Rosatom fecha acordo para duas usinas nucleares flutuantes de 200 MW na Indonésia

Projeto prevê abastecimento de região insular por unidades marítimas com reatores RITM-200M; financiamento será privado e fornecimento poderá começar em até cinco anos após o cumprimento das condições contratuais.

A estatal russa Rosatom firmou acordo com a empresa indonésia PT Pembangkit Listrik Nuklir para fornecer eletricidade a partir de duas usinas nucleares flutuantes na região norte da ilha de Halmahera, na província de Molucas do Norte, no leste da Indonésia. Com potência conjunta de 200 megawatts (MW), o empreendimento prevê duas unidades de 100 MW e foi apresentado pelas empresas como uma iniciativa inédita de exportação comercial de energia gerada por instalações nucleares flutuantes.

Assinado em 16 de outubro, durante a Semana Russa de Energia, em Moscou, o acordo prevê o uso de unidades FPU-100, equipadas com reatores RITM-200M. O início do fornecimento é estimado em até cinco anos após a entrada em vigor das principais condições contratuais.

O projeto será financiado por capital privado, em um modelo de negócios entre empresas (B2B), sem recursos do orçamento público da Indonésia, conforme os responsáveis pela iniciativa. A proposta busca ampliar a oferta de energia em uma região insular onde a expansão da demanda impõe desafios à infraestrutura de abastecimento.

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Reatores marítimos e geração contínua

As unidades FPU-100 foram projetadas para operação em ambientes marítimos e climas quentes. Cada instalação terá um reator RITM-200M, tecnologia derivada dos sistemas desenvolvidos pela Rússia para sua frota de quebra-gelos nucleares.

A geração embarcada pode oferecer uma alternativa para localidades costeiras e polos industriais afastados de grandes redes de transmissão. A viabilidade do modelo, porém, depende de fatores como custos de implantação e operação, infraestrutura portuária, conexão com a rede local, licenciamento e gestão de resíduos radioativos.

Ao comentar o acordo, o diretor-geral da Rosatom, Alexey Likhachev, destacou a perspectiva de cooperação de longo prazo entre os dois países: “Estamos falando de muito mais do que fornecimento de eletricidade. Estamos estabelecendo as bases para uma parceria de longo prazo.”

A companhia também vê o projeto como uma oportunidade para ampliar a participação do capital privado no desenvolvimento de empreendimentos nucleares. O cronograma de implantação e o início efetivo da operação, contudo, dependem das condições contratuais e das etapas necessárias para viabilizar o fornecimento.

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Indonésia inclui energia nuclear no planejamento energético

O empreendimento se insere na estratégia da Indonésia de diversificar a matriz elétrica e reduzir as emissões de carbono. Em 2025, o país incluiu a energia nuclear em seu Plano Nacional de Energia, em uma agenda que também contempla o reforço da segurança de abastecimento e a meta de neutralidade de carbono até 2060.

A cooperação nuclear entre Moscou e Jacarta ganhou impulso em julho de 2024, quando Prabowo Subianto, então presidente eleito da Indonésia, manifestou ao presidente russo, Vladimir Putin, interesse em aprofundar a parceria. Em maio de 2026, novas conversas entre Subianto e Likhachev abordaram infraestrutura, formação de profissionais e aplicações pacíficas da tecnologia nuclear.

A proposta russa contempla uma implantação em etapas, começando pelas centrais flutuantes e avançando posteriormente para usinas terrestres com reatores de maior capacidade. O acordo para Halmahera representa, portanto, uma possível frente inicial de cooperação, embora não determine por si só a execução de projetos futuros.

Akademik Lomonosov opera na Rússia desde 2020

A Rosatom já opera a Akademik Lomonosov, considerada a primeira usina nuclear flutuante do mundo. Instalada em Chukotka, no extremo leste da Rússia, a unidade entrou em operação em 2020 e utiliza dois reatores KLT-40S. Segundo a estatal, a instalação produziu cerca de 1,4 bilhão de quilowatts-hora (kWh) desde o início das atividades.

As unidades previstas para a Indonésia utilizarão a série RITM, que incorpora mudanças de projeto em relação aos reatores da Akademik Lomonosov, incluindo maior potência por unidade e dimensões compactas. A versão FPU-100 foi adaptada para condições climáticas quentes, diferentes das enfrentadas pelas instalações russas no Ártico.

A experiência operacional da Akademik Lomonosov oferece uma referência tecnológica para a proposta indonésia, mas a implantação comercial das novas unidades ainda exige a conclusão das etapas contratuais, regulatórias e de engenharia.

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