Durante a Cúpula do BRICS, presidente defende mudança no modelo de desenvolvimento e destaca a COP30 como marco da nova governança ambiental liderada pelo Sul Global
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou nesta segunda-feira (7/07), durante declaração à imprensa após a Cúpula dos Chefes de Estado do BRICS, no Rio de Janeiro, o compromisso do Brasil com a liderança climática internacional e com a construção de uma nova governança ambiental global. Diante de um cenário de crise ecológica sem precedentes, o chefe de Estado alertou que mudanças irreversíveis já estão em curso, e que ações concretas e imediatas são a única forma de evitar o colapso climático.
A fala de Lula ocorre no momento em que o Brasil se prepara para sediar a COP30, em novembro de 2025, na cidade de Belém (PA), capital paraense localizada no coração da Amazônia. Segundo o presidente, o mundo precisa reorientar suas prioridades, e a resposta à crise climática precisa ser global, equitativa e inclusiva.
“Se acreditarmos no que a ciência está dizendo, vamos ter que mudar de comportamento. As mudanças são concretas e irreversíveis se nada for feito. Está nas nossas mãos cuidar disso”, declarou Lula, reforçando a urgência de um novo modelo de desenvolvimento que leve em consideração a justiça climática, a preservação da vida, o financiamento internacional e a saúde das populações vulneráveis.
A COP30 como marco da nova diplomacia ambiental brasileira
A realização da 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima (COP30) no Brasil representa não apenas uma conquista diplomática, mas uma oportunidade de colocar a Amazônia no centro das discussões globais sobre o futuro do planeta. Será a primeira COP sediada em território amazônico, e isso carrega um simbolismo estratégico para o país e para a agenda climática global.
O embaixador André Aranha Corrêa do Lago, presidente da COP30, destacou o apoio unânime dos países do BRICS ao Brasil e o reconhecimento da importância da conferência como instrumento de fortalecimento do multilateralismo climático.
“Ficou claríssimo hoje o apoio de todos os países presentes à COP30 e o desejo muito grande de que esse esforço fortaleça o multilateralismo e concentre esforços no combate à mudança do clima”, avaliou Corrêa do Lago.
Descarbonização, energias renováveis e justiça climática
Na Sessão Plenária “Meio Ambiente, COP30 e Saúde Global”, Lula reiterou que a transição energética justa e a descarbonização da economia precisam estar no centro do debate internacional. Segundo ele, será necessário triplicar a capacidade instalada de energias renováveis e duplicar os índices de eficiência energética globalmente para conter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, meta do Acordo de Paris.
O presidente também alertou para o ponto de não retorno das florestas tropicais, sobretudo da Amazônia, cuja degradação já ameaça a capacidade de regulação climática regional e global.
Brasil como articulador de uma nova liderança global do Sul
O discurso de Lula reforça a posição brasileira como líder do Sul Global e articulador de uma nova coalizão internacional em defesa do meio ambiente, da equidade social e do desenvolvimento sustentável. O Brasil vem atuando em fóruns multilaterais com propostas concretas para:
- Ampliar o financiamento climático para países em desenvolvimento
- Reduzir a desigualdade ambiental que atinge desproporcionalmente comunidades vulneráveis
- Fortalecer políticas públicas de adaptação e mitigação
- Estimular a cooperação científica e tecnológica entre nações
Neste cenário, a COP30 será uma plataforma para consolidar esse protagonismo, ampliar os compromissos internacionais e pressionar as nações desenvolvidas a cumprirem suas promessas de financiamento, hoje estimadas em apenas US$ 300 bilhões, frente a uma necessidade real de US$ 1,3 trilhão até 2030, segundo estimativas do próprio presidente Lula.
Uma nova ordem climática é possível
O Brasil entra em um novo ciclo político e diplomático, marcado por um reposicionamento estratégico na agenda ambiental global. Mais do que um anfitrião da COP30, o país assume o papel de facilitador de consensos, promotor da justiça climática e defensor de uma economia verde e inclusiva.
O recado do presidente é claro: não há prosperidade possível sem preservação ambiental. E o Brasil está disposto a liderar essa transição.



