Região Sul deve atingir 113% da média histórica, enquanto os demais subsistemas apresentam projeções hidrológicas desfavoráveis; reservatórios permanecem em níveis satisfatórios, reforçando segurança do SIN
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou, nesta sexta-feira (28/06), o boletim do Programa Mensal da Operação (PMO) com projeções detalhadas para a semana operativa entre 28 de junho e 4 de julho. O documento traz as primeiras estimativas hidrológicas para o mês de julho e indica que a maior parte do país deverá registrar afluências abaixo da Média de Longo Termo (MLT). A exceção será o Subsistema Sul, que deve apresentar desempenho superior à média, favorecendo a recuperação dos seus reservatórios.
Segundo o relatório, as projeções para a Energia Natural Afluente (ENA), que representa a disponibilidade hídrica nos reservatórios utilizada para a geração de energia, indicam que a região Sul deve atingir 113% da média de longo termo (MLT), enquanto o Sudeste/Centro-Oeste deve alcançar 82% da MLT. Já na região Norte, a estimativa é de 66% da MLT, e no Nordeste, a previsão é de 41% da MLT.
Esses índices confirmam o padrão observado nos últimos meses e refletem a disparidade nas condições hidrológicas regionais, fator que influencia diretamente o planejamento da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Níveis de armazenamento seguem confortáveis
Embora as previsões indiquem afluências abaixo da média em grande parte do país, os níveis de armazenamento de energia nos reservatórios continuam satisfatórios, com a expectativa de que todos os subsistemas ultrapassem 60% até o final de julho. As estimativas de Energia Armazenada (EAR) apontam para 96,5% no Norte, 91,8% no Sul, 65,3% no Nordeste e 65,1% no Sudeste/Centro-Oeste.
No caso da região Sul, a recuperação é ainda mais expressiva. Se confirmada a previsão, a região terá um incremento de 24,5 pontos percentuais em relação aos 67,3% registrados no início do mês.
“Em junho, a região Sul já havia recuperado parcialmente o armazenamento e há a perspectiva de que esse padrão se mantenha em julho. Isso é o resultado da combinação de afluências mais elevadas e da política operativa do ONS, que esteve focada na recomposição dos níveis de água dos reservatórios daquele subsistema. Os atuais percentuais nos deixam bem-posicionados para o segundo semestre, mas cada ano tem sido diferente e estamos sempre tendo que adaptar as nossas políticas operativas para manter o atendimento”, destacou o diretor-geral do ONS, Marcio Rea.
Expansão tímida da carga no SIN
O PMO também apresenta as estimativas para a demanda de carga no mês de julho. No consolidado nacional, o Sistema Interligado Nacional (SIN) deverá registrar uma expansão de 0,2%, com uma carga média de 75.926 MWmed. No entanto, as variações entre os subsistemas mostram contrastes significativos: o Nordeste deve apresentar um crescimento de 5%, com 12.994 MWmed, enquanto o Norte deverá crescer 4,5%, atingindo 8.121 MWmed. Em contrapartida, o Sudeste/Centro-Oeste deve registrar uma retração de 1,3%, com carga média de 41.676 MWmed, e o Sul uma queda de 2%, totalizando 13.135 MWmed.
Os dados comparam as projeções para julho de 2025 com os valores verificados em julho de 2024, e refletem as diferentes dinâmicas econômicas, climáticas e industriais entre as regiões.
Custo Marginal e planejamento
O Custo Marginal de Operação (CMO) para todos os subsistemas permanece igual nesta semana operativa, fixado em R$ 175,11/MWh.
A uniformidade nos valores reforça a estabilidade das condições operacionais atuais e a eficiência dos modelos de despacho centralizado, que visam otimizar o uso dos recursos energéticos disponíveis, com foco em segurança energética e modicidade tarifária.
As projeções reforçam a importância do monitoramento constante das condições hidrológicas e do uso criterioso dos recursos energéticos do país. A expectativa de armazenamento confortável proporciona uma margem de segurança para o período seco, mas o ONS alerta para a necessidade de adaptação contínua das políticas operativas frente às variações climáticas que têm se tornado cada vez mais imprevisíveis.



