Iniciativa da Fazenda Humaitá evita risco de desligamentos, protege a rede elétrica e ainda gera renda com cultura de pequeno porte cultivada na faixa de servidão
A convivência entre produção agrícola e segurança elétrica tem se mostrado possível e rentável no Paraná, graças ao cumprimento inteligente da Lei Estadual 20.081/2019, conhecida como Lei da Faixa Limpa. A legislação estabelece diretrizes claras para a manutenção de áreas próximas a linhas de transmissão e distribuição de energia, e vem sendo seguida com soluções inovadoras por produtores rurais.
Um exemplo de sucesso foi apresentado no último 2º Fórum de Energia de 2025, promovido pela Ocepar com a participação da Copel, realizado na Cooperativa Agrária, no distrito de Entre Rios, em Guarapuava. A Fazenda Humaitá, localizada na região, resolveu um problema de vegetação na faixa de servidão da rede elétrica ao plantar erva-mate em vez de apenas fazer a roçada. O resultado: segurança, conformidade legal e retorno financeiro.
Vegetação: um risco invisível à rede elétrica
O contato de árvores ou galhos com cabos elétricos está entre as principais causas de interrupções no fornecimento de energia, tanto em áreas urbanas quanto rurais.
Em regiões com reflorestamentos, como o interior do Paraná, o risco é ainda maior. “A rede elétrica é exposta, e o contato com vegetação é uma das maiores causas de desligamentos”, afirma Julio Omori, diretor Comercial da Copel.
Iniciativa de Guarapuava vira modelo
Com 1.600 hectares de extensão, sendo 400 hectares de reflorestamento com eucalipto, a Fazenda Humaitá possui uma linha de transmissão de 138 mil volts cruzando a propriedade por cerca de 4 km. Em 2023, ao notar o avanço da vegetação, os responsáveis decidiram agir preventivamente, dentro dos limites da Lei da Faixa Limpa, e ainda criar uma fonte de renda.
“Nos inspiramos na ideia de outro produtor e plantamos erva-mate na faixa de servidão, em 5 hectares. É uma cultura de porte baixo, que não oferece riscos à rede e se adapta bem ao clima e solo da região”, explica Márcio Taschelmayer, coordenador de Energia e Florestal da Cooperativa Agrária.
A erva-mate é típica do bioma Mata de Araucária, cresce sob sombra, é mantida com menos de 3 metros de altura e oferece boa produtividade. “A colheita começa após o quarto ano e pode render de 400 a 600 arrobas por hectare. Considerando o valor de mercado atual, essa área deve gerar entre R$ 25 mil e R$ 50 mil”, estima Taschelmayer.
Além do retorno financeiro, a estratégia ainda reduz o risco de incêndios, comuns quando há acúmulo de vegetação alta entre plantações como o eucalipto.
O que diz a Lei da Faixa Limpa?
A Lei 20.081/2019 determina a manutenção de uma faixa de segurança de 30 metros de largura (15 metros de cada lado do eixo da linha elétrica), onde é proibido o plantio de árvores de grande porte, nativas ou exóticas. No entanto, é permitido o plantio de culturas com até 3 metros de altura, como a erva-mate, vegetação rasteira e pastagem.
A responsabilidade pela manutenção da faixa é do proprietário da terra. Quando houver risco à segurança, a concessionária deve ser acionada para realizar a poda ou supressão de vegetação. Caso o proprietário não cumpra sua parte, a concessionária pode intervir para proteger a rede.
Nos casos de supressão de espécies nativas, é exigida autorização do órgão ambiental, salvo quando a concessão da linha elétrica já prevê essa autorização em sua licença de operação.
Sustentabilidade com inteligência
“Transformamos um problema em solução”, resume Taschelmayer. “Entre gastar com roçada e deixar a área improdutiva, optamos por uma alternativa que traz renda e ainda evita incidentes”.
Para a Copel, casos como esse são fundamentais para manter o fornecimento de energia confiável e apoiar o desenvolvimento do agronegócio no estado. “A disseminação de boas práticas garante mais estabilidade para o sistema e mais segurança para produtores e consumidores”, conclui Julio Omori.



