Ministro defende gás mais barato como motor para a reindustrialização do Brasil e denuncia distorções no setor

Durante evento na FIESP, Alexandre Silveira cobra redução de custos na cadeia do gás natural, critica gargalos logísticos e propõe pacto nacional para impulsionar a competitividade da indústria brasileira

Em meio aos desafios para fortalecer a indústria nacional e acelerar a transição energética, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu nesta segunda-feira (16/06) a adoção de medidas concretas para reduzir o preço do gás natural no Brasil. A declaração foi feita durante o seminário “Gás para Empregar”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).

Silveira classificou o alto custo do gás como um dos maiores entraves à reindustrialização do país e alertou que o insumo, fundamental para setores estratégicos, está sendo vendido ao mercado interno por valores muito acima do praticado na origem, prejudicando a competitividade da indústria e comprometendo a geração de empregos.

“O Brasil precisa ter como premissas a segurança jurídica, o respeito aos contratos e a previsibilidade. No entanto, é inadmissível que o gás da União, vendido pela PPSA a US$ 1,50 por milhão de BTU, chegue à costa com preços multiplicados por interesses que não são os do Brasil”, afirmou o ministro.

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Gás caro, indústria fragilizada

De acordo com Silveira, até 80% do preço final pago pelo consumidor corresponde aos custos de escoamento, processamento e transporte do gás, uma distorção que penaliza a indústria nacional, enfraquece a cadeia produtiva e dificulta a atração de investimentos.

“É um verdadeiro escândalo. Não podemos aceitar que a indústria brasileira seja prejudicada por um modelo de negócios que favorece poucos e impede o crescimento do país”, destacou.

O ministro foi enfático ao afirmar que não se trata de intervenção estatal, mas sim de garantir um ambiente de negócios equilibrado, que respeite os contratos, promova a livre concorrência e, ao mesmo tempo, esteja alinhado ao interesse público.

Petrobras e o papel estratégico no desenvolvimento

Silveira também direcionou críticas à atuação da Petrobras, especialmente em relação à sua política de reinjeção de gás nas plataformas offshore. Segundo ele, é preciso rever esse modelo, permitindo que volumes maiores de gás natural cheguem ao mercado interno, contribuindo para a expansão da oferta e a redução dos preços.

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“A Petrobras, embora seja uma empresa de capital aberto, tem um papel social muito relevante, sobretudo em segmentos onde exerce praticamente um monopólio, como no escoamento do gás natural. É preciso alinhar os interesses da companhia às necessidades do Brasil”, afirmou.

O ministro defendeu que o primeiro passo desse novo ciclo seja um compromisso efetivo da Petrobras com a PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.) para viabilizar o primeiro leilão de gás da União, uma medida considerada crucial para destravar o setor.

Programa Gás para Empregar: agenda estruturante

As declarações de Silveira estão alinhadas aos objetivos do programa “Gás para Empregar”, liderado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), que busca transformar o mercado de gás natural brasileiro. O programa tem como foco:

  • Ampliar a oferta de gás natural no país;
  • Reduzir os custos de logística e transporte, responsáveis pela maior parte do preço final;
  • Estimular investimentos em infraestrutura e competitividade no setor.

Entre as ações já implementadas pelo governo, destacam-se:

  • O Decreto nº 12.153/2024, que aprimora as regras de acesso às infraestruturas de gás natural, promovendo maior transparência e competitividade;
  • A criação do Comitê de Monitoramento do Setor de Gás Natural (CMSGN), que fortalece a governança do setor;
  • Acordos internacionais com Bolívia e Argentina, que garantem maior oferta de gás a preços competitivos;
  • Uma nota técnica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que revisa as tarifas de acesso negociado ao escoamento e processamento, propondo soluções mais justas para o mercado.

Impacto direto na competitividade industrial

O preço elevado do gás tem impacto direto sobre setores intensivos em energia, como siderurgia, cerâmica, fertilizantes, vidro, cimento, metalurgia, química e petroquímica, além da geração de energia elétrica e do desenvolvimento do hidrogênio de baixo carbono.

Silveira enfatizou que a correção das distorções no setor de gás natural é indispensável para o fortalecimento da indústria, a geração de empregos e o aumento da competitividade do Brasil no cenário global.

“O gás mais barato é o motor que pode impulsionar a reindustrialização do Brasil. Não há desenvolvimento sustentável sem energia acessível e competitiva”, reforçou.

Caminho para a transição energética e o desenvolvimento sustentável

A agenda proposta não busca apenas resolver gargalos econômicos, mas também acelerar a transição energética. Com gás natural mais acessível, o Brasil poderá reduzir sua dependência de combustíveis mais caros e poluentes, além de fomentar a produção de hidrogênio e de tecnologias industriais de menor impacto ambiental.

A expectativa é que, com a consolidação das medidas propostas pelo MME, o Brasil consiga criar um ambiente de negócios mais justo, competitivo e atrativo para novos investimentos, contribuindo diretamente para um ciclo sustentável de crescimento econômico, geração de empregos e desenvolvimento tecnológico.

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