Ex-diretora do MME, Ana Carolina Argolo assume presidência interina da ANA em transição institucional até março de 2026

Diretora ficará à frente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico por dois meses, em período estratégico para a agenda regulatória hídrica e de saneamento

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) iniciou uma nova fase de transição institucional com a designação da diretora Ana Carolina Argolo para o cargo de diretora-presidente interina. A nomeação passou a valer nesta segunda-feira, 26 de janeiro, em decorrência do término do mandato da então presidente Veronica Sánchez, e está formalizada na Resolução ANA nº 280, de 22 de dezembro de 2025.

O exercício interino terá duração de dois meses, com encerramento previsto para 15 de março de 2026, conforme decisão da diretoria colegiada da agência tomada em 16 de dezembro do ano passado. O período coincide com uma etapa relevante da agenda regulatória da ANA, que envolve temas estruturantes para a gestão dos recursos hídricos e a regulação do saneamento básico no país.

Continuidade administrativa e governança regulatória

Durante o mandato interino, Ana Carolina Argolo manterá a distribuição regular de processos para relatoria e seguirá responsável pela supervisão das áreas sob sua atribuição, assegurando a continuidade administrativa da agência. A ANA informou ainda que, em caso de afastamento ou impedimento legal da presidente interina, a função será exercida pelo diretor ou diretora com menor tempo de mandato remanescente.

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A definição busca preservar a estabilidade decisória da autarquia em um momento de transição, evitando descontinuidades na condução dos processos regulatórios e técnicos. A ANA desempenha papel central na coordenação da Política Nacional de Recursos Hídricos, na implementação do novo marco legal do saneamento e na articulação federativa entre União, estados e municípios.

Perfil técnico com foco em gestão ambiental e recursos hídricos

Geóloga formada pela Universidade de Brasília (UnB), Ana Carolina Argolo possui pós-graduação em Gestão e Tecnologias Ambientais pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e em Geoprocessamento Ambiental pela UnB. Sua formação acadêmica é voltada à gestão de risco geológico e aos estudos de disponibilidade hídrica em aquíferos subterrâneos, áreas diretamente relacionadas às atribuições estratégicas da ANA.

A dirigente acumula experiência no setor privado, onde atuou em consultoria ambiental, inicialmente como analista e, posteriormente, como diretora técnica em projetos de licenciamento ambiental. Essa trajetória confere à presidente interina uma visão prática sobre os desafios enfrentados por empreendimentos de infraestrutura e pelos agentes regulados em processos de licenciamento e gestão ambiental.

Experiência no setor público e interface com energia e mineração

No setor público, Ana Carolina Argolo exerceu o cargo de diretora do Departamento de Desenvolvimento Sustentável na Mineração, vinculado à Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME). A passagem pelo MME reforça sua familiaridade com a interface entre recursos hídricos, mineração, energia e sustentabilidade, temas cada vez mais interligados no contexto da transição energética e da segurança hídrica.

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Essa experiência transversal tende a ser relevante em um período em que a ANA é chamada a dialogar de forma mais intensa com o setor elétrico, especialmente em temas como outorgas de uso da água para geração hidrelétrica, eventos climáticos extremos, segurança de barragens e integração entre planejamento hídrico e energético.

Agenda estratégica até março de 2026

Embora o mandato interino seja curto, o período até março de 2026 será marcado por decisões técnicas e institucionais importantes para a agência. A expectativa do setor é de que a ANA mantenha o ritmo de atuação regulatória, assegurando previsibilidade e consistência técnica em um cenário de crescente pressão sobre os recursos hídricos e de ampliação das responsabilidades da autarquia no saneamento básico.

A transição ocorre em um ambiente em que governança, segurança regulatória e capacidade técnica seguem como elementos centrais para a credibilidade da ANA junto aos agentes do setor elétrico, de saneamento e de infraestrutura, bem como para o fortalecimento das políticas públicas associadas à água no Brasil.

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