Petrobras e Braskem renovam contratos bilionários e reforçam integração entre refino, gás e petroquímica

Novos acordos de longo prazo somam quase US$ 18 bilhões, garantem previsibilidade de suprimento e têm impactos diretos sobre o mercado de energia, gás natural e derivados no Brasil

A Petrobras anunciou a celebração de novos contratos comerciais de longo prazo com a Braskem S.A., em um movimento estratégico que renova e amplia relações históricas entre as duas companhias justamente no momento de vencimento dos contratos vigentes. Os acordos envolvem fornecimento de nafta petroquímica, etano, propano, hidrogênio e propeno, com valores estimados que, somados, se aproximam de US$ 18 bilhões, reforçando a integração entre os segmentos de refino, gás natural e petroquímica no país.

A decisão tem relevância que vai além do âmbito corporativo. Em um cenário de reconfiguração do parque de refino, abertura do mercado de gás e busca por maior competitividade industrial, os novos contratos contribuem para dar previsibilidade ao suprimento de insumos energéticos e petroquímicos essenciais para a indústria brasileira, com reflexos diretos sobre o consumo de energia, a logística de combustíveis e a dinâmica do mercado de gás natural.

Nafta petroquímica: escala, previsibilidade e alinhamento internacional de preços

O principal bloco de contratos envolve a compra e venda de nafta petroquímica para abastecimento das plantas da Braskem nos estados de São Paulo, Bahia e Rio Grande do Sul. Os preços serão referenciados na cotação internacional da nafta, em linha com práticas de mercado e padrões globais do setor petroquímico.

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Os contratos estabelecem quantidades mínimas mensais de retirada, com flexibilidade para negociação de volumes adicionais ao longo do período contratual. Na prática, o fornecimento pode alcançar até 4,116 milhões de toneladas em 2026, avançando gradualmente até 4,316 milhões de toneladas em 2030. A vigência é de cinco anos, a partir de 1º de janeiro de 2026, com valor estimado de US$ 11,3 bilhões.

Para o setor energético, esse volume expressivo de nafta reforça o papel das refinarias da Petrobras como elo central entre o mercado de combustíveis e a indústria de transformação, além de garantir maior estabilidade operacional às plantas petroquímicas, que são grandes consumidoras de energia elétrica e vapor industrial.

Etano, propano e hidrogênio: gás natural como vetor estruturante

Outro eixo relevante dos novos acordos envolve o fornecimento de etano, propano e hidrogênio para o estado do Rio de Janeiro, com preços atrelados a referências internacionais de gás natural e propano. O contrato terá vigência de 11 anos, a partir de 1º de janeiro de 2026, e valor estimado de US$ 5,6 bilhões, o que o torna um dos mais longos e estratégicos já firmados entre as companhias.

Entre 2026 e 2028, o contrato prevê a manutenção da quantidade atualmente fornecida, correspondente a 580 mil toneladas por ano em eteno equivalente, com produção e fornecimento a partir da Refinaria Duque de Caxias (Reduc). A partir de 2029 até 2036, está previsto o aumento do volume contratado para 725 mil toneladas por ano em eteno equivalente, condicionado à ampliação das operações da Braskem, projeto que ainda se encontra em fase de desenvolvimento.

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Nesse segundo período, o fornecimento poderá ocorrer tanto pela Reduc quanto pelo Complexo de Energias Boaventura, antigo Comperj, consolidando o papel do gás natural e de seus derivados como insumos-chave não apenas para a indústria química, mas também para a transição energética e a eficiência do sistema industrial brasileiro.

Propeno amplia integração entre refinarias e indústria química

O terceiro conjunto de contratos trata da compra e venda de propeno, com origem nas refinarias Reduc, Recap e Refap, e preços baseados em referências internacionais do produto. Os volumes contratados chegam a até 140 mil toneladas por ano na Recap e 100 mil toneladas na Reduc. Na Refap, o fornecimento será escalonado, com volumes crescentes ao longo do período contratual, variando de 14 mil a 60 mil toneladas por ano.

Com vigência de cinco anos a partir de 18 de maio de 2026, esses contratos somam valor estimado de US$ 940 milhões. O propeno é um insumo essencial para a produção de polipropileno, material amplamente utilizado em setores como embalagens, automotivo e bens de consumo duráveis, todos fortemente conectados à demanda energética e à atividade industrial.

Governança, mercado e impactos para o setor elétrico

A Petrobras informou que a celebração dos contratos foi classificada como Transação com Parte Relacionada (TPR), realizada em condições estritamente comutativas, com observância aos princípios de transparência, equidade e alinhamento às condições de mercado. Os acordos passaram pela análise do Comitê de Auditoria Estatutário (CAE), reforçando a governança do processo.

Do ponto de vista do setor elétrico e energético, os novos contratos têm impacto indireto relevante. A previsibilidade de suprimento para a petroquímica sustenta níveis elevados de operação industrial, o que influencia a demanda por energia elétrica, gás natural e vapor. Além disso, o fortalecimento da infraestrutura de gás e refino contribui para maior resiliência do sistema energético nacional, especialmente em um momento de expansão de fontes renováveis intermitentes.

Ao renovar e ampliar sua relação comercial com a Braskem, a Petrobras sinaliza ao mercado que pretende manter um papel central na articulação entre energia, refino, gás e indústria de transformação, em uma estratégia que combina escala, integração vertical e alinhamento a referências internacionais de preços.

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