Neoenergia fecha acordo com Nexus Manganês para autoprodução de energia eólica a partir de 2026

Operação envolve cessão de participação em parque do Complexo Chafariz e contratos de compra e venda de energia; projeto reforça tendência de autoprodução no setor industrial e avança na descarbonização da cadeia de mineração

A Neoenergia anunciou nesta quarta-feira (17) a celebração de um novo acordo estratégico com a Nexus Manganês, voltado à autoprodução de energia eólica no Brasil. A operação inclui a aquisição, pela Nexus, de uma participação societária de 6,9% no parque eólico Canoas 3, localizado no Complexo Eólico Chafariz (PB), operado pela subsidiária Neoenergia Renováveis. A iniciativa visa assegurar fornecimento de energia limpa à empresa de mineração por meio de um modelo de autoprodução com contratos de longo prazo.

Com início previsto para janeiro de 2026, a parceria garante à Nexus o fornecimento de 15 megawatts (MW) médios de energia eólica por um período de 10 anos. O volume representa parte da capacidade total do Complexo Chafariz, que soma 471 MW distribuídos entre 15 parques eólicos em operação na Paraíba.

Além da cessão de participação societária, as empresas celebraram contratos de compra e venda de energia (Power Purchase Agreements – PPAs), consolidando um modelo de negócio que vem se fortalecendo no mercado livre brasileiro: o da autoprodução por equiparação societária.

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Descarbonização com competitividade

A Nexus Manganês, atuante na cadeia da mineração, é mais uma das empresas industriais que aderem ao modelo de autoprodução como estratégia para garantir previsibilidade de custos, segurança energética e redução de emissões. Ao associar-se ao empreendimento renovável, a empresa assegura não apenas o fornecimento de energia a preços mais competitivos que os do mercado cativo, como também melhora seu posicionamento frente a critérios ESG (ambientais, sociais e de governança).

Para a Neoenergia, o acordo fortalece sua posição como provedora de soluções estruturadas de energia renovável para consumidores intensivos. “Essa operação reafirma nosso compromisso com a transição energética e com o atendimento customizado às necessidades do mercado livre”, destacou a companhia em nota. A aprovação do negócio pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também foi comunicada, reforçando a legalidade e segurança jurídica da operação.

Modelo de autoprodução ganha força no mercado livre

O avanço do mercado livre de energia no Brasil, especialmente após a ampliação do acesso ao Ambiente de Contratação Livre (ACL) para consumidores do Grupo A em 2024, tem impulsionado modelos como o de autoprodução via participação societária. Nesse formato, o consumidor adquire participação em uma usina ou parque gerador, equiparando-se legalmente a um autoprodutor de energia e, com isso, acessa benefícios regulatórios, como isenção parcial de encargos setoriais.

A estrutura também permite o fechamento de contratos bilaterais (PPAs) de longo prazo, com condições customizadas e maior controle sobre a origem da energia consumida. Para empresas que operam em setores intensivos em energia, como mineração, siderurgia e papel e celulose, o modelo representa uma ferramenta de gestão estratégica — tanto para mitigar riscos financeiros quanto para avançar em metas de sustentabilidade e certificações ambientais.

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Complexo Chafariz é ativo estratégico da Neoenergia

O Complexo Eólico Chafariz, situado no sertão da Paraíba, é um dos maiores empreendimentos eólicos em operação da Neoenergia. Com 136 aerogeradores distribuídos por 15 parques, o ativo entrou em operação comercial em 2022 e possui conexão à rede por meio da Subestação Santa Luzia II, integrando-se ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

A entrada de novos sócios em partes do complexo representa uma estratégia da empresa para monetizar ativos, diversificar receitas e atender à demanda crescente de clientes corporativos por energia renovável de origem rastreável.

O contrato com a Nexus Manganês ilustra como a Neoenergia tem ampliado sua atuação no segmento de geração distribuída e mercado livre, com soluções que combinam geração, comercialização e serviços de valor agregado. A tendência acompanha o movimento de grandes consumidores rumo à autonomia energética, em um ambiente regulatório mais aberto e competitivo.

Energia eólica: pilar da expansão renovável

A energia eólica segue como um dos pilares da expansão da matriz elétrica brasileira, representando cerca de 12% da capacidade instalada nacional.

A região Nordeste, em especial, concentra grande parte desse potencial, com fatores de capacidade elevados e infraestrutura em expansão para escoamento da geração.

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