Empresa francesa registra crescimento de 13% na produção mundial e expansão expressiva em serviços, mas vê impacto negativo do real forte e curtailment sobre receitas de energia no Brasil
A Voltalia, multinacional francesa especializada em energias renováveis, divulgou nesta quarta-feira (24) seus resultados financeiros e operacionais referentes ao segundo trimestre de 2025. O período foi marcado por uma expansão consistente da geração global de energia e crescimento acelerado da área de serviços, com destaque para projetos na Europa. No entanto, a companhia também enfrentou desafios relevantes: a valorização do real frente ao euro e os persistentes cortes de geração no Brasil (curtailment) impactaram diretamente o desempenho financeiro da unidade de Vendas de Energia.
A produção total da Voltalia atingiu 1,3 TWh no segundo trimestre, alta de 13% em relação ao mesmo período de 2024. No acumulado do semestre, a geração somou 2,4 TWh, avanço de 14%. No Brasil, maior mercado da empresa, a geração cresceu 17% entre abril e junho, puxada por melhores ventos e pela ampliação da capacidade instalada, que alcançou 1.535 MW — equivalente a 61% da capacidade operacional global da companhia.
Apesar disso, a receita com a venda de energia caiu 13% no trimestre, totalizando €81,7 milhões. A queda reflete tanto o encerramento de contratos de curto prazo com preços elevados quanto a valorização do real, que reduziu a conversão cambial para o euro. Adicionalmente, o curtailment reduziu significativamente a energia efetivamente comercializada no Brasil.
“A Voltalia continua a crescer no primeiro semestre do ano com um aumento no faturamento, impulsionado por nossas atividades de Serviços, que mitigaram a queda temporária nas Vendas de Energia. Esse impulso, combinado com um aumento de 14% na produção e um portfólio de usinas operacionais totalizando 3,3 gigawatts, reflete nossos sólidos indicadores operacionais subjacentes”, afirmou Robert Klein, CEO da Voltalia.
Curtailment supera expectativa e reduz energia escoada no Brasil
Entre abril e junho, o volume de energia impactado por curtailment no Brasil chegou a 181 GWh, elevando o total do primeiro semestre para 268 GWh — aproximadamente 14% da geração nacional da empresa no período. Esse índice ficou acima do previsto, já que a Voltalia estimava um corte de 10% da geração renovável no país em 2025, frente aos 21% registrados em 2024.
A empresa informou que mantém medidas legais para buscar compensações, mas nenhuma indenização foi incluída nos resultados até o momento. A atuação do Grupo de Trabalho do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já permitiu avanços, segundo a companhia, como o aumento do escoamento da energia renovável no Sistema Interligado Nacional (SIN).
Serviços crescem 69% e sustentam o resultado trimestral
Em contrapartida à queda nas receitas de energia, a divisão de serviços da Voltalia apresentou crescimento expressivo. A receita com desenvolvimento, construção e operação de ativos somou €65,9 milhões no segundo trimestre, avanço de 69% na comparação anual. A área respondeu por 45% da receita total da empresa no trimestre e alcançou €104,8 milhões no semestre, crescimento de 50%.
Entre os principais projetos em desenvolvimento e construção estão empreendimentos na Irlanda, Espanha e Reino Unido, com mais de 800 MW em obras. Já a área de operação e manutenção (O&M) aumentou em 23% seu faturamento trimestral, com destaque para os contratos de gestão de 7,7 GW de capacidade de terceiros, um crescimento de 20% na comparação anual.
Portfólio avança e Voltalia prepara plano estratégico
Ao fim de junho, a Voltalia contabilizava 3,3 GW de capacidade instalada em operação globalmente. A meta é atingir 3,6 GW em operação e construção até o fim de 2025, com projeção de produção anual de 5,2 TWh — alta de 10% frente a 2024.
A empresa também anunciou que finalizou, em junho, a etapa de diagnóstico do plano estratégico “SPRING”, voltado à transformação operacional da companhia. A nova fase do programa será divulgada em setembro, com foco em eficiência, competitividade e adaptação às mudanças do setor elétrico global.
“Em linha com as nossas atividades comerciais, estamos finalizando nosso plano estratégico SPRING, cujas ações serão apresentadas em setembro para implementação imediata, com o objetivo de fortalecer nossa competitividade e agilidade diante da rápida evolução do setor. Neste mercado de energias renováveis em rápida mudança, a Voltalia está totalmente mobilizada para transformar esses desafios em alavancas para um crescimento sustentável e lucrativo”, concluiu Robert Klein.



