Transação com a Vista Energy envolve campos estratégicos na principal formação não convencional da Argentina e preserva presença da companhia norueguesa no offshore do país
A Equinor deu mais um passo relevante em sua estratégia de reconfiguração global de portfólio ao anunciar a venda de todos os seus ativos terrestres na bacia de Vaca Muerta, na Argentina, por cerca de US$ 1,1 bilhão. A operação foi fechada com a mexicana Vista Energy e envolve a transferência das participações não operadas de 30% no bloco Bandurria Sur e de 50% em Bajo del Toro, duas áreas consideradas de alto valor dentro da principal província de óleo e gás não convencional da América do Sul.
A transação, que entra em vigor em 1º de julho de 2025, não afeta os ativos offshore da Equinor no país, preservando a presença da companhia no segmento exploratório em águas profundas na Argentina.
Estrutura financeira da operação e geração imediata de caixa
Do ponto de vista financeiro, o acordo prevê um pagamento inicial em dinheiro de US$ 550 milhões no fechamento, além da entrega de ações da Vista Energy à Equinor. O valor total da transação inclui ainda pagamentos contingentes atrelados à evolução da produção e aos preços internacionais do petróleo ao longo de um período de cinco anos, mecanismo que permite capturar upside em caso de desempenho operacional acima do esperado.
A estrutura híbrida da operação reforça a leitura de que se trata não apenas de uma saída de ativos, mas de uma realocação estratégica de capital, combinando liquidez imediata com exposição residual ao desempenho futuro dos campos.
Reposicionamento estratégico e foco em mercados prioritários
A desinvestimento é apresentada pela cúpula da petroleira norueguesa como um passo tático para concentrar capital em ativos de maior retorno. Philippe Mathieu, vice-presidente executivo de Exploração e Produção Internacional da Equinor, ressaltou que o movimento reflete a busca por uma carteira global mais eficiente:
“Estamos obtendo valor de dois ativos de alta qualidade que desenvolvemos ativamente, enquanto continuamos a aprimorar nosso portfólio internacional. Esta transação fortalece a flexibilidade financeira da Equinor, enquanto avaliamos oportunidades em nossos principais mercados internacionais, onde prevemos um crescimento substancial até 2030. Ao mesmo tempo, mantemos a flexibilidade por meio de nossas posições offshore na Argentina”, afirmou o executivo.
A venda ocorre em um momento em que a Equinor vem priorizando projetos de maior escala, com sinergias globais e retorno ajustado ao risco mais atrativo, em linha com sua estratégia de longo prazo que combina produção de óleo e gás, expansão em renováveis e investimentos em soluções de baixo carbono.
Vaca Muerta: ativo estratégico em disputa no cenário regional
A bacia de Vaca Muerta é considerada uma das maiores reservas de shale oil e shale gas do mundo fora dos Estados Unidos e ocupa posição central na política energética da Argentina. A entrada da Vista Energy como compradora consolida o movimento de fortalecimento de empresas independentes regionais na operação direta dos campos, em substituição gradual às grandes majors internacionais.
Para a Vista, a aquisição amplia significativamente sua escala produtiva e seu portfólio de ativos de alta produtividade, reforçando sua estratégia de se posicionar como uma das principais operadoras de não convencionais da América Latina.
Offshore argentino permanece no radar da Equinor
Apesar da saída dos ativos terrestres, a Equinor mantém uma presença relevante no offshore argentino. Em 2019, a companhia incorporou oito licenças de exploração nas bacias Norte Argentina, Austral e Malvinas, ampliando sua exposição ao potencial de águas profundas no país.
O portfólio offshore ainda se encontra em fase de avaliação geológica e sísmica, com estudos em andamento para definir as alternativas mais atrativas do ponto de vista comercial. No momento, não há compromissos firmes de perfuração nessas áreas, o que preserva a flexibilidade de capital da empresa em um contexto de disciplina financeira e seletividade de investimentos.
Sobre esse reposicionamento, Chris Golden, vice-presidente sênior para os EUA e Argentina em Exploração e Produção Internacional da Equinor, reforçou o racional da decisão. “Esta é uma decisão orientada por valor que aumenta a resiliência do nosso portfólio internacional e reforça nosso foco na Argentina”, afirma o executivo.
Implicações para o portfólio global da Equinor
A operação em Vaca Muerta se insere em um movimento mais amplo de revisão estratégica promovido pelas grandes empresas de energia, que vêm ajustando seus portfólios em resposta a três vetores centrais: disciplina de capital, volatilidade geopolítica e transição energética.
No caso da Equinor, a venda de ativos onshore não convencionais na Argentina libera recursos para projetos considerados prioritários, tanto no upstream tradicional quanto em áreas como eólica offshore, captura e armazenamento de carbono (CCS) e hidrogênio, mantendo a companhia posicionada como uma das líderes globais na transformação do setor de energia.



