Associação alerta para risco de retração nas vendas externas do setor eletroeletrônico, com destaque para perdas nas áreas de infraestrutura energética e equipamentos industriais
Com a iminente entrada em vigor das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre exportações industriais brasileiras, previstas para 1º de agosto, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) encaminhou propostas ao governo federal e ao Estado de São Paulo com medidas para mitigar os efeitos da medida protecionista. A iniciativa visa preservar a competitividade das empresas nacionais e evitar a retração das exportações, especialmente de produtos ligados à infraestrutura energética e equipamentos industriais.
Em ofícios endereçados ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a Abinee detalhou um pacote de ações emergenciais, de caráter temporário, que incluem incentivos fiscais, linhas de financiamento e ajustes regulatórios.
“As medidas representam instrumentos concretos de reação estratégica para que o Brasil mantenha sua capacidade de competir em escala global e não perca participação em cadeias globais de valor, especialmente na área de infraestrutura energética e industrial”, afirma o presidente executivo da Abinee, Humberto Barbato.
Exportações ameaçadas: EUA concentram quase um terço das vendas do setor
De acordo com a entidade, os Estados Unidos responderam por 29% das exportações do setor eletroeletrônico brasileiro no primeiro semestre de 2025, o equivalente a US$ 1,1 bilhão. Esse valor representa um crescimento de 23% em relação ao mesmo período de 2024, dentro de um total exportado de US$ 3,8 bilhões – um aumento de 12% na comparação anual.
Os principais produtos vendidos ao mercado norte-americano foram transformadores, que somaram US$ 346 milhões (82% das exportações totais da categoria), e motores e geradores, com US$ 108 milhões (33%). Segundo a Abinee, os setores mais afetados pelas tarifas serão os de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica (GTD) e Equipamentos Industriais, cujas exportações representam, respectivamente, 24% e 21% do faturamento.
Com esse peso nas receitas, a imposição das tarifas tende a gerar uma desaceleração significativa nos embarques internacionais, podendo resultar em queda de encomendas e até paralisações em algumas linhas de produção.
Propostas ao MDIC incluem estímulos fiscais e crédito emergencial
Entre as propostas encaminhadas ao governo federal, a Abinee defende:
- Aumento temporário da alíquota do Reintegra, programa que devolve ao exportador parte dos tributos incidentes na cadeia produtiva;
- Suspensão da tributação sobre insumos usados na produção de bens exportados;
- Crédito presumido de IPI ou PIS/Cofins sobre exportações destinadas aos EUA;
- Linhas de financiamento emergencial via BNDES ou Finep;
- Desoneração temporária da folha de pagamento;
- Ajustes no regime de preço de transferência (transfer pricing);
- Utilização de recursos de Fundos Públicos Setoriais para apoio às empresas.
A entidade frisa que essas medidas seriam válidas apenas enquanto durar o impacto do tarifaço sobre a competitividade brasileira.
Medidas estaduais miram o ICMS e regimes especiais de tributação
- No âmbito estadual, a Abinee solicitou ao governo paulista:
- Aceleração dos processos de devolução de saldos credores acumulados de ICMS às empresas exportadoras;
- Ampliação e flexibilização dos regimes especiais de ICMS;
- Criação de um regime especial simplificado de suspensão de ICMS sobre exportações ao mercado norte-americano.
São Paulo concentra boa parte da produção eletroeletrônica exportadora do país e é o principal estado impactado pela medida americana. Para a entidade, o apoio estadual é estratégico para manter empregos e garantir a sustentabilidade de cadeias produtivas exportadoras.
Setor busca reação rápida para não perder espaço global
A Abinee alerta que o impacto das tarifas poderá repercutir negativamente em toda a indústria eletroeletrônica, em especial nos segmentos de maior valor agregado e relevância internacional. As exportações representam, em média, 17% do faturamento do setor, e as sanções norte-americanas colocam em risco não apenas os volumes de vendas, mas também a reputação e os contratos de longo prazo com parceiros dos EUA.
A atuação coordenada entre governo federal, governos estaduais e setor produtivo é considerada essencial para preservar a competitividade industrial brasileira em um momento de crescente protecionismo global.



