ONS projeta afluências acima da média e sinaliza cenário mais favorável para o sistema elétrico em 2026

Primeiras projeções do Programa Mensal de Operação indicam recuperação hidrológica em importantes bacias e reforçam segurança do atendimento, com destaque para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Norte

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou as primeiras projeções oficiais para o desempenho do sistema elétrico brasileiro em 2026, indicando um cenário mais favorável do ponto de vista hidrológico e operacional. De acordo com o Boletim do Programa Mensal de Operação (PMO), referente à semana operativa entre 27 de dezembro e 2 de janeiro, os principais subsistemas do país devem iniciar o próximo ano com níveis de Energia Natural Afluente (ENA) acima da média histórica, reforçando a segurança do atendimento e reduzindo a pressão sobre o despacho térmico.

Os dados mostram que os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Norte apresentam as melhores perspectivas, com projeções de 83% e 85% da Média de Longo Termo (MLT), respectivamente. No Sul, a expectativa é de que a ENA alcance 75% da média histórica, enquanto o Nordeste deve registrar 55% da MLT. Esses indicadores refletem uma condição hidrológica mais confortável em relação a períodos recentes, quando a variabilidade climática impôs desafios relevantes à operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Importância estratégica das afluências para o sistema elétrico

As projeções divulgadas pelo ONS têm papel central no planejamento da operação do sistema, uma vez que a geração hidrelétrica segue como pilar da matriz elétrica brasileira. A Energia Natural Afluente indica o volume de água que chega aos reservatórios e, consequentemente, o potencial de geração das usinas hidrelétricas.

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Ao explicar os dados, o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, destacou a relevância das projeções para a tomada de decisão operacional. “Estes indicadores são importantes para definirmos a nossa política operativa e o subsistema Sudeste/Centro-Oeste concentra cerca de 70% dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional. Com o avanço do verão, a tendência é que a demanda de carga aumente nos próximos meses e, assim como fizemos durante todo este ano de 2025, continuaremos acompanhando os cenários e atuando para adotar as medidas necessárias que vão continuar garantindo o pleno atendimento à sociedade”, afirmou.

A fala reforça o papel do planejamento antecipado e da gestão integrada dos recursos hídricos como instrumentos essenciais para garantir segurança energética, especialmente em períodos de maior consumo.

Armazenamento de energia indica maior conforto operacional

Além das projeções de afluência, o boletim do ONS traz estimativas para os níveis de Energia Armazenada (EAR) ao final de janeiro. O destaque fica novamente para o subsistema Sul, que pode alcançar 64,3% de armazenamento. Na sequência aparecem o Norte, com 58,9%, o Nordeste, com 55,3%, e o Sudeste/Centro-Oeste, com 53,5%.

Esses percentuais indicam uma situação mais equilibrada em relação a anos anteriores marcados por maior estresse hídrico. Níveis mais elevados de armazenamento reduzem a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo de geração mais elevado e maior impacto ambiental, além de contribuírem para a estabilidade dos preços de energia no mercado de curto prazo.

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Demanda em alta e sinais de retomada do consumo

O boletim do ONS também aponta para um crescimento da carga no Sistema Interligado Nacional. A previsão é de que a demanda total alcance 84.582 MWmed, o que representa uma expansão de 1,6% em relação a janeiro de 2025. O avanço mais expressivo ocorre no subsistema Norte, com crescimento estimado de 11,5% (8.532 MWmed), seguido pelo Nordeste, com alta de 7,0% (14.341 MWmed).

Por outro lado, o Sudeste/Centro-Oeste deve registrar leve retração de 1,1%, totalizando 46.612 MWmed, enquanto o Sul apresenta queda marginal de 0,1%, com carga estimada em 15.097 MWmed. Esses movimentos refletem mudanças regionais na atividade econômica, além de fatores climáticos e estruturais que influenciam o consumo de energia.

Custo marginal e sinalização ao mercado

O Custo Marginal de Operação (CMO), indicador fundamental para a formação de preços no mercado de curto prazo, também foi divulgado. Para os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste, o valor estimado é de R$ 163,88/MWh. No Norte, o CMO é superior, atingindo R$ 289,25/MWh, refletindo restrições elétricas e características específicas da região.

Segundo o diretor-geral do ONS, o trabalho contínuo de acompanhamento das condições do sistema tem sido essencial para garantir eficiência operacional. “Avançamos em muitos aspectos neste ano e seguiremos atuando para garantir a operação do SIN ainda mais eficiente e com o menor custo possível”, reforçou Marcio Rea.

Com indicadores hidrológicos mais favoráveis, níveis de armazenamento em recuperação e projeções consistentes de demanda, o cenário traçado pelo ONS aponta para um início de 2026 mais equilibrado do ponto de vista energético. A consolidação desse quadro dependerá da manutenção das condições climáticas e da capacidade do setor em responder de forma coordenada aos desafios operacionais, assegurando confiabilidade, modicidade tarifária e segurança no suprimento de energia elétrica no país.

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