Planta-piloto no litoral do RN foi apresentada ao Conselho Regional do SENAI-RN na última sexta-feira (25), marcando início oficial da fase preparatória para o primeiro sítio de testes offshore do país
O setor elétrico brasileiro vive um momento histórico com a apresentação oficial do primeiro projeto de energia eólica offshore licenciado ambientalmente pelo Ibama. O anúncio foi feito na última sexta-feira (25), durante reunião do Conselho Regional do SENAI-RN, e consolida a largada institucional para a implementação da planta-piloto que será instalada na região de Areia Branca (RN).
Desenvolvido pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), vinculado ao SENAI-RN, o projeto funcionará como um Sítio de Testes para validação de tecnologias eólicas marítimas, constituindo um passo estratégico para a criação de um modelo nacional de referência no setor offshore. A iniciativa já havia conquistado, em 24 de junho, a Licença Prévia do Ibama — primeira do tipo no Brasil — que atesta a viabilidade ambiental da planta e abre caminho para as próximas etapas de engenharia, montagem e operação.
Projeto-piloto inaugura fase prática da energia eólica offshore no Brasil
O empreendimento será composto por dois aerogeradores de 12,25 MW cada, totalizando 24,5 MW de potência instalada. Localizado a aproximadamente 4,5 km do Porto-Ilha de Areia Branca, em uma área marítima com profundidade de 7 a 8 metros e baixo risco ambiental, o projeto tem como meta não apenas gerar energia, mas servir como um laboratório tecnológico para testar turbinas, avaliar impactos e desenvolver soluções adaptadas ao litoral brasileiro.
Durante a apresentação, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) e do Conselho Regional do SENAI-RN, Roberto Serquiz, destacou o caráter estruturante da iniciativa. “Esse projeto simboliza o ponto de partida de um novo ciclo energético no Brasil. A licença do Ibama foi um marco, e a apresentação ao Conselho sela o compromisso de toda a indústria com sua viabilização. Agora, nosso foco é garantir que nenhum fator externo atrase o cronograma”, afirmou.
Testes em ambiente real e inovação tecnológica
A fase de estudos de engenharia está prevista para durar entre 14 e 18 meses, dependendo da captação de investimentos. Em seguida, o cronograma prevê aproximadamente um ano e meio para construção, montagem e comissionamento. O projeto terá vida útil de 25 anos e será operado como um centro de testes em condições reais, permitindo o acompanhamento contínuo de desempenho técnico, impactos ambientais e integração com a cadeia logística.
“Trata-se de um ambiente real de experimentação, onde será possível validar o funcionamento dos equipamentos diante das especificidades do nosso mar, ao mesmo tempo em que monitoramos eventuais alterações na fauna e flora marinha. Vamos promover aqui um salto de conhecimento técnico”, afirmou Rodrigo Mello, diretor do SENAI-RN e do ISI-ER.
Além da função experimental, a planta-piloto terá um efeito simbólico imediato: a energia gerada será utilizada para abastecer o Porto-Ilha, que se tornará o primeiro porto do Brasil operando 100% com energia renovável.
RN lidera a transição energética e a inovação industrial
O projeto reafirma o protagonismo do Rio Grande do Norte no cenário nacional de energias renováveis. Já líder em geração eólica onshore, o estado se posiciona agora na vanguarda do desenvolvimento offshore, aliando pesquisa aplicada, inovação tecnológica e políticas industriais articuladas.
Na reunião do Conselho do SENAI-RN, também foram apresentados os resultados financeiros do primeiro semestre e destacadas ações como o I Fórum de Empregabilidade do Sistema Indústria, que reuniu cerca de mil participantes em torno de oportunidades no setor industrial. Para Serquiz, a articulação entre inovação energética e formação profissional será chave para o futuro da indústria. “O SENAI está preparado para apoiar não só a transição energética, mas a transformação completa da base industrial brasileira. Isso inclui apoiar a indústria de transformação, com soluções tecnológicas, qualificação e acesso à inovação”, disse.
Perspectivas e efeitos estruturantes
O projeto-piloto é visto como um catalisador para a cadeia produtiva da energia eólica offshore no Brasil, destravando questões regulatórias e técnicas. Com mais de 180 GW em projetos aguardando licenciamento ambiental junto ao Ibama, o país finalmente inicia a transição da teoria para a prática.
A expectativa é que, a partir dos dados gerados pela planta-piloto, o setor avance com maior segurança jurídica e técnica rumo à exploração comercial do vasto potencial offshore brasileiro. O projeto de Areia Branca deve servir de referência nacional — não apenas em engenharia, mas também em governança ambiental e articulação institucional.



