Ceará acelera migração de prédios públicos para o Mercado Livre de Energia e projeta economia de até R$ 19 milhões por ano

Estratégia do governo estadual amplia contratação de energia renovável no ambiente livre e deve alcançar 191 unidades públicas até 2026, consolidando o estado como referência em eficiência energética no setor público.

O Governo do Ceará está intensificando a migração de prédios e equipamentos públicos para o Mercado Livre de Energia, em uma estratégia que combina redução de despesas públicas com maior participação de fontes renováveis na matriz de consumo da administração estadual.

A iniciativa, conduzida pela Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra), prevê que 191 unidades públicas operem no ambiente de contratação livre até o fim de 2026. O programa já contemplou 130 equipamentos públicos até o final de 2025, e outras 61 unidades devem ser migradas ao longo deste ano. Com a ampliação da política energética estadual, o governo estima economia anual de até R$ 19 milhões na conta de eletricidade dos órgãos públicos.

O modelo adotado mantém o fornecimento físico de energia pelas distribuidoras locais, enquanto a compra de energia passa a ser realizada diretamente no mercado livre, permitindo maior previsibilidade de custos e acesso a contratos com fontes renováveis.

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Política pública voltada à eficiência energética

A estratégia foi implementada pela Seinfra em novembro de 2024 e vem sendo gradualmente expandida para grandes consumidores da administração estadual, como equipamentos culturais, hospitais, unidades administrativas e estruturas esportivas. Com a migração para o ambiente livre, a expectativa é de redução média de cerca de 30% nos custos mensais com eletricidade.

A condução do programa reflete a tentativa do estado de alinhar gestão fiscal, sustentabilidade e modernização da política energética pública. Hélio Leitão, Secretaria da Infraestrutura destaca que a iniciativa reforça o papel do estado na agenda nacional de eficiência energética e transição para fontes limpas.

“Estamos falando de uma política pública moderna, responsável e alinhada ao futuro. Ao ampliar o Mercado Livre de Energia nos equipamentos do Estado, o Ceará reduz despesas, qualifica o gasto público e reforça seu compromisso com uma matriz energética limpa. É uma iniciativa que gera economia para os cofres públicos e, ao mesmo tempo, projeta o Estado como referência nacional em inovação e sustentabilidade”, destaca o titular da Seinfra.

Nova etapa de migrações em 2026

A nova rodada de adesões ao mercado livre já começou em 2026. Em fevereiro, o primeiro pacote de migrações colocou 19 unidades públicas em operação no novo modelo.

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Entre os equipamentos incluídos nessa etapa estão prédios da Secretaria da Fazenda do Ceará, a sede da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e unidades da Casa da Mulher Cearense.

De acordo com a Coordenadoria de Energia e Telecomunicações da Seinfra, esse primeiro grupo de unidades deve gerar economia mensal de R$ 26.454,55, equivalente a R$ 317 mil por ano, o que representa redução média de 23,6% nos gastos com eletricidade dessas instalações.

Entre os equipamentos públicos com maior potencial de economia estão unidades da Secretaria da Fazenda distribuídas em municípios como Russas, Iguatu, Crateús, Juazeiro do Norte, Sobral, Penaforte, Maracanaú, Crato, Chaval e Fortaleza. Também aparecem no pacote novas unidades administrativas e centros de memória ligados à administração tributária estadual.

Entre os maiores percentuais de redução estimados está a unidade da Casa da Mulher Cearense em Quixadá, com economia prevista de 30,8%, o maior índice dentro desta nova etapa de migrações.

Resultados consolidados da política energética

A estratégia estadual de migração para o mercado livre já apresenta resultados expressivos desde o início do programa.

No primeiro ciclo de implementação, 130 prédios públicos passaram a operar no novo modelo até o final de 2025, incluindo estruturas de grande porte e alto consumo energético. Entre os equipamentos já migrados estão a Arena Castelão, o Centro de Eventos do Ceará, hospitais regionais, escolas públicas e unidades do sistema prisional estadual.

Nesse primeiro conjunto de migrações, a redução média nos gastos com energia chegou a 31,17%. De acordo com balanço da Seinfra, a economia acumulada ao longo dos primeiros 12 meses atingiu R$ 11,9 milhões, com potencial de alcançar R$ 15,43 milhões dentro do grupo inicial de unidades já migradas.

Expansão para equipamentos estratégicos

Com a ampliação do programa em 2026, a política energética estadual deve alcançar outros equipamentos culturais e institucionais relevantes do estado. Entre os próximos ativos previstos para migração estão o histórico Theatro José de Alencar, o Cineteatro São Luiz, a Pinacoteca do Ceará e o Hospital Universitário do Ceará.

A expansão reforça uma tendência crescente entre governos estaduais e municipais no Brasil: utilizar o mercado livre de energia como instrumento de eficiência fiscal, sustentabilidade e modernização da gestão pública.

Além da redução de custos, o modelo permite que instituições públicas tenham acesso a contratos de longo prazo com energia renovável, contribuindo para metas ambientais e para a diversificação da matriz energética.

Mercado Livre avança no setor público

A migração de consumidores institucionais para o mercado livre vem ganhando escala no Brasil, impulsionada por mudanças regulatórias e pela busca por maior competitividade nos custos energéticos.

No caso do Ceará, o programa conduzido pela Seinfra posiciona o estado entre os principais laboratórios de inovação no uso do mercado livre dentro da administração pública, um movimento que pode inspirar outras unidades federativas a adotar modelos semelhantes.

Com a meta de alcançar 191 prédios públicos operando no ambiente livre, o estado consolida o Mercado Livre de Energia como um instrumento relevante de gestão pública e planejamento energético.

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