América Latina atinge recorde de geração de eletricidade e energia solar dispara 53% em março

Região produziu 165 TWh em março de 2025, com hidrelétricas e gás natural na liderança; destaque para o salto de 53% da energia solar no mês

A geração de eletricidade na América Latina e no Caribe alcançou 165 terawatts-hora (TWh) em março de 2025, marcando o maior volume mensal registrado nos últimos 12 meses. O dado consta no mais recente Relatório de Geração de Eletricidade publicado pela Organização Latino-Americana de Energia (OLADE) e sinaliza um avanço importante no contexto da segurança energética e da transição para fontes mais limpas na região.

O crescimento representa uma alta de 5% em relação ao mesmo mês de 2024 e um aumento de 8% frente a fevereiro deste ano. A tendência positiva reflete o desempenho das principais fontes energéticas da região, com destaque para a recuperação dos reservatórios hidrelétricos e o avanço significativo da energia solar, que teve uma expansão de 53% em relação ao mês anterior.

Matriz energética ainda dominada por fontes hidrelétricas e fósseis

De acordo com o relatório da OLADE, a geração de eletricidade em março foi liderada pelas usinas hidrelétricas, que responderam por 47,1% do total. Em seguida, o gás natural representou 27,4%, consolidando-se como a principal fonte térmica da matriz regional. Juntas, essas duas fontes representam quase três quartos de toda a eletricidade gerada na América Latina e no Caribe.

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A energia eólica e solar, por sua vez, seguem ampliando sua participação: somadas, representaram 12,7% da geração elétrica no mês, com 6,4% provenientes do vento e 6,3% da radiação solar. Essa última apresentou um desempenho notável, com crescimento mensal de mais de 50%, impulsionado pela expansão de projetos fotovoltaicos em países como Brasil, México e Chile.

Outras fontes incluíram petróleo e derivados (5,2%), carvão mineral (2,7%), energia nuclear (2,4%), bioenergia (2,0%) e energia geotérmica (0,5%).

Sete países já ultrapassam 75% de participação renovável

O relatório também traz um recorte por país, revelando o avanço da energia renovável em diversas economias latino-americanas. Segundo a OLADE, sete países membros já superaram a marca de 75% de energia renovável na matriz elétrica. O destaque fica com o Paraguai, que opera praticamente com 100% de eletricidade limpa, seguido por Costa Rica, Brasil, Uruguai, Venezuela, Colômbia e Belize.

Esse resultado é fruto de políticas energéticas de longo prazo, investimentos em infraestrutura renovável e da valorização de recursos naturais abundantes, como rios caudalosos e zonas com alta irradiação solar. No caso brasileiro, por exemplo, o país já conta com mais de 93% da geração proveniente de fontes renováveis, de acordo com dados da Aneel, com papel relevante da energia eólica e solar nos últimos cinco anos.

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Tendência de crescimento renovável se mantém

Apesar da persistência de fontes fósseis como o gás natural e o petróleo na matriz, a América Latina continua avançando em sua transição energética. A diversificação das fontes, o incremento da geração descentralizada e a digitalização das redes elétricas estão entre os fatores que têm impulsionado esse processo.

A energia solar fotovoltaica, em especial, tem se beneficiado da redução de custos tecnológicos e do aumento de competitividade nos leilões públicos e no mercado livre de energia. O salto de 53% registrado em março é um indicativo da maturidade crescente desse segmento.

Ao mesmo tempo, os desafios permanecem: aumentar a resiliência das redes de transmissão, acelerar a eletrificação de setores como transporte e indústria, e garantir mecanismos de financiamento para projetos renováveis em países com menor atratividade para investidores internacionais.

Transparência e regionalização dos dados energéticos

Os dados que embasaram o relatório foram extraídos do sieLAC, o Sistema Regional de Informação Energética desenvolvido pela própria OLADE. A plataforma consolida estatísticas e indicadores energéticos dos países membros, permitindo o acompanhamento em tempo real da evolução da matriz elétrica latino-americana.

Essa transparência é fundamental para orientar decisões estratégicas em nível regional, além de fomentar a cooperação entre governos, empresas e instituições multilaterais. A OLADE tem se consolidado como uma referência na produção e análise de dados energéticos na região.

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