Planejamento do MME e da EPE reforça segurança energética dos sistemas isolados e acelera transição na Amazônia

Documento projeta expansão da oferta, redução de custos e avanço das fontes renováveis em regiões fora do Sistema Interligado Nacional, com foco em segurança energética, eficiência e sustentabilidade até 2030

O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) deram mais um passo estratégico para o fortalecimento da segurança energética brasileira ao publicarem o Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados – ciclo 2026 a 2030. O documento consolida informações fundamentais sobre a operação, a expansão e a transição energética em regiões não conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN), com foco na redução de custos, no aumento da confiabilidade do suprimento e na diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

O estudo apresenta um diagnóstico detalhado da situação atual dos Sistemas Isolados (SISOL), incluindo projeções de mercado, balanço entre oferta e demanda, necessidades de expansão da geração e avaliação das alternativas tecnológicas disponíveis. Trata-se de um instrumento estratégico para orientar políticas públicas, decisões regulatórias e investimentos no setor elétrico, especialmente em áreas remotas e de difícil acesso, majoritariamente localizadas na Região Norte.

Planejamento estruturado para garantir segurança do suprimento

De acordo com o documento, o planejamento do atendimento aos sistemas isolados tem como objetivo central assegurar o suprimento de energia elétrica de forma contínua, confiável e sustentável. A publicação reúne dados detalhados por localidade, abordando desde projeções de carga até a identificação de déficits potenciais e soluções estruturais para suprir a demanda futura.

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Atualmente, cerca de 1,965 milhão de pessoas são atendidas por sistemas isolados no Brasil, distribuídas em 160 localidades. Esse número representa uma redução significativa em relação a 2022, quando havia 212 sistemas isolados, evidenciando o avanço do processo de interligação ao SIN e a consolidação de políticas públicas voltadas à universalização do acesso à energia.

Segundo o planejamento, a estratégia adotada busca não apenas garantir o fornecimento, mas também reduzir custos operacionais, aumentar a confiabilidade do sistema e promover a transição energética por meio da substituição gradual de fontes fósseis por alternativas mais limpas.

Avanço das interligações e redução da dependência de combustíveis fósseis

Um dos destaques do estudo é o avanço expressivo das interligações ao Sistema Interligado Nacional. Entre 2018 e 2025, 110 localidades passaram a ser atendidas pelo SIN, beneficiando mais de 1,2 milhão de pessoas. Somente entre 2023 e 2025, foram 36 localidades interligadas, incluindo a capital de Roraima, Boa Vista, que passou a integrar o sistema nacional em setembro de 2025.

A entrada de Boa Vista no SIN representa um marco histórico para o setor elétrico brasileiro. Até então, a capital era atendida majoritariamente por geração térmica local, com elevados custos operacionais e impacto ambiental significativo. Com a interligação, a carga dos sistemas isolados foi reduzida em cerca de 50%, contribuindo diretamente para a diminuição das emissões de CO₂ e para a redução dos custos de geração.

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O planejamento projeta ainda a interligação de outras 16 localidades até 2030, reforçando a estratégia de expansão do sistema interligado como vetor de segurança energética e sustentabilidade.

Fontes renováveis e soluções híbridas ganham protagonismo

Outro ponto central do planejamento é o avanço das soluções híbridas e das fontes renováveis nos sistemas isolados. O documento destaca os resultados do Leilão SISOL 2025, que contratou projetos híbridos combinando geração a diesel, solar fotovoltaica e sistemas de armazenamento de energia.

O certame estabeleceu, de forma inédita, a exigência mínima de 22% de participação de fontes renováveis nos projetos contratados, ampliando a penetração de tecnologias limpas e reduzindo a dependência do diesel. Entre os destaques está a contratação do maior sistema de armazenamento por baterias (BESS) do país, com 30 MW, associado a uma usina solar no município de Jacareacanga, no Pará.

Essas iniciativas refletem a diretriz de promover a transição energética nos sistemas isolados, combinando segurança de suprimento, redução de custos e diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

Programa Energias da Amazônia e modernização do atendimento

O planejamento também evidencia os resultados do Programa Energias da Amazônia, que tem como foco a modernização da infraestrutura elétrica em regiões remotas. Entre as ações destacadas estão projetos aprovados pelo Comitê Gestor do Programa de Redução Estrutural de Custos de Geração de Energia na Amazônia Legal (CGPAL), voltados à hibridização de usinas a diesel com fontes renováveis e sistemas de armazenamento, além da modernização da iluminação pública.

Essas iniciativas contribuem para reduzir custos operacionais, melhorar a qualidade do serviço e ampliar a sustentabilidade ambiental dos sistemas atendidos.

Transparência e acesso à informação

Outro avanço relevante apontado no planejamento é o fortalecimento do Portal de Acompanhamento e Informações dos Sistemas Isolados (PASI). A plataforma disponibiliza dados detalhados sobre carga, demanda, custos de geração, emissões e projeções até 2035, permitindo análises mais precisas por parte de agentes do setor, formuladores de políticas públicas e pesquisadores.

A ampliação da transparência reforça o papel do planejamento como instrumento estratégico para o setor elétrico e amplia a capacidade de acompanhamento da evolução dos sistemas isolados ao longo do tempo.

Uma agenda estruturante para a transição energética

Ao consolidar dados, projeções e diretrizes, o Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados 2026–2030 se posiciona como um instrumento-chave para a política energética nacional.

A combinação entre expansão da infraestrutura, redução de custos, incorporação de fontes renováveis e fortalecimento institucional cria as bases para uma transição energética mais equilibrada e inclusiva, especialmente em regiões historicamente mais vulneráveis.

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