Companhia avança em vendas para 2026 e 2027, com foco em análises técnicas e comercialização estratégica por região
A Eletrobras vê com otimismo o cenário de liquidez no mercado livre de energia para os próximos anos, mas mantém atenção redobrada aos riscos de descolamento entre submercados — fenômeno que afeta empresas com geração e comercialização em regiões distintas do Sistema Interligado Nacional (SIN). A avaliação foi feita nesta quinta-feira (7) por executivos da companhia durante teleconferência de apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2025.
A maior elétrica da América Latina informou que já está realizando vendas significativas de energia para os anos de 2026 e 2027, com ênfase no submercado Sudeste, mas adotando postura técnica e prudente diante dos sinais de assimetrias regionais que podem impactar os preços e a rentabilidade das operações.
“Para 2026, temos uma liquidez relevante… Especialmente no mercado Sudeste. Estamos realizando vendas para 2026, 2027, de forma relevante, mas com esse olhar, com muita análise técnica sobre riscos de descolamento (de mercado)”, afirmou Rodrigo Limp, vice-presidente de Regulação, Institucional e Mercado da Eletrobras.
Estratégia de comercialização antecipa riscos e busca ganhos com sazonalidade
A Eletrobras adotou em 2025 uma estratégia diferenciada de comercialização, ao optar por vender uma maior parcela de seu portfólio ainda no primeiro trimestre. A decisão levou em conta as expectativas de um cenário hidrológico menos favorável, com redução das chuvas durante o período úmido anterior — o que poderia sustentar preços mais atrativos ao longo do ano.
Essa abordagem foi acompanhada por uma flexibilização no perfil de contratação, permitindo que a empresa mantivesse parte de sua energia descontratada para aproveitar oportunidades de mercado em momentos de maior valorização do megawatt-hora (MWh).
O modelo aplicado também levou em consideração o risco de submercado, que se refere ao descolamento de preços entre as regiões do SIN — Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte. Empresas com atuação em múltiplos submercados podem enfrentar volatilidades específicas, já que o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) é calculado individualmente para cada um.
Foco no Norte e Nordeste visa mitigar riscos e capturar preços regionais
A Eletrobras reforçou que vem direcionando esforços para ampliar as operações de venda de energia nos submercados Norte e Nordeste, onde possui presença relevante em geração, com destaque para fontes renováveis como hidrelétricas e parques eólicos.
“Temos buscado fortalecer muito as vendas Norte-Nordeste, temos feito algumas operações no Nordeste, aí sim são vendas que contribuem de forma muito significativa para redução de risco e melhor proveito do preço da energia”, completou Rodrigo Limp.
Esse movimento busca alinhar o ponto de geração com o ponto de consumo, reduzindo o risco de exposição ao descolamento entre submercados e maximizando os ganhos com o preço local da energia. Ao mitigar desequilíbrios regionais, a companhia também reduz a necessidade de contratação de hedge financeiro ou de reposição de energia a preços mais altos.
Liquidez e precificação de longo prazo impulsionam decisões comerciais
A comercialização de energia no mercado livre para 2026 e 2027 tem sido favorecida por um ambiente de maior liquidez e previsibilidade, ainda que com desafios associados à hidrologia e à expansão das fontes renováveis intermitentes.
A Eletrobras, com portfólio diversificado e ampla base de geração, tem se posicionado de forma ativa no médio e longo prazo, antecipando contratos e ajustando suas posições conforme as expectativas macroeconômicas e setoriais.
Nos bastidores do setor elétrico, agentes vêm acompanhando a evolução da formação de preços, em especial com os novos modelos de precificação por oferta e o avanço da modernização do marco regulatório, que pode alterar a dinâmica de mercado nos próximos anos.
Contexto do risco de submercado no setor elétrico brasileiro
O risco de submercado, também conhecido como “descolamento de PLD”, tem ganhado atenção especial em função do aumento da geração renovável não despachável (eólica e solar), cuja produção está mais concentrada no Nordeste e Norte, enquanto o consumo ainda é fortemente centrado no Sudeste.
Esse desequilíbrio estrutural pode levar a situações em que o preço da energia em um submercado (como o Nordeste) esteja significativamente abaixo do preço no Sudeste, o que impacta empresas que vendem energia em um submercado diferente daquele onde produzem. O risco é de prejuízo caso a energia precise ser liquidada em um ambiente de preços mais baixos do que o contratado.
Para grandes geradoras e comercializadoras como a Eletrobras, a diversificação do portfólio regional e o monitoramento constante dos sinais de mercado são essenciais para evitar perdas e manter competitividade nas operações.



