MME amplia diálogo com setor rural e prorroga consulta sobre novo modelo de desconto tarifário para irrigação e aquicultura

Proposta busca modernizar subsídio, ampliar flexibilidade de horários e alinhar consumo do campo à operação eficiente do sistema elétrico

O Ministério de Minas e Energia (MME) reforçou o diálogo com o setor agropecuário e decidiu prorrogar até 11 de fevereiro de 2026 o prazo da Consulta Pública nº 209, que trata da modernização do desconto tarifário para irrigação e aquicultura. A medida tem como objetivo ampliar a participação social e ajustar a política pública às demandas produtivas do campo, ao mesmo tempo em que busca induzir um uso mais eficiente da energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN).

A decisão foi anunciada durante reunião realizada nesta segunda-feira (26/01), que reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e de entidades da classe rural. O encontro teve caráter técnico e consultivo, com foco na avaliação dos impactos regulatórios e operacionais da proposta.

Desconto tarifário como instrumento de gestão da demanda

Na visão do MME, a reformulação do benefício vai além de uma política de subsídio ao setor produtivo e passa a desempenhar um papel estratégico na gestão da carga do sistema elétrico, ao incentivar o deslocamento do consumo para períodos de menor demanda. Ao analisar a lógica da proposta, o secretário Nacional de Energia Elétrica, João Daniel Cascalho, afirmou que a medida combina política energética e política agrícola, com ganhos de eficiência sistêmica.

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“Essa medida é estratégica para levar energia de qualidade ao campo e fortalecer a produção rural. Com base técnica e diálogo com o setor, estamos ampliando a flexibilidade no uso da energia, garantindo ao produtor a possibilidade de escolher o melhor horário para utilizar o benefício tarifário. É mais autonomia para que o agricultor organize sua produção com eficiência e previsibilidade”, destacou.

Segundo o MME, o modelo atual de desconto apresenta rigidez de horários e não dialoga com a diversidade regional dos sistemas produtivos, especialmente em atividades intensivas em energia, como bombeamento de água para irrigação e sistemas de aeração na aquicultura.

Modernização regulatória e alinhamento à Lei 15.235/2025

A proposta em consulta pública regulamenta dispositivos da Lei nº 15.235/2025, que atualizou as regras para a concessão de descontos na tarifa de energia elétrica para unidades consumidoras da Classe Rural. O novo desenho regulatório amplia a liberdade de escolha dos horários de fruição do benefício, permitindo que o produtor adeque o consumo às suas janelas operacionais.

Do ponto de vista do sistema elétrico, a mudança busca induzir uma resposta da demanda, com maior consumo fora dos horários de pico, contribuindo para reduzir a necessidade de despacho térmico, mitigar sobrecargas na rede e otimizar o aproveitamento da geração existente.

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Na avaliação técnica do MME, trata-se de um instrumento de sinal locacional e temporal de preço, capaz de alinhar o comportamento do consumidor rural à lógica de eficiência econômica do setor elétrico.

Integração entre política agrícola e política energética

Durante a reunião interministerial, o governo destacou que a política tarifária precisa estar integrada às transformações estruturais do agronegócio brasileiro, marcado por maior digitalização, uso intensivo de tecnologias de irrigação, automação e aumento da demanda energética no campo.

O diálogo com MAPA, MIDR e ANA teve como foco garantir que a nova regulamentação respeite as realidades regionais, as particularidades dos biomas e a disponibilidade hídrica, evitando distorções que possam comprometer tanto a produtividade agrícola quanto a sustentabilidade dos recursos naturais.

Para o MME, a prorrogação da consulta pública é uma estratégia para qualificar a regulação, reduzir assimetrias de informação e construir um modelo que seja tecnicamente consistente, juridicamente seguro e socialmente legitimado.

Eficiência sistêmica e previsibilidade para o produtor

Do ponto de vista econômico, a proposta tende a gerar um ganho duplo: redução de custos operacionais para o produtor rural e melhora do perfil de carga do sistema elétrico.

Com maior liberdade de horário, atividades como irrigação noturna e ciclos produtivos deslocados para períodos de menor consumo urbano podem ser intensificadas, reduzindo pressão sobre a rede nos horários críticos e ampliando o aproveitamento da infraestrutura existente.

Segundo o MME, a política reforça uma mudança de paradigma: o desconto tarifário deixa de ser apenas um benefício setorial e passa a ser um instrumento ativo de gestão da demanda, alinhado à lógica de modernização do setor elétrico brasileiro.

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