação de recursos após a conclusão do parque eólico Serra das Vacas. Segundo Feldman, CEO da Engeform, a decisão também leva em conta a eficiência no uso da infraestrutura existente. “A combinação eólica-solar otimiza o uso da transmissão e reduz oscilações de produção ao longo do dia.”

- Advertisement -

Apesar do potencial, o modelo apresenta desafios. A Abradee alerta que a exigência de fornecimento exclusivamente renovável para data centers em ZPEs pode encarecer os custos. Isso porque fontes como eólica e solar, embora limpas, são intermitentes, demandando complementação com matrizes estáveis, como hidrelétricas ou térmicas, para garantir energia firme — o que pode elevar o preço final.

Perspectivas

Com a decisão final prevista para ocorrer até o final de 2025, o projeto na Serra da Ibiapaba consolida o Ceará como um polo estratégico para empreendimentos que aliam energia limpa e inovação tecnológica. Além do impacto na cadeia de fornecedores e no mercado de trabalho local, a parceria com a ByteDance (dona do TikTok) reforça a importância da infraestrutura energética como fator decisivo para atrair grandes investimentos digitais ao país.

Se confirmados os prazos, o Data Center Pecém II poderá operar com uma matriz 100% renovável, tornando-se referência na integração entre o setor elétrico e a economia digital.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias