Energia solar na Europa desacelera após década de crescimento

Após anos de expansão acelerada, instalação de nova capacidade fotovoltaica em 2025 pode sofrer retração de 1,4%, impactando metas da transição energética europeia

A União Europeia está prestes a enfrentar o primeiro declínio anual na expansão de sua capacidade instalada de energia solar em mais de dez anos. De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (24) pela SolarPower Europe, principal associação do setor fotovoltaico no continente, a expectativa é de que os países-membros adicionem 64,2 gigawatts (GW) de nova capacidade solar em 2025 — uma queda de 1,4% em relação aos 65,1 GW adicionados em 2024.

O recuo esperado marca a primeira retração desde 2015 no ritmo de crescimento da energia solar na região, configurando um ponto de inflexão no processo de transição energética liderado pela UE. “Pela primeira vez em uma década, estamos projetando uma redução na taxa anual de expansão da energia solar na Europa, o que exige atenção imediata de governos e formuladores de políticas”, alertou a associação.

Após anos de crescimento acelerado, sinal de alerta para o setor

O cenário representa uma mudança significativa no desempenho do setor solar europeu, que vinha registrando resultados robustos ano após ano. Em 2023, por exemplo, o acréscimo de capacidade solar foi de 51% em relação a 2022, impulsionado por políticas de incentivo, queda nos custos da tecnologia e maior adesão de consumidores residenciais e comerciais. No entanto, esse crescimento desacelerou bruscamente para apenas 3% em 2024, tendência que se aprofunda em 2025.

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Especialistas apontam que a desaceleração pode comprometer os objetivos climáticos estabelecidos pela União Europeia, que dependem fortemente do avanço das fontes renováveis para reduzir emissões de gases de efeito estufa e aumentar a segurança energética no bloco.

Redução de incentivos impacta mercado residencial

Um dos principais fatores apontados para o desaquecimento do mercado solar é a redução de subsídios à geração distribuída — especialmente a instalação de painéis solares residenciais — adotada por diversos países do bloco. Essas mudanças regulatórias e cortes orçamentários reduziram a atratividade econômica de novos projetos, afastando consumidores e investidores.

“A retração que estamos prevendo reflete não apenas uma desaceleração natural após anos de crescimento elevado, mas também o impacto direto da retirada de políticas de apoio em mercados-chave”, afirmou a SolarPower Europe. “Governos precisam agir com rapidez e assertividade para garantir que o progresso alcançado nos últimos anos não seja perdido.”

A entidade também ressaltou que o aumento da burocracia, o atraso em conexões com a rede elétrica e gargalos logísticos no fornecimento de equipamentos têm contribuído para dificultar a expansão, sobretudo em países com demanda reprimida.

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Riscos para as metas de descarbonização

A retração na capacidade instalada solar pode representar um entrave relevante para as metas de longo prazo estabelecidas pela UE no âmbito do Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal). A meta de atingir 600 GW de energia solar até 2030 poderá se tornar mais difícil de alcançar, a menos que o crescimento volte a se acelerar já a partir de 2026.

A SolarPower Europe destaca que, apesar da queda prevista para 2025, o setor continua promissor em médio e longo prazo, desde que haja um redesenho dos mecanismos de apoio público e maior previsibilidade regulatória. “O mercado solar europeu tem enorme potencial, mas precisa de um ambiente mais estável e favorável ao investimento”, reforçou a entidade.

Sinais positivos permanecem em alguns mercados

Apesar do recuo agregado, alguns países da UE continuam apresentando desempenho positivo, com destaque para Alemanha, Espanha e Itália, que mantêm programas robustos de incentivo à energia renovável e metas ambiciosas de expansão solar.

A associação também aposta na ampliação de novas aplicações, como sistemas de armazenamento acoplados à geração solar e iniciativas de energia comunitária, como formas de revitalizar o setor. Outro fator de estímulo pode vir da indústria europeia de equipamentos fotovoltaicos, que busca reduzir a dependência de fornecedores asiáticos e fomentar uma cadeia de valor mais local e sustentável.

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