Brasil e Bolívia firmam acordo para interconexão elétrica de 420 MW entre Corumbá e Santa Cruz

Projeto binacional prevê estação conversora de frequência no Mato Grosso do Sul e amplia integração energética regional entre os sistemas elétricos dos dois países

O processo de integração energética na América do Sul ganhou um novo avanço com a assinatura de um acordo bilateral entre Brasil e Bolívia para a interconexão de seus sistemas elétricos. A formalização ocorreu nesta segunda-feira (16), durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto, em Brasília.

O projeto prevê a implantação de uma infraestrutura de intercâmbio energético com capacidade de 420 megawatts (MW), conectando o município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, à província de Germán Busch, localizada no departamento de Santa Cruz, no território boliviano.

A iniciativa representa mais um passo no fortalecimento da integração energética regional, ampliando a possibilidade de intercâmbio de energia elétrica entre os dois países e contribuindo para maior flexibilidade operativa entre os sistemas.

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Estação conversora permitirá intercâmbio seguro entre os sistemas

O projeto apresenta desafios técnicos relevantes, uma vez que os sistemas elétricos de Brasil e Bolívia operam em condições distintas de frequência ou demandam isolamento operacional para garantir a estabilidade das redes.

Para viabilizar o intercâmbio de energia, está prevista a instalação de uma estação conversora de frequência no lado brasileiro da interconexão. Essa infraestrutura permitirá que a energia gerada em um país seja compatibilizada com os parâmetros técnicos do outro sistema elétrico.

Com esse arranjo, será possível injetar energia no Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável pela coordenação da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), garantindo que o intercâmbio ocorra sem riscos de instabilidade ou contingências sistêmicas.

A tecnologia de conversão de frequência é amplamente utilizada em projetos de interligação internacional, permitindo a integração de redes com características técnicas distintas.

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Intercâmbio de energia reforça segurança energética regional

Além de possibilitar o comércio de energia elétrica entre os países, o acordo estabelece mecanismos para trocas emergenciais em situações críticas do sistema, como períodos de estresse hídrico ou indisponibilidade de grandes ativos de geração. Nesse contexto, a interconexão funcionará como um instrumento de resiliência energética, permitindo que excedentes sazonais de geração sejam aproveitados de forma mais eficiente.

Quando um dos países apresentar sobra de geração, seja por condições hidrológicas favoráveis ou redução da demanda interna, será possível exportar essa energia para o sistema vizinho, reduzindo desperdícios e ampliando a eficiência econômica do sistema elétrico regional.

Ao avaliar os impactos da nova infraestrutura para a estabilidade energética da região Centro-Oeste e da fronteira boliviana, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou o papel estratégico da interconexão.

“A interconexão elétrica entre Corumbá e a província de Germán Busch cria as bases para o intercâmbio de energia entre Brasil e Bolívia, ampliando a segurança energética regional e permitindo o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis nos dois países.”

Cooperação energética amplia agenda bilateral

A assinatura do acordo também representa um novo capítulo na cooperação energética entre os dois países, historicamente marcada pelo fornecimento de gás natural boliviano ao mercado brasileiro por meio do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol).

Com a nova iniciativa, a parceria passa a incluir também o intercâmbio de eletricidade, alinhando-se às tendências globais de integração de redes elétricas para acomodar fontes renováveis variáveis, como energia solar e eólica.

Durante a cerimônia de assinatura, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou o histórico da relação energética entre as duas nações.

“A relação entre Brasil e Bolívia serviu muito ao crescimento da indústria brasileira e do setor de hidrocarbonetos boliviano. Hoje pode ser aproveitada para uma integração mais ampla entre nossos países.”

Governança do projeto ficará sob comitê técnico binacional

O modelo de implementação adotado para o projeto segue o princípio de responsabilidade territorial: cada país será responsável pelo financiamento, construção e operação dos ativos localizados em seu próprio território.

Esse formato busca simplificar questões jurídicas relacionadas à propriedade e à operação da infraestrutura de transmissão. A condução técnica do projeto ficará sob responsabilidade do Comitê Técnico Binacional Brasil-Bolívia (CTB), que será encarregado de coordenar os estudos necessários para implantação da interconexão.

O comitê também terá a função de harmonizar os procedimentos operacionais entre os dois países, garantindo que o intercâmbio de energia respeite os limites de transmissão e os protocolos de segurança estabelecidos pelos operadores dos sistemas elétricos.

A expectativa é que o avanço da interconexão fortaleça a integração energética sul-americana, ampliando as possibilidades de cooperação regional e contribuindo para maior segurança e eficiência no abastecimento de energia elétrica.

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