Iniciativa busca integrar regulação e P&D por meio de infraestrutura digital baseada em IA e interoperabilidade de dados; contribuições serão recebidas até 20 de junho.
A Diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) deu um passo decisivo para a digitalização do ecossistema de energia no Brasil ao aprovar a abertura da Consulta Pública nº 12/2026. O certame tem como objetivo colher subsídios para as minutas do Edital e do Termo de Referência da Plataforma de Inovação do Setor Elétrico (PINSE), projeto que promete ser a espinha dorsal da inovação aberta no setor.
A PINSE foi concebida para atuar como uma infraestrutura digital integrada, rompendo silos de informação ao consolidar e estruturar dados que, hoje, encontram-se dispersos entre diferentes agentes e programas. A expectativa do regulador é que a plataforma acelere a transformação de conhecimento acadêmico e técnico em soluções comerciais aplicáveis, otimizando o ciclo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D+I).
Arquitetura técnica e inteligência de dados
O projeto não se limita a um repositório de informações, mas propõe uma arquitetura complexa que envolve diretrizes de segurança cibernética, interoperabilidade e o uso de inteligência artificial para apoiar decisões baseadas em evidências.
O Termo de Referência, um dos documentos centrais da consulta, detalha como a PINSE deve operar para garantir uma experiência de usuário eficiente, permitindo que a regulação e as políticas públicas caminhem em sincronia com as inovações tecnológicas de ponta. Trata-se de um documento estruturante que orienta toda a cadeia de valor, desde a concepção técnica até a evolução contínua da plataforma em ambiente de nuvem.
Governança e rito de contratação
O processo de implantação da plataforma seguirá ritos rigorosos de governança. O Edital em discussão estabelece os critérios para a contratação do projeto, abrangendo desde a habilitação técnica e financeira dos proponentes até as etapas de diligências e avaliação final.
Ao definir a visão estratégica do projeto, a Agência destaca a importância de uma ferramenta que integre os diversos braços do setor elétrico: “A PINSE permitirá a articulação entre regulação, políticas públicas e iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com foco na geração de valor para o setor elétrico e para a sociedade.”
A intenção é que a plataforma funcione como um hub de fomento, capaz de conectar as necessidades reais das distribuidoras, transmissoras e geradoras às soluções desenvolvidas por startups e centros de pesquisa.
Participação social e prazos
O período para envio de contribuições e sugestões de aprimoramento técnico começa nesta quarta-feira, 6 de maio, e se estende até o dia 20 de junho de 2026. Os interessados, que incluem concessionárias, prestadores de serviços de tecnologia e especialistas em inovação, deverão submeter suas propostas via formulário eletrônico no portal da ANEEL.
A viabilização da PINSE é vista como um marco para a modernização do setor, especialmente em um momento de transição energética e abertura de mercado, onde a agilidade na análise de dados e a inovação tecnológica são ativos críticos para a competitividade das empresas brasileiras.


