Declaração foi feita durante inauguração da UTE GNA II, no Porto do Açu (RJ); projeto reforça papel do gás natural na expansão e segurança do sistema elétrico brasileiro
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou nesta segunda-feira (28) que o governo federal lançará “nos próximos dias” a consulta pública para o leilão de capacidade previsto para 2026, voltado à contratação de reserva de potência no setor elétrico. A informação foi dada durante cerimônia de inauguração da Usina Termelétrica GNA II, no Porto do Açu (RJ), evento que também contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Com potência instalada de 1,7 gigawatt (GW), a GNA II passou a operar comercialmente em junho. O empreendimento, fruto de R$ 7 bilhões em investimentos, é movido a gás natural e integra uma joint venture composta pela BP, Siemens Energy e SPIC Brasil.
Térmicas e segurança energética
Durante o evento, Silveira reforçou o papel estratégico do gás natural para o equilíbrio e a confiabilidade do sistema elétrico nacional. O combustível será peça-chave na composição dos produtos ofertados no próximo leilão de capacidade, que deverá contratar potência firme para garantir a segurança do atendimento à carga.
“Vamos abrir, nos próximos dias, a consulta pública do leilão de capacidade, que será realizado em 2026. É uma medida fundamental para garantir segurança energética e previsibilidade ao nosso sistema”, declarou o ministro.
Segundo ele, a contratação de potência despachável é essencial para sustentar o crescimento da demanda e a crescente participação de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, na matriz elétrica brasileira.
“É evidente que o gás natural terá papel central nesse processo. Trata-se de um combustível imprescindível para tornar nosso sistema mais robusto, garantindo estabilidade quando as fontes variáveis não estão disponíveis”, afirmou Silveira.
GNA II e a transição energética
A entrada em operação da GNA II marca mais um passo relevante na ampliação da infraestrutura de geração térmica a gás natural no Brasil. A usina é a segunda unidade de um complexo que pode atingir até 3 GW de potência instalada, com acesso estratégico ao terminal de GNL do Porto do Açu, o que permite flexibilidade no suprimento de combustível.
O empreendimento é considerado um pilar da chamada “transição energética responsável”, conceito defendido pelo governo federal para equilibrar os objetivos de descarbonização com a garantia de segurança energética e modicidade tarifária.
“A GNA II é um símbolo do Brasil que está se preparando para o futuro, com uma matriz diversificada e resiliente. Não se trata de escolher entre energia limpa ou segura. Precisamos das duas, e o gás natural é a ponte para essa transição”, disse o ministro.
Próximos passos e expectativa do setor
O anúncio da iminente consulta pública para o leilão de capacidade era aguardado por agentes do setor, que pressionam por previsibilidade regulatória e sinalização clara de investimentos em geração firme. A medida está prevista no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2033), elaborado pela EPE, e visa mitigar riscos associados à intermitência das renováveis.
Além disso, o novo leilão deverá seguir as diretrizes do modelo de separação entre lastro e energia, em discussão pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Ministério de Minas e Energia (MME).



