Bancos credores da Raízen contratam FTI Consulting e elevam tensão sobre reestruturação de dívida

Santander, Itaú, Bradesco, BB, BNP Paribas e Citi buscam assessoria financeira em meio a rebaixamentos agressivos da Fitch e da S&P; bonds em dólar operam em território de estresse

O mercado financeiro acompanha com atenção redobrada a deterioração do perfil de crédito da Raízen, uma das maiores operadoras globais de açúcar, etanol e bioenergia. Um grupo formado pelos principais bancos credores da companhia iniciou a contratação da FTI Consulting para assessorá-los na análise de alternativas diante do elevado endividamento e do ambiente de juros ainda restritivo.

Participam do movimento instituições de primeira linha, como Santander Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, BNP Paribas e Citi. A articulação ocorre após os títulos internacionais da companhia entrarem em território tecnicamente classificado como distressed, com prêmios de risco superiores a 1.000 pontos-base.

Controlada por Cosan e Shell, a Raízen enfrenta pressão crescente sobre a liquidez, em um cenário marcado por alto custo da dívida, volatilidade cambial e incertezas quanto ao suporte dos acionistas.

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FTI Consulting e o desenho de alternativas financeiras

A escolha da FTI Consulting sinaliza que os bancos buscam uma análise independente e aprofundada da estrutura de capital da companhia. Reconhecida globalmente por sua atuação em reestruturações complexas e gestão de crises corporativas, a consultoria deve avaliar cenários que incluem alongamento de prazos, revisão de covenants financeiros e eventuais mecanismos de reforço de garantias.

Do outro lado da mesa, detentores de bonds emitidos no exterior já haviam se organizado previamente, contratando a Moelis e o escritório White & Case como assessores para defender seus interesses nas negociações.

Em processos dessa natureza, a atuação de assessores financeiros é decisiva para calibrar propostas que preservem a continuidade operacional da empresa sem impor perdas desproporcionais aos credores, sobretudo em companhias com relevância sistêmica para cadeias estratégicas.

Rebaixamentos em série e perda de confiança do mercado

A deterioração do sentimento de mercado ganhou intensidade após ações coordenadas das principais agências de rating. No último dia 9 de fevereiro, a Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da Raízen em oito níveis, citando incertezas quanto ao suporte financeiro dos controladores em prazo e montante adequados. Na mesma data, a S&P Global Ratings promoveu corte de sete níveis.

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Os rebaixamentos aceleraram a desvalorização dos títulos denominados em dólar, que passaram a negociar com spreads superiores a 1.000 pontos-base, patamar associado a alto risco de crédito e possibilidade de reestruturação.

O movimento ocorreu em meio a negociações entre Cosan e Shell sobre uma potencial injeção de capital. A ausência de um anúncio concreto de aporte ampliou a percepção de risco e pressionou ainda mais o custo de financiamento da companhia.

Estrutura de capital sob pressão

A Raízen figura entre as maiores empresas de bioenergia do mundo, com atuação integrada em produção de açúcar, etanol, geração de energia a partir de biomassa e distribuição de combustíveis. No entanto, a combinação entre ciclo de investimentos intensivo, alavancagem elevada e ambiente macroeconômico adverso elevou significativamente o peso do serviço da dívida sobre a geração de caixa.

O alto custo financeiro passou a consumir parcela relevante do Ebitda operacional, reduzindo a flexibilidade para novos investimentos e ampliando a necessidade de reequilíbrio da estrutura de capital.

A formalização da contratação da FTI Consulting deve ocorrer nas próximas semanas, consolidando um ambiente de negociação técnica entre credores bancários, detentores de bonds e representantes da companhia.

Impactos para o setor de açúcar, etanol e energia

O desfecho da reestruturação da Raízen é acompanhado de perto por agentes do setor de açúcar e etanol, dada a dimensão da companhia na produção de biocombustíveis e sua relevância logística na distribuição de combustíveis no Brasil.

Uma solução estruturada e negociada tende a preservar a estabilidade da cadeia de suprimentos e evitar efeitos de contágio sobre fornecedores, produtores independentes e parceiros comerciais. Por outro lado, um cenário de impasse prolongado poderia ampliar a volatilidade no mercado de crédito corporativo e elevar o custo de captação para outras empresas do setor de energia e agronegócio.

O avanço das tratativas nas próximas semanas será determinante para definir se a companhia conseguirá reequilibrar sua estrutura financeira por meio de negociação privada ou se enfrentará um processo mais profundo de reestruturação.

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