Diesel B deve alcançar 70,8 milhões de m³ em 2026 com impulso do agronegócio e da logística pesada

Revisão da StoneX reflete safra maior de soja, maior circulação de veículos pesados e manutenção de elevada dependência de importações de diesel A

A demanda por diesel B no Brasil deve manter trajetória de crescimento em 2026, impulsionada pelo avanço da atividade agrícola, pela logística de escoamento de grãos e pelo aumento do fluxo de veículos pesados. A estimativa consta de revisão divulgada pela StoneX, que elevou sua projeção de consumo para 70,8 milhões de metros cúbicos no próximo ano, volume 1,9% superior ao registrado em 2025 e acima da previsão anterior, de 70,4 milhões de m³.

A atualização reforça a leitura de um cenário estruturalmente mais apertado para o abastecimento de combustíveis no país, com impactos diretos sobre a necessidade de importações de diesel A e sobre a dinâmica do mercado de biodiesel, especialmente diante das incertezas relacionadas à evolução do mandato de mistura obrigatória.

Safra maior sustenta revisão da demanda por diesel B

O ajuste para cima nas projeções está diretamente associado ao desempenho esperado do agronegócio, em especial da soja, que segue como principal vetor de demanda por transporte rodoviário no Brasil. A avaliação é de Bruno Cordeiro, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX. “A elevação das estimativas de safra, especialmente de soja, sustenta um maior fluxo de transporte de grãos no país e, consequentemente, um consumo mais elevado de diesel B em 2026”, realça.

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Do ponto de vista regional, a consultoria identifica avanço mais expressivo no Sul, em função da recuperação das safras de soja e milho, e no Sudeste, impulsionado pelo ritmo elevado das exportações agrícolas, industriais e do setor extrativista. No Centro-Oeste, o crescimento tende a ser mais moderado, refletindo expectativas de menor produção de soja em alguns estados.

Importações de diesel A permanecem elevadas em 2026

Mesmo com projeção de aumento da produção doméstica, o Brasil deve seguir altamente dependente de importações de diesel A em 2026. A StoneX trabalha com dois cenários: a manutenção da mistura obrigatória em B15 ao longo de todo o ano ou a elevação para B16 a partir de julho.

Em ambos os casos, a produção nacional apresenta leve crescimento, com a suspensão da oferta da refinaria de Manguinhos sendo compensada pelo avanço operacional das refinarias da Petrobras, que devem operar em 2026 com um calendário mais favorável, marcado por menor número de paradas programadas.

No cenário base, com B15, a demanda por diesel A é estimada em 60,4 milhões de m³, crescimento de 1% em relação a 2025, exigindo importações de 17,8 milhões de m³, o maior volume da série histórica. Já no cenário alternativo, com B16 no segundo semestre, o consumo do diesel fóssil recuaria para 59,9 milhões de m³, com importações ao redor de 17,3 milhões de m³.

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Ao analisar a sensibilidade da demanda ao mandato de biodiesel, Bruno Cordeiro afirma: “A depender da evolução do mandato de biodiesel ao longo do ano, podemos observar diferenças relevantes na demanda por diesel A e no volume a ser importado”.

Mesmo com esse ajuste marginal entre os cenários, a participação das importações na oferta nacional permanece elevada, variando entre 29,0% e 29,3% em 2026, reforçando o desafio estrutural do abastecimento do mercado brasileiro.

Biodiesel pode superar 10,7 milhões de m³ com possível avanço do mandato

O mercado de biodiesel deve seguir em expansão em 2026, sustentado tanto pelo aumento da demanda por diesel B quanto pela possibilidade de elevação da mistura obrigatória. Segundo a StoneX, no cenário de manutenção do B15, o consumo pode alcançar 10,4 milhões de m³, crescimento de 7,1% e novo recorde histórico.

Caso o B16 seja implementado a partir de julho, a demanda pode superar 10,7 milhões de m³, avanço de 10,8% frente a 2025, exigindo até 8,6 milhões de toneladas de óleo de soja. A análise é apresentada por Isabela Garcia, analista de Inteligência de Mercado da consultoria. “Trabalhamos com diferentes cenários porque ainda há incertezas sobre o cronograma de elevação da mistura”, destaca.

A analista também chama atenção para os impactos diretos sobre o complexo soja. “Uma eventual elevação da mistura amplia de forma significativa a necessidade de óleo de soja no mercado doméstico, reforçando o papel do biodiesel como vetor estrutural de demanda”, ressalta.

As definições sobre o ritmo de elevação do mandato seguem no radar do setor e dependem de decisões do CNPE, o que mantém elevado o grau de incerteza para os agentes da cadeia.

Base de comparação forte em 2025 reforça tendência de crescimento

Os dados consolidados de 2025 ajudam a explicar o ponto de partida elevado para 2026. De acordo com informações da ANP, as vendas de diesel B totalizaram 69,4 milhões de m³ no ano passado, crescimento de 3% em relação a 2024, volume ligeiramente acima das estimativas da StoneX.

Ao avaliar esse desempenho, Bruno Cordeiro observa que “as boas safras e o crescimento da atividade industrial ampliaram o fluxo de veículos pesados, impulsionando o consumo”.

No biodiesel, o consumo somou 9,7 milhões de m³ em 2025, avanço de 7,4% na comparação anual, com aceleração relevante no quarto trimestre, quando as vendas cresceram 9,7%, impulsionadas pelo desempenho de dezembro.

O uso de óleo de soja superou 6,8 milhões de toneladas, alta de 9,3%, com o share médio da matéria-prima atingindo 73,4% no ano. Ao analisar esse movimento, Isabela Garcia conclui: “O crescimento da demanda por diesel B e a elevação da mistura para 15% a partir de agosto foram determinantes para o avanço do consumo”.

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