Usinas da Copel repassam R$ 147 milhões em compensação hídrica e reforçam orçamento de 36 municípios do Paraná

Hidrelétricas do Rio Iguaçu concentram 70% dos recursos e evidenciam papel estratégico da geração renovável no desenvolvimento regional

A operação das usinas hidrelétricas da Copel garantiu, ao longo de 2025, um volume de R$ 147 milhões em repasses públicos referentes à compensação financeira pelo uso dos recursos hídricos na geração de energia elétrica. Do total, R$ 85 milhões foram destinados diretamente a 36 municípios paranaenses que possuem áreas alagadas por reservatórios de empreendimentos da companhia, enquanto R$ 32 milhões foram repassados ao governo do Paraná e cerca de R$ 29 milhões à União, conforme determina a legislação federal.

Os dados reforçam a relevância da geração hidrelétrica não apenas para a segurança energética do país, mas também como instrumento estruturante de financiamento público local. A compensação hídrica representa uma fonte recorrente de receitas para municípios lindeiros a reservatórios, com impacto direto sobre investimentos em políticas públicas, infraestrutura e serviços essenciais.

Rio Iguaçu concentra maior volume de recursos

O complexo hidrelétrico do Rio Iguaçu, composto pelas usinas de Foz do Areia, Segredo e Salto Caxias, liderou o volume de repasses em 2025. Juntos, os três ativos geraram R$ 104 milhões em compensações, montante que representa aproximadamente 70% de todo o valor distribuído pela Copel no exercício.

- Advertisement -

No ano passado, os empreendimentos geraram 16.855 GWh, volume equivalente a quase metade de toda a energia consumida pelos clientes da Copel no Paraná. O desempenho operacional reforça o peso estratégico do complexo hidrelétrico do Iguaçu no atendimento ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e na composição da matriz elétrica estadual.

O diretor-geral da Copel Geração e Transmissão, Moacir Bertol, destaca que os repasses refletem uma externalidade positiva da atividade de geração. “Os repasses da compensação financeira demonstram a relevância das nossas usinas na produção de energia elétrica e para o desenvolvimento regional. A geração hidrelétrica é limpa, renovável, segura para o País e, ainda, contribui diretamente para o fortalecimento das receitas municipais, estaduais e federais, apoiando políticas públicas e serviços essenciais à população”, afirma.

Impacto direto nas finanças municipais

Entre os municípios beneficiados está Bituruna, no sudeste paranaense, com cerca de 15 mil habitantes. Somente em 2025, a prefeitura local recebeu mais de R$ 9 milhões em compensação financeira pela exploração dos recursos hídricos.

O prefeito Rodrigo Rossoni ressalta que os recursos têm papel central no equilíbrio fiscal do município e na ampliação da capacidade de investimento. “Os recursos estão sendo aplicados na educação, saúde, agricultura e na infraestrutura urbana e rural, fortalecendo os serviços públicos, apoiando o produtor rural e garantindo melhorias em obras e espaços do município”, afirma.

- Advertisement -

A dinâmica se repete em dezenas de cidades lindeiras a reservatórios, que utilizam a compensação como fonte estruturante para custeio de serviços, manutenção de equipamentos públicos e execução de obras.

Evolução dos repasses e dependência hidrológica

Nos últimos cinco anos, a Copel acumulou R$ 638 milhões em repasses de compensação financeira, evidenciando a relevância contínua da geração hidrelétrica para a economia regional. Em 2024, o valor atingiu um recorde histórico de R$ 162 milhões, impulsionado por um cenário hidrológico especialmente favorável no Paraná.

Segundo Bertol, a variação dos repasses acompanha diretamente o comportamento das vazões e o despacho das usinas. “O volume pago acompanha diretamente a geração de energia. Em anos com vazões mais favoráveis, nossas usinas são mais demandadas para atender à demanda do Sistema Interligado Nacional e, naturalmente, os repasses aumentam; quando o regime de chuvas é mais moderado, ocorre o contrário. Ainda assim, trata-se de uma receita importante para os municípios lindeiros aos reservatórios”, explica.

Esse vínculo entre hidrologia, operação do sistema elétrico e arrecadação pública reforça o papel estratégico das hidrelétricas em um contexto de transição energética e crescente integração de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.

Como funciona a compensação financeira

A compensação financeira pelo uso de recursos hídricos é paga mensalmente pelas concessionárias de geração hidrelétrica e corresponde a 7% da energia produzida em cada usina, calculada com base na Tarifa Atualizada de Referência (TAR), definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Desse total, 6,25% são distribuídos entre municípios com áreas alagadas (65%), Estados (25%) e órgãos da administração direta da União (10%). A parcela restante, de 0,75%, é destinada ao Ministério do Meio Ambiente, para financiamento da Política Nacional de Recursos Hídricos e do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

O rateio entre os municípios é proporcional à área ocupada pelos reservatórios. Em alguns casos, há ainda parcelas adicionais para municípios situados rio abaixo, que se beneficiam da regularização de vazões promovida pelas barragens.

Em 2025, 36 municípios paranaenses receberam recursos da compensação financeira associada às usinas da Copel, entre eles Antonina, Bituruna, Guarapuava, São José dos Pinhais, União da Vitória e Quedas do Iguaçu, consolidando a hidreletricidade como vetor relevante de desenvolvimento regional no Estado.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias