Companhia especializada em pás eólicas registra aumento de 15,1% na receita líquida em relação ao primeiro trimestre, mas ainda enfrenta desafios de rentabilidade e encerra período com EBITDA negativo
A Aeris Energy, fabricante brasileira de pás eólicas e uma das líderes do setor de energia renovável no país, divulgou nesta quarta-feira (6) seus resultados financeiros e operacionais referentes ao segundo trimestre de 2025 (2T25). O balanço reforça a retomada gradual de receita, ao mesmo tempo em que evidencia os desafios enfrentados pela companhia para reequilibrar suas finanças e recuperar rentabilidade.
No período, a Receita Operacional Líquida (ROL) da companhia alcançou R$ 242,1 milhões, o que representa um crescimento de 15,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025 (1T25). Apesar do avanço, a Aeris ainda fechou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 174 milhões. O EBITDA — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — foi negativo em R$ 18 milhões, com margem de -7,4%, evidenciando a pressão sobre os custos e a complexidade do atual ciclo operacional.
Reperfilamento do passivo e investimentos em modernização
Em meio a um cenário desafiador para a cadeia produtiva de energia eólica no Brasil, a Aeris anunciou a conclusão do reperfilamento do passivo financeiro, o que pode sinalizar uma estratégia de maior fôlego para gestão de caixa e melhoria da estrutura de capital da companhia. Essa medida busca garantir maior sustentabilidade financeira em um ambiente de margens comprimidas e competição acirrada.
A empresa também reportou investimentos totais de R$ 6,6 milhões no 2T25, direcionados majoritariamente à modernização de processos industriais, manutenção e melhorias operacionais, alinhando-se à estratégia de longo prazo para eficiência produtiva.
Desafios operacionais e ambiente macroeconômico
O desempenho da Aeris no segundo trimestre reflete a confluência de fatores internos e externos que impactam a indústria de geração renovável. Entre os principais desafios estão a oscilação da demanda por equipamentos no mercado nacional, o cronograma de entrega de projetos de geração eólica, e a volatilidade cambial que influencia a competitividade dos insumos industriais.
Além disso, o setor enfrenta um ambiente de transição energética em que as estratégias de diversificação tecnológica e descentralização da geração impactam diretamente a cadeia produtiva de fabricantes como a Aeris. Embora a empresa seja uma referência no fornecimento de pás eólicas, a pressão por inovação, digitalização e integração com modelos mais flexíveis de produção impõe novas exigências operacionais.
Expectativas e estratégia para o segundo semestre
Apesar do prejuízo no 2T25, a companhia mantém sua atuação focada em soluções para o mercado eólico nacional e internacional. A expectativa é de que o segundo semestre traga maior previsibilidade no ritmo de entregas de projetos eólicos, tanto no ambiente regulado quanto no mercado livre, diante do avanço de novos leilões e da retomada de investimentos de grandes grupos energéticos.
A Aeris também deve continuar explorando oportunidades de exportação, fortalecendo sua atuação em países que seguem expandindo o uso de energias renováveis como parte das metas de descarbonização. A empresa já possui histórico de fornecimento para fabricantes globais, o que pode ser um diferencial competitivo em tempos de instabilidade doméstica.
O processo de reestruturação financeira, combinado com a eficiência operacional e o foco em inovação, será determinante para a trajetória da Aeris nos próximos trimestres.



