BNDES investe R$ 85,8 milhões na Bioo e acelera expansão do biometano no Brasil

Aporte via BNDESPAR reforça retorno do banco ao mercado de renda variável e apoia novos projetos de economia circular e descarbonização da agroindústria

O avanço do biometano como vetor estratégico da transição energética ganhou novo impulso com a aprovação de um investimento de R$ 85,8 milhões do BNDES na Bioo Investimentos e Participações S.A. O aporte, realizado por meio da BNDESPAR, marca a retomada do banco de fomento no mercado de renda variável voltado a economia verde, inovação e projetos de alto impacto ambiental.

Com a operação, o BNDES passa a deter 19,9% do capital social da Bioo, consolidando-se como um investidor institucional relevante em um dos segmentos mais promissores da matriz energética brasileira: a conversão de resíduos orgânicos em combustíveis renováveis, bioinsumos e produtos industriais de baixo carbono.

O movimento ocorre em um momento de expansão acelerada do mercado de biometano no país, impulsionado por fatores regulatórios, pela demanda crescente por combustíveis de origem renovável e pelo amadurecimento da cadeia de aproveitamento de resíduos da agroindústria.

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Bioo aposta em economia circular para escalar produção de biometano e insumos sustentáveis

A Bioo opera como uma plataforma integrada de biossoluções fundamentada no conceito de economia circular. A companhia recebe e trata resíduos orgânicos provenientes de cadeias agroindustriais, convertendo-os em biometano, CO₂ biogênico e biofertilizantes por meio de tecnologias avançadas de biodigestão e tratamento.

Esse modelo reduz emissões, substitui combustíveis fósseis e cria novas fontes de receita para a agroindústria, promovendo a valorização de resíduos que tradicionalmente gerariam custos ambientais e operacionais.

O novo investimento do BNDES se soma ao aporte adicional da Flying Rivers Capital, gestora especializada em investimentos climáticos surgida da vertical de clima da eB Capital, e tem como objetivo financiar o plano de expansão da Bioo, que prevê a construção de duas novas Centrais de Tratamento Integrado de Resíduos (CTIR) em regiões com alta disponibilidade de matéria-prima e demanda por energia limpa.

A primeira planta da empresa, localizada em Triunfo (RS), entrou em operação no segundo semestre de 2025 e já fornece biometano à Sulgás por meio de um contrato de longo prazo, consolidando o modelo de negócio.

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Mercadante: redução de emissões e transição ecológica guiam estratégia

Ao comentar o investimento, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou o papel estratégico do biometano dentro da transição ecológica e da meta brasileira de descarbonização da economia.

Segundo ele, “Com esse investimento, o BNDES contribui para a transição ecológica justa ao promover uma destinação mais sustentável dos resíduos. Cada planta de biometano da empresa poderá reduzir emissões de CO2 em volume equivalente ao gerado pelo consumo energético anual de até 20 mil residências”.

A fala reforça o alinhamento da operação com a agenda climática do banco, que tem priorizado projetos capazes de gerar impacto ambiental mensurável, criar mercados sustentáveis e apoiar tecnologias de fronteira.

Setor de biometano vive “momento de inflexão”, afirma CEO da Bioo

O CEO da Bioo, Maurício Cótica, contextualizou o investimento dentro do cenário regulatório e setorial que favorece a escalabilidade do biometano no Brasil. Ele ressalta que a aprovação da Lei do Combustível do Futuro e a publicação recente do decreto do biometano criam condições claras para expansão da oferta e contratação de longo prazo.

Segundo Cótica, “O mercado brasileiro de biometano vive um momento de inflexão com a aprovação da Lei do Combustível do Futuro e a recente publicação do decreto do biometano. A entrada de mais um investidor de referência como a BNDESPAR, somada ao aporte adicional da Flying Rivers Capital, reforça a solidez da nossa tese e nos permite replicar o sucesso de Triunfo, expandindo o mesmo modelo para novas regiões do Brasil”.

A estratégia da companhia é consolidar hubs regionais de conversão de resíduos em biocombustíveis e bioinsumos, diminuindo emissões da cadeia agroindustrial e criando alternativas competitivas aos combustíveis fósseis.

Projeto integra plataforma BIP e mira mobilização de capital climático

O investimento na Bioo integra a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP), iniciativa que busca ampliar a conexão entre projetos brasileiros e fontes globais de financiamento para descarbonização.

A BIP já reúne um pipeline de 16 projetos, com potencial de mobilizar cerca de US$ 23 bilhões em investimentos verdes, envolvendo infraestrutura sustentável, energia limpa, economia circular e tecnologia de baixo carbono.

A inclusão da Bioo reforça o posicionamento do biometano como um dos pilares da transição energética nacional, especialmente em setores de difícil eletrificação, como transportes pesados, indústrias de alta demanda térmica e aplicações de gás canalizado.

Biometano se consolida como solução de escala para descarbonizar a agroindústria

Além de complementar o gás natural fóssil com uma alternativa renovável, o biometano oferece vantagens competitivas importantes: menor pegada de carbono, previsibilidade de oferta em regiões agroindustriais, alta aplicabilidade em processos térmicos e integração com metas ESG de grandes companhias.

Com foco em maximizar valor, a Bioo também produz CO₂ biogênico em grau alimentício e biofertilizantes, ampliando a monetização dos resíduos e reduzindo dependência de insumos químicos importados.

A expansão das CTIRs e a entrada de novos investidores institucionais reforçam a maturidade do mercado brasileiro de biometano, que, segundo estimativas setoriais, pode multiplicar sua capacidade em até oito vezes na próxima década.

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