Cemig usa centro meteorológico próprio para antecipar tempestades e reduzir riscos à rede elétrica em Minas Gerais

Monitoramento em tempo real, radar meteorológico e rede de detecção de raios permitem mobilização preventiva de equipes e resposta mais rápida a eventos climáticos extremos

A Cemig tem ampliado o uso de tecnologia e inteligência meteorológica para antecipar riscos operacionais causados por eventos climáticos extremos. A companhia mantém um centro meteorológico próprio, equipado com sala de situação e sistemas avançados de monitoramento em tempo real, capazes de acompanhar a evolução de tempestades em todo o território mineiro.

A estrutura inclui painéis digitais de análise climática, radar meteorológico, rede de detecção de descargas atmosféricas e uma equipe dedicada de meteorologistas, permitindo à distribuidora identificar com antecedência fenômenos que podem impactar diretamente a rede elétrica, como chuvas intensas, rajadas de vento e elevada incidência de raios.

Esse tipo de monitoramento tornou-se estratégico para empresas do setor elétrico diante da intensificação de eventos meteorológicos extremos, que representam uma das principais causas de interrupções no fornecimento de energia.

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Radar meteorológico e rede de sensores ampliam capacidade de previsão

Entre os principais recursos da estrutura está o radar meteorológico localizado em Mateus Leme, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que permite acompanhar a formação e deslocamento de sistemas de chuva com maior precisão.

O monitoramento é complementado por uma rede de detecção de raios e por ferramentas avançadas de análise meteorológica, que fornecem dados em tempo real para os centros de operação da companhia. A partir dessas informações, a empresa elabora boletins, avisos e alertas meteorológicos operacionais, que orientam o planejamento das equipes de campo e a gestão da rede elétrica.

Esse sistema permite que a companhia mobilize equipes com até quatro horas de antecedência, reposicione recursos logísticos e adote medidas preventivas antes da chegada de eventos climáticos severos.

Integração entre meteorologia e operação aumenta eficiência

A integração entre o monitoramento climático e as áreas operacionais tem sido fundamental para reduzir os impactos na rede elétrica, especialmente durante o período chuvoso.

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“Durante o período chuvoso, quando os riscos à rede elétrica aumentam, esse monitoramento contínuo favorece uma atuação mais rápida e assertiva, reduzindo impactos e ampliando a segurança da operação. A integração entre meteorologia e centros de operação tem se mostrado fundamental diante de um cenário climático cada vez mais desafiador”, destaca Ruany Maia, meteorologista da Cemig.

O modelo de atuação permite direcionar ações de manutenção e resposta emergencial para as regiões com maior probabilidade de ocorrência de tempestades ou descargas atmosféricas.

Mais de 15 mil alertas meteorológicos emitidos em 2025

Os dados consolidados pela área de meteorologia da companhia mostram a dimensão do trabalho preventivo realizado ao longo do último ano.

Em 2025, foram emitidos 15,6 mil alertas meteorológicos para as equipes de operação e manutenção da rede elétrica em Minas Gerais. No mesmo período, o monitoramento contabilizou mais de 2 milhões de descargas atmosféricas no estado, um volume 27,5% superior ao ano anterior. Desse total, a Região Metropolitana de Belo Horizonte concentrou quase 50 mil raios, sendo cerca de 1,9 mil ocorrências registradas apenas na capital mineira.

Esses números reforçam a importância do acompanhamento meteorológico para reduzir riscos operacionais e garantir maior segurança na gestão do sistema elétrico.

Sistema também monitora queimadas próximas às linhas de energia

Durante o período seco, quando aumentam os riscos de incêndios florestais, o setor de meteorologia da companhia também atua no monitoramento de focos de calor próximos às linhas de transmissão e distribuição. A tecnologia utiliza dados de satélites para identificar queimadas em um raio de até 1,5 quilômetro da infraestrutura elétrica.

“O sistema recebe informações de uma rede de satélites orbitais, que mapeiam, por meio de sensores térmicos, os focos de calor em todo o território mineiro. Esses dados são cruzados com as coordenadas georreferenciadas das linhas de distribuição e transmissão de alta tensão”, conta Ruany Maia.

A especialista ainda detalhou que o sistema permite ao Centro de Operações da Cemig (COD) o recebimento de alertas em tempo real sobre focos de incêndio próximos à infraestrutura. Com base nesses dados, as equipes de campo são prontamente acionadas para inspeções e, se necessário, executam manobras preventivas e ajustes no sistema para garantir a continuidade do fornecimento de energia.

Tecnologia ajuda a reduzir interrupções no fornecimento

Quando há risco direto para torres e linhas de transmissão, o Centro de Operações da companhia avalia alternativas operacionais para preservar o fornecimento de energia. Entre as medidas possíveis está a transferência de carga para outros circuitos, garantindo continuidade do atendimento aos consumidores enquanto as equipes realizam inspeções e intervenções na rede.

A mesma tecnologia também é utilizada na gestão do sistema de transmissão, auxiliando o Centro de Operação do Sistema (COS) na identificação de riscos em linhas de extra alta tensão.

Ao integrar meteorologia, monitoramento por satélite e operação do sistema elétrico, a Cemig busca reduzir o tempo de interrupção do fornecimento de energia e aumentar a resiliência da rede diante de eventos climáticos extremos, tendência que vem ganhando relevância em todo o setor elétrico brasileiro.

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