Tempo OK prevê condições mais favoráveis em parte da região entre novembro e dezembro de 2026, mas alerta para possível enfraquecimento dos ventos no início do próximo ano. Em 2026, acumulado ficou de 1% a 8% abaixo da média nas áreas monitoradas.
A influência do El Niño sobre a circulação atmosférica pode mudar as condições de vento no Nordeste e afetar a geração eólica brasileira em 2027. A consultoria meteorológica Tempo OK prevê um cenário parcialmente favorável entre novembro e dezembro de 2026, mas avalia que o padrão pode se inverter nos primeiros meses do próximo ano, com condições menos propícias à produção dos parques.
A perspectiva ocorre após um ano de oscilações no regime de ventos. Nas áreas monitoradas pela consultoria, os resultados ficaram acima da média em janeiro, abril e maio, mas as condições desfavoráveis em fevereiro e março e no período de junho a setembro deixaram o acumulado de 2026 entre 1% e 8% abaixo da média.
Oscilações do vento afetam a produção e os contratos
A variação da velocidade do vento tem impacto direto sobre a energia produzida pelos aerogeradores. O meteorologista Paulo Lombardi, da Tempo OK, destaca que pequenas mudanças na intensidade podem provocar diferenças relevantes na geração: “Uma queda de 4% no vento pode representar algo próximo de 10% a 12% a menos de energia. Mas a regularidade pesa tanto quanto a intensidade.”
Em 2026, algumas sequências de dias registraram velocidades até 25% inferiores à média, seguidas por recuperações curtas que não compensaram integralmente as perdas. A alternância dificulta a previsão da produção e amplia a exposição comercial dos geradores.
A meteorologista da Tempo OK Ana Penna aponta os reflexos dessa instabilidade para a operação e a gestão dos contratos. “Essa oscilação reduz o fator de capacidade, dificulta a previsão de curto prazo e aumenta a exposição dos geradores a desvios contratuais”, afirma.
Efeito do El Niño varia conforme a região e a estação
O fenômeno não produz uma resposta uniforme em todo o Nordeste. De acordo com a avaliação da consultoria, em anos de El Niño os ventos tendem a ficar acima da média durante o outono, especialmente na costa norte. No inverno e na primavera, porém, a passagem de sistemas frontais pode modificar esse padrão e enfraquecer os ventos.
A diferença regional é relevante para o setor porque o Nordeste concentra a maior parte da capacidade eólica instalada no país. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) citados no material da consultoria, a região reúne cerca de mil parques eólicos em operação.
O interior, sobretudo o centro-sul da Bahia e o Piauí, apresenta maior sensibilidade à chegada de sistemas frontais. Já as áreas do litoral norte e leste tendem a registrar variações menores nos padrões de vento, segundo a análise da Tempo OK.
Previsão regionalizada ganha importância para os geradores
O El Niño se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial e pode modificar a circulação atmosférica em diferentes regiões. No Nordeste, essas alterações podem favorecer ventos mais fortes em determinadas condições, mas também mudar a trajetória das frentes frias e interferir nos sistemas de pressão que sustentam os ventos.
Por isso, o efeito sobre a geração depende da combinação entre os padrões atmosféricos, a localização dos parques e a época do ano. Lombardi ressalta que o fenômeno, isoladamente, não permite concluir que haverá aumento da produção eólica: “Por isso, o resultado para a geração eólica depende da combinação entre esses fatores e da época do ano. O El Niño não garante, por si só, ventos mais fortes ou maior produção de energia.”
Nesse cenário, o acompanhamento meteorológico e as previsões por região são instrumentos para antecipar mudanças no recurso eólico e apoiar o planejamento da produção, a programação operacional e a gestão da exposição contratual dos empreendimentos. As perspectivas climáticas e seus efeitos sobre o setor estarão em discussão na Brazil Windpower, evento do qual a Tempo OK participará com o estande B-110.


