Emissões do setor de energia batem novo recorde em 2024, apesar do avanço das renováveis

Relatório do Energy Institute revela que a demanda por combustíveis fósseis segue crescente, elevando as emissões globais pelo quarto ano consecutivo

Em um momento de intensa mobilização global em torno da transição energética, os dados mais recentes revelam uma realidade preocupante: as emissões globais do setor de energia atingiram um novo recorde em 2024, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento. O cenário foi apresentado no relatório Annual Statistical Review of World Energy, publicado pelo Energy Institute, que aponta que, embora a energia renovável tenha alcançado níveis recordes de expansão, ainda não foi suficiente para conter o avanço dos combustíveis fósseis.

O estudo mostra que o fornecimento total de energia mundial cresceu 2% no ano passado, com todas as fontes — fósseis e limpas — registrando aumento simultâneo. Esse fenômeno não era observado desde 2006. Como resultado, as emissões de gases de efeito estufa do setor energético ultrapassaram 40,8 gigatoneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e), superando o recorde de 2023 e consolidando uma tendência de alta que desafia os compromissos climáticos internacionais.

Crescimento das fósseis supera avanço das renováveis

Entre os combustíveis fósseis, o gás natural liderou o crescimento, com alta de 2,5% na geração. O carvão, apesar das metas de descarbonização em curso, cresceu 1,2% e permanece como a principal fonte de geração de energia no planeta. O petróleo teve expansão mais modesta, inferior a 1%, mas ainda assim contribuiu para o aumento das emissões globais.

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Por outro lado, as fontes renováveis — especialmente a solar e a eólica — apresentaram crescimento expressivo de 16% em 2024, ritmo nove vezes superior ao crescimento da demanda total de energia. No entanto, esse avanço ainda não foi suficiente para frear o apetite global por energia baseada em carbono, sobretudo em países em desenvolvimento e em economias emergentes.

“Mesmo com o crescimento acelerado das fontes limpas, a base instalada ainda não atende à expansão da demanda energética global, que segue atrelada ao consumo de combustíveis fósseis em setores estratégicos como transporte, indústria e aquecimento”, observam os autores do relatório.

Geopolítica e segurança energética agravam o cenário

Segundo o relatório, o contexto geopolítico teve impacto direto na reorganização dos fluxos energéticos globais. A guerra na Ucrânia forçou a reconfiguração da logística internacional de petróleo e gás, especialmente no que diz respeito às exportações da Rússia, que foram redirecionadas para países da Ásia e África.

Paralelamente, os conflitos no Oriente Médio aumentaram a tensão sobre a segurança do abastecimento e fizeram com que nações ampliassem seus estoques de combustíveis fósseis, reforçando a dependência dessas fontes e postergando investimentos mais agressivos na substituição energética.

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“Em vez de acelerar a transição energética, os riscos geopolíticos acabaram induzindo um reforço das matrizes fósseis por motivos estratégicos, como estabilidade, preço e oferta”, destaca o Energy Institute.

Meta global de triplicar as renováveis até 2030 está ameaçada

Apesar dos resultados positivos no setor de energia limpa, especialistas alertam que o mundo está fora do ritmo necessário para alcançar a meta climática mais ambiciosa do momento: triplicar a capacidade instalada de fontes renováveis até 2030, compromisso firmado por mais de 120 países durante a COP28, realizada em 2023.

As razões para o atraso incluem barreiras regulatórias, burocracia na concessão de licenças, falta de financiamento acessível para projetos de menor escala e desafios na ampliação da infraestrutura de transmissão, especialmente em países de baixa renda ou em regiões com baixa densidade populacional.

Um chamado à ação

Diante do novo recorde de emissões, o relatório funciona como um alerta urgente para formuladores de políticas públicas, investidores e a sociedade civil. O avanço da descarbonização precisa ser mais célere, articulado e estratégico, sob o risco de comprometer os compromissos do Acordo de Paris e agravar os efeitos da crise climática global.

Especialistas recomendam que os governos acelerem a remoção de subsídios aos combustíveis fósseis, fortaleçam os mecanismos de precificação de carbono, e ampliem os incentivos para inovação e armazenamento de energia, além de investir massivamente em eficiência energética.

“A janela para garantir um futuro de 1,5°C está se fechando rapidamente. As escolhas feitas nesta década serão determinantes para o equilíbrio climático do planeta nas próximas gerações”, conclui o Energy Institute.

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