Copel destina R$ 846,7 milhões à resiliência da rede elétrica no Paraná

Distribuidora aplicou cerca de R$ 260 milhões em manutenção preventiva e manejo de vegetação nos nove primeiros meses de 2026; automação já alcança 3 milhões de unidades consumidoras.

A Copel Distribuição destinou R$ 846,7 milhões nos últimos três anos ao reforço da resiliência da rede elétrica diante de eventos climáticos severos no Paraná. Nos primeiros nove meses de 2026, a empresa aplicou cerca de R$ 260 milhões em manutenção preventiva e manejo de vegetação, com desembolso médio mensal de R$ 28,8 milhões, alta de 7,2% em relação a 2025 e de 31,2% ante 2024.

A intensificação das ações ocorre em um cenário de aumento dos temporais no estado. De acordo com os dados divulgados pela companhia, a média anual passou de 12 grandes tempestades entre 2020 e 2022 para 20 ocorrências por ano no período de 2023 a 2025. Entre setembro e outubro de 2026, foram sete eventos severos em 45 dias.

Manutenção preventiva e manejo de vegetação

A estratégia da distribuidora incluiu 730 mutirões de poda e limpeza de faixas de rede, realizados em parceria com prefeituras e a Defesa Civil por meio de 81 acordos de cooperação técnica. As equipes também executaram 860 mil podas de árvores próximas à rede elétrica, 66 milhões de metros quadrados de roçada em áreas rurais e mais de 20 mil intervenções preventivas na infraestrutura.

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O diretor-geral de Distribuição da Copel, Denis Mollica, afirma que o objetivo é reduzir os danos provocados por fatores externos e acelerar a recuperação do serviço quando ocorrem interrupções: “O que importa é que o cliente tenha energia no seu imóvel, na sua propriedade. Ações preventivas evitam danos maiores e permitem que possamos restabelecer a energia mais rapidamente em casos de interrupções por eventos externos.”

Ao detalhar a dimensão das atividades executadas no estado, Mollica destaca o trabalho de manutenção em áreas urbanas e rurais: “Foram feitas 860 mil podas de árvores junto à rede elétrica em todo o Estado e executados 66 milhões de metros quadrados de roçada em áreas rurais, eliminando a vegetação próxima de linhas de energia. Somado a isso, as equipes de campo realizaram mais de 20 mil pontos de manutenção preventiva na rede elétrica. Tudo para evitar danos maiores com a chegada dos temporais.”

Temporais exigiram troca de postes e reconstrução da rede

A sequência de eventos climáticos também pressionou a logística de atendimento. Entre o fim de setembro e a primeira metade de outubro de 2026, o encharcamento do solo em regiões rurais dificultou o deslocamento de veículos pesados e a substituição de equipamentos.

Nos dias 3 e 4 de outubro, durante o pico das interrupções, 325 mil consumidores tiveram o fornecimento afetado. Segundo a Copel, mais de 90% da carga foi restabelecida em menos de 24 horas.

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Entre setembro e a primeira semana de outubro, a recomposição do sistema exigiu a substituição de 3.400 postes e de sete torres de alta tensão, além da recuperação de mais de 200 quilômetros de condutores rompidos. A operação mobilizou mais de 3 mil profissionais de campo.

A companhia informa ainda manter R$ 30 milhões em ativos destinados a emergências, incluindo subestações móveis, torres de emergência e estoques reforçados de materiais para reparos.

Automação amplia capacidade de recomposição

A digitalização da rede é outra frente do plano de resiliência. A Copel conta com 25,7 mil religadores automáticos e sistemas de self-healing, tecnologia que identifica falhas, isola trechos afetados e redireciona o fornecimento por rotas alternativas.

Segundo a empresa, o recurso está implantado em 1.500 pontos e atende cerca de 3 milhões de unidades consumidoras, o equivalente a 56% de sua base de 5,4 milhões de clientes. Nas situações compatíveis com a operação automatizada, a recomposição pode ocorrer em até três minutos, sem necessidade de intervenção direta de equipes em campo.

A infraestrutura também inclui 2 milhões de medidores inteligentes instalados em 157 municípios. Os equipamentos permitem identificar interrupções no Centro de Operação do Sistema (COS) e abrangem localidades correspondentes a 38% da área de concessão da distribuidora.

O plano de contingência combina monitoramento meteorológico, mobilização antecipada de equipes, manutenção da rede e automação. A estratégia busca reduzir a duração das interrupções e ampliar a capacidade de resposta da distribuidora diante de eventos extremos.

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