IPCA-15 mostra aumento expressivo nos preços da energia elétrica residencial, com impacto decisivo no grupo Habitação; inflação em 12 meses ultrapassa teto da meta do Banco Central
A inflação medida pela prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) voltou a acelerar em julho, com variação de 0,33%, conforme divulgado nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim como em junho, o maior impacto veio da energia elétrica residencial, que registrou alta de 3,01% no mês e impulsionou o grupo Habitação.
No acumulado de 2024, o IPCA-15 já soma alta de 3,40%. Em 12 meses, a variação é de 5,30%, acima dos 5,27% registrados no período imediatamente anterior e superando o teto da meta de inflação definida pelo Banco Central, que é de 4,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Habitação lidera variação, mas desacelera em relação a junho
Apesar de ter apresentado a maior alta entre os grupos pesquisados — uma variação de 0,98% — o segmento de Habitação mostrou desaceleração frente ao mês anterior, quando avançara 1,08%. Ou seja, os preços continuaram subindo, mas em um ritmo menos intenso do que o observado em junho.
A principal pressão continua sendo exercida pela energia elétrica, afetada pela manutenção da bandeira tarifária vermelha patamar 1, que encarece a conta de luz. Além disso, reajustes tarifários aplicados em algumas regiões do país também contribuíram para elevar os custos no setor.
Segundo o IBGE, o comportamento da energia elétrica tem sido determinante para os resultados do grupo Habitação.
“A energia elétrica tem se mantido como o principal fator de pressão inflacionária nos últimos meses. A combinação de bandeiras tarifárias mais onerosas e reajustes regionais acaba impactando diretamente o orçamento das famílias”, afirmou o Instituto, ao destacar que os efeitos dessa alta se refletem não apenas na conta de luz, mas em toda a cadeia de consumo.
Belo Horizonte lidera alta regional com impacto da energia
Entre as regiões pesquisadas, Belo Horizonte registrou a maior variação no IPCA-15 de julho, com alta de 0,61%. O principal responsável também foi o avanço da energia elétrica residencial na capital mineira, que subiu expressivos 3,89%.
“O reajuste tarifário aplicado recentemente em Minas Gerais contribuiu para que Belo Horizonte liderasse o índice regional. Esse efeito local mostra como decisões regulatórias podem provocar impactos inflacionários significativos em determinadas áreas”, avaliou o IBGE.
Inflação se mantém acima da meta e acende alerta
Com o IPCA-15 acumulando 5,30% em 12 meses, a inflação segue acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o ano, de 4,5%. Isso deve acender o sinal de alerta para a política monetária do Banco Central, que já vinha indicando cautela diante da persistência de pressões inflacionárias sobre os preços administrados.
Além da energia elétrica, outros componentes monitorados — como combustíveis e serviços essenciais — continuarão sendo observados de perto nos próximos meses, especialmente diante de um cenário de custos elevados na cadeia de energia e das incertezas climáticas que ainda podem afetar a matriz elétrica nacional.



