Brasil adere à iniciativa global para triplicar a energia nuclear até 2050

País anuncia apoio à declaração internacional durante cúpula em Paris e reforça papel da energia nuclear na segurança energética e na transição para fontes de baixa emissão de carbono.

O Brasil anunciou nesta terça-feira (10) sua adesão à Declaração para Triplicar a Energia Nuclear até 2050, iniciativa internacional que busca ampliar significativamente a capacidade instalada dessa fonte energética no mundo nas próximas décadas.

O anúncio foi realizado durante a segunda cúpula internacional dedicada ao tema, realizada em Paris e organizada pelo governo francês com apoio da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA). A iniciativa reúne governos, empresas do setor nuclear e instituições financeiras com o objetivo de mobilizar investimentos e acelerar projetos de geração nuclear em diferentes regiões do planeta.

Com a nova adesão, o grupo de países que apoiam a declaração passa a contar com 38 integrantes, incluindo também China, Bélgica e Itália, que formalizaram apoio à proposta durante o encontro.

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A participação brasileira foi formalizada por meio de nota conjunta divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil e pelo Ministério de Minas e Energia, reforçando o posicionamento do país no debate internacional sobre segurança energética e descarbonização.

Energia nuclear ganha protagonismo na transição energética global

A declaração internacional foi lançada originalmente durante a COP28, no contexto das discussões globais sobre estratégias para reduzir emissões de gases de efeito estufa e garantir segurança no fornecimento de energia.

O documento propõe mobilizar esforços para triplicar a capacidade mundial de geração nuclear até 2050, diante do crescimento projetado da demanda global por eletricidade e da necessidade de ampliar fontes de baixa emissão de carbono.

Nesse contexto, a energia nuclear é apontada por diversos países como uma alternativa estratégica para complementar a expansão das fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica, contribuindo para a estabilidade dos sistemas elétricos.

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Ao aderir à iniciativa, o Brasil sinaliza apoio ao fortalecimento da energia nuclear como parte do portfólio energético global, ao mesmo tempo em que reforça sua posição nas discussões internacionais sobre transição energética.

Brasil reforça compromisso com desenvolvimento responsável da energia nuclear

Na nota conjunta divulgada pelos ministérios, o governo brasileiro destaca que a adesão à declaração reafirma o compromisso do país com o desenvolvimento responsável da energia nuclear.

O posicionamento ressalta que a expansão dessa fonte energética deve ocorrer em conformidade com elevados padrões internacionais de segurança, proteção radiológica e não proliferação nuclear.

O Brasil possui uma trajetória consolidada no setor nuclear, com mais de quatro décadas de operação de usinas de geração elétrica baseadas nessa tecnologia.

Domínio do ciclo do combustível nuclear

Um dos diferenciais do país no cenário internacional é o domínio completo do ciclo do combustível nuclear, que envolve desde a mineração de urânio até a produção do combustível utilizado nos reatores.

Essa capacidade tecnológica posiciona o Brasil entre os poucos países que dominam todas as etapas da cadeia nuclear, o que amplia a autonomia estratégica na geração de energia e no desenvolvimento de aplicações nucleares.

Atualmente, a geração nuclear brasileira está concentrada nas usinas de Angra, operadas pela Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras. A tecnologia nuclear representa uma parcela relevante da geração elétrica de base no sistema elétrico nacional, contribuindo para a estabilidade da oferta de energia.

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