Com 61 novas usinas em operação no primeiro semestre, país soma mais de 212 GW de capacidade fiscalizada; fontes limpas representam 84% do total
O setor elétrico brasileiro registrou um marco expressivo no primeiro semestre de 2025. De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o país adicionou 4.096,3 megawatts (MW) à sua matriz elétrica entre janeiro e junho, superando a marca dos 4 gigawatts (GW) de nova potência instalada no período. Esse crescimento eleva a capacidade total das usinas centralizadas no Brasil para 212.526,6 MW, com 84,44% da potência proveniente de fontes renováveis.
A expansão energética reflete a diversidade da matriz brasileira e a retomada de investimentos em geração, com destaque para usinas termelétricas, eólicas e solares, que juntas respondem por mais de 98% da capacidade adicionada no semestre.
Termelétricas lideram, mas renováveis seguem em alta
Apesar do protagonismo histórico das fontes limpas, o primeiro semestre de 2025 foi marcado por um forte avanço da geração termelétrica, responsável por 2.428,05 MW do total instalado — o equivalente a 59,28% da expansão. Esse crescimento foi impulsionado especialmente pela entrada em operação da Usina Termelétrica GNA II, no estado do Rio de Janeiro, que adicionou 1,7 GW à capacidade nacional em maio.
Ao lado da expansão térmica, o país também viu a entrada em operação de 25 usinas eólicas (828,90 MW) e 17 solares fotovoltaicas (738,63 MW), mantendo o ritmo de crescimento sustentado nas fontes renováveis. A geração hidráulica, por sua vez, contribuiu com seis pequenas centrais hidrelétricas (95,85 MW) e duas centrais geradoras hidrelétricas (4,70 MW).
Mês de junho: Bahia e Minas Gerais lideram
Somente no mês de junho, foram adicionados 194,83 MW à capacidade instalada nacional, com a entrada em operação de 13 novas usinas. Desse total, 10 são eólicas, representando 148,20 MW; uma usina solar fotovoltaica, com 45 MW; uma central geradora hidrelétrica, com 1 MW; e uma termelétrica com capacidade de 0,63 MW.
A Bahia foi o estado que mais contribuiu no mês, com nove usinas eólicas em operação, totalizando 144 MW. Minas Gerais aparece na sequência, com destaque para a Usina Fotovoltaica Pedro Leopoldo 2, que adicionou 45 MW à matriz do estado.
Panorama regional: Rio de Janeiro, Bahia e Minas se destacam no semestre
No acumulado do primeiro semestre, os investimentos em geração de energia se concentraram em 13 estados brasileiros, com os maiores avanços registrados no:
- Rio de Janeiro: 1.672,60 MW (principalmente pela UTE GNA II);
- Bahia: 658,20 MW;
- Minas Gerais: 508,25 MW.
A distribuição territorial dos empreendimentos reforça a tendência de descentralização da matriz elétrica, com projetos espalhados em regiões com alto potencial energético — como o semiárido nordestino e o interior de Minas.
Capacidade total e dados regulatórios
Com os novos empreendimentos, a capacidade fiscalizada do Brasil chegou a 212.526,6 MW em 1º de julho de 2025, segundo o Sistema de Informações de Geração da ANEEL (SIGA). A plataforma consolida dados de usinas em operação e empreendimentos em construção, permitindo análises por tipo de fonte, localização geográfica e data de entrada em operação.
O SIGA indica que a matriz brasileira é majoritariamente renovável (84,44%), com protagonismo das fontes hidrelétrica, eólica e solar, que têm papel fundamental na segurança energética e no compromisso do país com a transição energética.
Acompanhe os dados no painel RALIE
Para facilitar o acompanhamento da expansão da oferta de energia, a ANEEL disponibiliza o painel RALIE (Relatório de Acompanhamento da Expansão da Geração Elétrica), uma ferramenta interativa com dados atualizados mensalmente. O painel traz informações detalhadas sobre novas usinas, inspeções em campo, status de obras e contribuições das empresas fiscalizadas.
Essa transparência regulatória permite uma visão integrada da evolução do setor, apoiando o planejamento de políticas públicas, investimentos privados e análises do mercado de energia.
Expansão energética e transição sustentável
O avanço da capacidade instalada em 2025 reafirma o compromisso do Brasil com uma matriz energética diversificada, resiliente e cada vez mais limpa. Mesmo com a predominância das termelétricas no primeiro semestre, a tendência de crescimento sustentável das fontes renováveis segue sólida, impulsionada por leilões, políticas estaduais e investimentos privados.
A capacidade de integrar fontes diversas em um sistema elétrico seguro e eficiente é um dos diferenciais do setor elétrico brasileiro. Com a modernização dos marcos regulatórios e a consolidação de mecanismos de mercado, o país segue como referência global na transição energética.



