ONS apresenta balanço do primeiro semestre e diretrizes operativas até o fim de 2025

Dados foram divulgados na reunião do PMO de julho, que retorna ao formato híbrido após cinco anos

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou nesta quinta-feira (26) um amplo diagnóstico sobre o desempenho do Sistema Interligado Nacional (SIN) no primeiro semestre de 2025, assim como projeções e estratégias para o segundo semestre e o ano de 2026. O balanço foi divulgado no primeiro dia da reunião do Programa Mensal da Operação (PMO) de julho, realizada pela primeira vez em formato híbrido nos últimos cinco anos, com transmissão online e participação presencial na sede do ONS, no Rio de Janeiro.

Entre os destaques do encontro, estiveram as análises sobre os efeitos das chuvas abaixo da média no último período úmido, os sucessivos recordes de demanda motivados por ondas de calor, e o avanço de soluções técnicas voltadas à ampliação dos intercâmbios de energia entre as regiões. O ONS também divulgou as ações de reforço na integração de fontes renováveis não despacháveis, como a eólica e a solar, e sinalizou investimentos estruturantes em transmissão.

Chuvas abaixo da média e ações preventivas

O período úmido 2024/2025 foi marcado por afluências irregulares e inferiores aos padrões históricos, especialmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul. Diante desse cenário, o ONS adotou medidas operativas estratégicas com foco na preservação dos recursos hídricos. Essas ações garantiram que os níveis de armazenamento nos principais subsistemas terminassem o semestre em situação melhor do que no início do ano.

- Advertisement -

“É importante avaliar a operação nesses primeiros seis meses do ano. Os meses de junho e julho são períodos de transição. Saímos de um momento em que pudemos armazenar água e esse recurso vai ser usado até o início do próximo período úmido. Os resultados da estratégia adotada estão dentro do esperado e estamos preparados para o período seco com situação de armazenamento que nos permite proteger o atendimento em 2026 com uma menor dependência da qualidade do próximo período chuvoso”, explicou Christiano Vieira, diretor de Operação do ONS.

O subsistema Sul, que apresentou os níveis mais críticos, começou a registrar chuvas em maior volume em junho, iniciando um processo de recuperação dos reservatórios.

Potência: desafios para o segundo semestre

Outro tema em destaque foi o atendimento da potência, especialmente nos horários de ponta, geralmente no início da noite. O ONS apontou que, com os níveis mais baixos de armazenamento e a limitação de geração instantânea das fontes renováveis variáveis, será necessário um uso mais frequente da geração térmica, especialmente entre os meses de setembro e dezembro.

“As baixas afluências no último período úmido afetaram os níveis de armazenamento e impactam no atendimento à potência. Neste sentido, a recuperação do subsistema Sul é importante pelo papel da região no atendimento à ponta de carga, em particular entre setembro e dezembro, quando a demanda no período de ponta noturna exige o uso de fontes despacháveis e de rápido acionamento. As usinas hidrelétricas do Sul são essenciais para essa operação”, destacou Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS.

- Advertisement -

Expansão de intercâmbio entre regiões e integração de renováveis

Uma das novidades mais relevantes apresentadas na reunião foi a solução provisória para a nova configuração do Sistema Especial de Proteção (SEP) da subestação Xingu, na região Norte, que permitirá um incremento de até 1.500 MW no escoamento da energia gerada por fontes renováveis do Nordeste para outras regiões.

“O ONS vem estudando e apresentando soluções que contribuem para a redução das restrições de geração renovável. A implantação dessa medida permite um aumento de até 1.500 MW no escoamento da energia gerada por fontes renováveis não-hídricas no período noturno do Nordeste para o Sudeste/Centro-Oeste e para o Norte”, explicou Marcio Rea, diretor-geral do ONS.

Esse aumento será distribuído em até 900 MW do Nordeste para o Sudeste/Centro-Oeste e 600 MW do Nordeste para o Norte, já a partir de sábado, 28 de junho. A expectativa é que isso reduza a necessidade de uso de térmicas no horário da noite, além de viabilizar maior aproveitamento da geração eólica durante a chamada “safra dos ventos”, que se intensifica entre julho e novembro.

Até o fim de julho, está prevista a conclusão de um segundo ajuste no SEP dos Bipolos do Xingu, que ampliará a capacidade de escoamento principalmente durante o período úmido.

Obras e ações estruturantes

Além da reconfiguração do SEP, o ONS destacou a previsão de conclusão de quatro novas linhas de transmissão ainda em 2025, o que deve ampliar os limites operativos do SIN e reduzir gargalos nos fluxos inter-regionais de energia. Essas obras são consideradas fundamentais para garantir maior flexibilidade na operação e segurança no atendimento da carga.

Outro ponto importante foi a necessidade de atualização dos modelos de performance dos geradores, uma demanda levantada após a ocorrência registrada em 15 de agosto de 2023. Com a nova base de dados, será possível revisar os limites de intercâmbio e avaliar a viabilidade de ganhos adicionais também no período diurno.

Destaques da Semana

Mercado livre avança e já responde por 42% do consumo de energia no Brasil, aponta estudo da CCEE

Estudo sobre o mercado brasileiro de energia mostra crescimento...

Petrobras adota cautela e evita repasse imediato do Brent a US$ 90

Em teleconferência de resultados, cúpula da estatal reforça blindagem...

O MW como Ativo Imobiliário: A Nova Fronteira dos Data Centers no Brasil

Especialistas da Capacity analisam por que o custo da...

Petrobras define indicações para Conselhos de Administração e Fiscal de 2026

Governo propõe recondução de Magda Chambriard e Bruno Moretti...

Artigos

Últimas Notícias