Clima ameno impacta negativamente segmentos residencial e comercial, mas indústria ajuda a conter retração; no acumulado do ano, fornecimento total ainda registra crescimento de 1,3%
O consumo de energia elétrica no mercado fio da Copel Distribuição registrou retração de 0,7% no segundo trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior. A redução foi influenciada principalmente por condições climáticas mais amenas no Paraná, que impactaram a demanda nos segmentos residencial e comercial. Ainda assim, a performance positiva da indústria ajudou a suavizar a queda, segundo comunicado da companhia nesta segunda-feira (21/07).
O chamado “mercado fio” considera a energia que passa pela rede da distribuidora, independentemente do ambiente de contratação – seja regulado ou livre – e é um dos principais indicadores da atividade econômica nas regiões atendidas pela concessionária. No acumulado do primeiro semestre, o mercado fio da Copel apresenta crescimento de 1,3%, refletindo o dinamismo industrial e a expansão de cargas específicas.
Segmentos apresentam comportamentos distintos no trimestre
De acordo com o informe, a queda do consumo residencial e comercial no segundo trimestre está diretamente relacionada ao clima menos rigoroso. O outono de 2025 apresentou temperaturas médias superiores às registradas em 2024, reduzindo o uso de equipamentos de aquecimento e impactando a demanda de energia em residências e estabelecimentos comerciais.
Por outro lado, o setor industrial demonstrou recuperação, favorecido por condições macroeconômicas mais estáveis, além de um ciclo de investimentos e retomada de operações em segmentos como alimentos e metalurgia. A Copel destacou que esse desempenho positivo da indústria “mostra a força e resiliência da economia na área atendida pela Copel”.
O resultado reforça o papel da atividade industrial como amortecedor em momentos de retração do consumo nos demais segmentos, evidenciando a importância de políticas industriais e infraestrutura energética adequadas para manter a estabilidade da carga.
Energia faturada e impacto da geração distribuída
O relatório também aponta uma queda de 2,6% no chamado “mercado fio faturado”, indicador que considera a energia efetivamente medida para cobrança, já descontada da energia compensada pelas unidades com Mini e Microgeração Distribuída (MMGD). Este movimento está alinhado com a crescente adoção de sistemas solares fotovoltaicos na área de concessão, especialmente entre consumidores residenciais e pequenos comércios.
A maior presença da geração distribuída tem contribuído para reduzir o volume de energia adquirida diretamente da rede da distribuidora, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de repensar o modelo tarifário e regulatório, dado o impacto sobre a sustentabilidade econômico-financeira das empresas do setor.
Panorama anual ainda é de crescimento
Apesar da retração trimestral, a Copel Distribuição acumulou alta de 1,3% no fornecimento de energia no primeiro semestre de 2025, comparado ao mesmo período de 2024. O crescimento anual reflete uma recuperação mais consistente da atividade econômica e um aumento da base de consumidores em diversos segmentos, incluindo expansão de infraestrutura e conectividade em áreas urbanas e rurais.
A companhia também destacou que continua investindo em digitalização, modernização da rede e projetos de eficiência energética, elementos essenciais para lidar com os desafios da transição energética e da maior complexidade do sistema elétrico.
Geração distribuída e redes inteligentes como tendência
A queda no mercado fio faturado indica um caminho sem volta para a descentralização da geração elétrica. Com a aprovação da Lei 14.300/2022 e o avanço dos prazos de transição de compensação dos encargos, a expectativa é de que a Geração Distribuída continue expandindo de forma acelerada, exigindo novas abordagens para tarifação, operação do sistema e planejamento energético.
Nesse cenário, distribuidoras como a Copel precisam continuar a modernização de suas redes com foco em inteligência e resiliência, além de promover maior integração entre recursos energéticos distribuídos, digitalização e gestão ativa da demanda.



